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RIO, BOSSA NOVA
................Em
25 de janeiro deste ano foi comemorado o dia da
Bossa Nova, data em que, se vivo fosse, Tom Jobim
estaria fazendo 85 anos. E, na data, para celebrar
esse movimento musical, o escritor Ruy Castro
lançou o livro “Rio, Bossa Nova”,
no qual são mostrados locais históricos
da Bossa Nova, curiosidades, relatos e histórias.
................A
Bossa Nova foi, sem dúvida, um dos movimentos
mais importantes da música popular brasileira,
conhecido, traduzido e cantado em vários
idiomas e apreciado no mundo todo. Dele, participaram,
além de Tom Jobim, o genial Vinícius
de Morais, João Gilberto, Nara Leão,
Luis Bonfá, Baden Powell e outros.
................A
expressão “Bossa Nova” surgiu
em oposição a tudo o que os jovens,
na época, achavam superado, velho, arcaico.
Não obstante os grandes cantores da época,
como Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Carlos
Galhardo, que interpretavam valsas e serestas,
os jovens achavam que algo teria de ser feito.
................Na
opinião dos reformadores, a mudança
não seria melhor, nem pior. Seria apenas
diferente, mais intimista, mais refinada, mais
alegre.
................O
grande marco inicial da Bossa Nova aconteceu em
1º de março de 1958, quando João
Gilberto cantou “Chega de Saudade”,
com a batida de violão diferente. Em 1956,
dois anos antes, não se falava em Bossa
Nova, mas o apartamento de Nara Leão, no
Edifício Champs-Elysée, na Avenida
Atlântida, em Copacabana, já era
ponto de encontro dos rapazes bronzeados de Copacabana:
Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli...
Ali, não se compunha música, ouvia-se,
apenas. E trocavam-se ideias. João Gilberto
só chegou ao Rio em 1957 e, certa noite,
foi ao apartamento de Roberto Menescal e ali aconteceu
o grande encontro: de ritmo, de música
e de poesia. O baiano João Gilberto pediu
um violão e, recolhido num dos quartos,
cantou “Hô-ba-la-la”, de sua
autoria. Fascinado, Menescal resolveu mostrar
“sua descoberta” aos amigos. O mestre
João Gilberto abriu os ouvidos de Menescal
para uma música até então
desconhecida. Assim, nasceu a Bossa Nova.
................Este
movimento musical foi responsável pela
fusão de ritmos brasileiros, com algum
sotaque de música de jazz norte-americano.
Apesar dessa fusão musical, a Bossa Nova
deu nova expressão, sobretudo à
grande riqueza da musicalidade brasileira, com
suas canções versando sobre temas
amorosos, sociais, todos voltados à maneira
brasileira de viver. Um dos seus principais tutores
foi o compositor Antônio Carlos Jobim. Este
movimento levou a música brasileira à
popularidade mundial com a canção
“Garota de Ipanema”, composta por
Tom e Vinícius de Morais, que foi considerada
“a canção mais conhecida do
mundo”.
................Outras
características do movimento eram, sem
dúvida, as suas letras que, contrastando
com os sucessos anteriores, abordavam temáticas
leves e descompromissadas. Exemplo disso é
a canção “Meditação”,
do próprio Tom e Newton Mendonça.
A forma de cantar também diferenciava das
que se tinha na época.
................Este
é o fascinante tema do livro “Rio
Bossa Nova”, de Ruy Castro, um cuidadoso
documentário desse movimento musical que
encantou o mundo.
.................................................
JUVENTUDE INCONSEQUENTE
................O
que está acontecendo com a juventude atual?
Rebeldia, intolerância, insensatez? Eu resumiria
o comportamento de grande parte dos jovens de
hoje em pura falta de educação,
sobretudo doméstica. É evidente
que a evolução dos tempos motivou
as mudanças gritantes no censurável
comportamento de juventude atual, mas acredito
que muita coisa poderia ser corrigida. Observando
a maneira de se comportar de certas moças
e rapazes com os quais nos deparamos no dia-a-dia,
ficamos estarrecidos com certas atitudes por eles
praticadas.
................Nada
mais degradante do que ver, pela TV, jovens frequentadores
dos bailes funks exibindo-se com atitudes promíscuas,
onde o sexo se expõe e a droga rola solta,
com música em alto volume, num desrespeito
às pessoas que residem nas imediações,
uma exaltação à liberdade
desvairada que leva os jovens à degradação
moral, sem limites, desafiando a polícia
e a sociedade como um todo. São jovens,
e acham que por isso podem tudo. Consideram-se
os donos do mundo. E eu fico a me perguntar: como
jovens que deveriam ser a vanguarda do pensamento
no país cometem atitudes semelhantes? Isso,
sem falar em coisas mais graves, como o desrespeito
aos mais velhos, que eles consideram ultrapassados
e o deboche aos humildes, com atitudes preconceituosas,
quando não, cruéis, como foi o caso
dos sete jovens de Brasília que atearam
fogo em dois mendigos, matando um deles e deixando
o outro em estado grave, com 20% do corpo queimado.
................Acredito
que uma educação falha desde a infância,
pobre em valores morais e éticos, é
responsável pela má conduta da maioria
dos jovens de hoje. Cabe aos pais educar seus
filhos, oferecendo-lhes a oportunidade de realizar
os sonhos que têm e orienta-los para um
pensamento reflexivo sobre a vida.
................A
sociedade ordeira sente-se moralmente agredida
diante de atitudes que ferem o bom senso e os
seus valores. Todos os pais deveriam impingir
aos filhos o senso de responsabilidade, para que
ajam como pessoas dignas. Nós, os mais
velhos, já fomos jovens como eles, talvez
igualmente rebeldes, ávidos por afirmação,
porém não estávamos “plugados”
no nosso tempo, onde tudo era diferente.
................É
certo que as experiências acumuladas nos
modificam, porém nos enriquecem em conhecimento
e compreensão para com os fatos da vida,
embora às vezes, ante o mistério
do mundo, nos sejam retiradas partes essenciais
do encantamento de ser jovem. Ser jovem é
estar encantado com a vida, com o amor, com as
descobertas, com o futuro. É a fase dos
sonhos. Isso, porém, não lhe dá
o direito de afrontar a sociedade.
................Por
mais que se pense que os sonhos não vão
acabar, a vida nos torna pragmáticos, pois
cada vez mais a realidade se impõe. Desejamos
o mundo ao nosso gosto, mas devemos estar preparados
para aceitar o mundo em que vivemos.
................Devemos
dar aos jovens o direito de serem jovens, mas
não o de transgredir e procurar abrir novas
fronteiras para o exagero comportamental. Do contrário,
onde estarão seus sonhos e seu idealismo?
................É
preciso que pais e educadores abram os olhos para
este grave problema, ou futuramente iremos construir
uma juventude maldita.
..........................
ETERNAMENTE ELIS
................É
impressionante como Elis Regina continua viva
na memória do público brasileiro,
mesmo tendo morrido há 30 anos, em 19 de
janeiro de 1982. Ainda hoje, todos os anos, no
Dia de Finados, centenas de fás visitam
o seu túmulo no cemitério do Morumbi,
em São Paulo, para homenageá-la.
Ali, choram, cantam, depõem flores e reverenciam
a sua memória de diversas maneiras.
................Como
explicar o endeusamento à Elis Regina e
a maneira como sua memória é reverenciada,
numa época em que a arte descartável
impera? Acredito que é pela sinceridade
que ela sempre colocou em sua arte.
................Gaúcha
de Porto Alegre, seu sangue dos pampas a fazia
um ser bastante temperamental. Lembro-me de um
dos seus shows, a que assisti no Teatro da Praia,
no Rio de Janeiro. Casa lotada e enorme expectativa
do público devido à demora do início
do show. Eu havia ido acompanhada de um amigo
radialista da Rádio Roquete Pinto, o que
me permitiu ir ao camarim da cantora. Logo na
entrada do camarim, compreendemos o motivo do
atraso. Ali encontramos uma Elis transtornada,
possessa, colérica em virtude de um problema
havido com a direção do espetáculo.
Alguma coisa que desagradara a artista. Temperamental
como era, Elis encontrava-se extremamente alterada,
a ponto de xingar todo mundo, da produção
ao funcionário mais humilde. Ameaçava,
inclusive, lançar um objeto contra o espelho
do camarim. “Estaria drogada?” Era
o que todos se perguntavam.
................Apesar
do temperamento forte, passada a crise, Elis foi
ao palco, desculpou-se e fez uma das melhores
apresentações de todas que já
fizera em sua carreira, mostrando-se, inclusive,
frágil, dócil e sensível.
................Acusada
pela crítica de só ter técnica,
muitas vezes não conseguiu se segurar e
chegou a chorar em cena, como aconteceu em 1980,
no especial “Elis Regina Carvalho da Costa”,
dirigido por Daniel Filho para a TV Globo, quando
interpretava “Atrás da Porta”,
de Francis Hime e Chico Buarque.
................Foi
no famoso bar “Beco das Garrafas”,
reduto da Bossa Nova de Copacabana, que ela travou
conhecimento com o compositor Edu Logo, que lhe
pediu para defender “Arrastão”,
música que fizera em parceria com Vinicius
de Moraes, para apresentação no
Festival da Excelsior.
................Daí
pra frente, a carreira de Elis decolou. Ao vencer
o festival da Excelsior, iria se apresentar com
Baden Powell, mas, como este não pôde
comparecer, foi convidado o cantor Jair Rodrigues
para substituí-lo. Elis e Jair gravaram
o LP “Dois na Bossa”. Fizeram tanto
sucesso que foram contratados pela Record para
apresentar “O Fino da Bossa”.
................Lembro-me
de Elis no “Beco”, onde fora convidada
para cantar pelo baterista Dom Um Romão,
que ela conhecera no programa “Noite de
Gala”, da TV Rio. A partir daí, ela
tornou-se a cantora mais aplaudida do Brasil,
até sua morte prematura em 1982.
................Em
19 de janeiro deste ano, pelos 30 anos de sua
morte, um seleto grupo de artistas alagoanos apresentou,
no Teatro Gustavo Leite, o espetáculo “Saudades
de Elis”. Um tributo mais do que merecid
..........................
................Começa
mais um ano e, com ele, nascem esperanças
renovadas de felicidade, com a realização
de novos projetos. Vamos, portanto, nos preparar
para os doze próximos meses, nos aprimorando
para atrair bons fluídos para o novo ano.
................Mesmo
que não tenhamos coneguido concretizar
todos os projetos que fizemos ao longo do ano
que findou, não devemos desanimar, e sim
arquitetar novos projetos para o ano que se inicia.
Com a chegada de um ano novinho em folha, devemos
renovar nossas esperanças e planejar novas
realizações. O importante é
não desanimar. Assim, a concretização
dos nossos sonhos será apenas uma consequência.
O importante é acreditar!
................O
grande barato da vida é olhar para trás
e sentir orgulho dos nossos feitos, por menos
significativos que sejam. O grande lance é
a certeza de ter vivido cada momento como se tudo
se concentrasse no hoje, no agora.
................É
lógico que a vida, ou o destino, como preferirem,
nos prega muitas peças; é claro
que, por vezes, o pneu fura, a chuva cai copiosamente
e atrapalha os nossos planos, o bolo sola, o leite
azeda, mas o importante é saber encarar
tudo com paciência e boa vontade. E sorrir,
pois não há nada melhor do que sorrir.
Tem sentido ficarmos chateados por causa de um
contratempo do cotidiano? Nosso coração,
esse músculo imprevisível, não
se sente nada bem com nossos emburramentos. Portanto,
vamos aceitar com mais tolerância os nossos
tropeços e procurar dar a volta por cima.
................Um
dos nossos grandes defeitos é esperar demais
das pessoas, delas exigir perfeição,
quando nós mesmos somos tão imperfeitos.
Pensando assim, viveremos muito melhor, aceitando
até, sem sair do sério, que a grana
não venha, que os amigos nos decepcionem,
sem guardar deles mágoas nem ressentimentos.
................Dizem
que “falar é fácil”.
Sim, é verdade, falar é fácil,
mas se procurarmos abrandar o nosso coração,
buscando compreender e perdoar, eu tenho certeza
de que seremos muito mais felizes. A gente também,
provavelmente, já magoou e decepcionou
muita gente, pois ninguém é perfeito.
................O
nosso desejo não se realizou? Beleza, provavelmente
não estava na hora de acontecer; talvez
ele não devesse ser a melhor coisa para
aquele momento. Há uma frase que diz: “Cuidado
com seus desejos, pois eles poderão se
tornar realidade”.
................Lamentar
a solidão, chorar de dor, de tristeza,
faz parte do ser humano. São coisas contra
as quais não podemos lutar. Mas se procurarmos
olhar o mundo com generosidade, veremos que tudo
se torna muito mais fácil.
................Neste
início de ano novo, com o coração
renovado de esperança, desejo para todos
os meus leitores esse olhar especial. Que as luzes
do Ano Novo ilumine os corações
de todos e os encha de amor e de fraternidade.
2012 poderá ser um ano especial se o olharmos
de forma diferente, admitindo nossas fragilidades
e egoísmos. O importante mesmo é
ser feliz!
.................................
....................................O
RETRATO
Olhar parado na velha moldura,
Lembrança de quem foi um grande amante.
Conserva, ainda, a mesma candura
E o brilho na pupila rutilante.
Os doces sonhos que deixou pra trás
Ardem na brasa de extremos fulgores,
Mesmo que dele já não restem mais
Lembranças vivas de velhos amores.
Igual a mim, que morro lentamente,
Qual anciã que vem perdendo o viço,
Em silêncio se impõe ali na sala...
Qual assassino que matou o tempo,
Jamais há de matar minhas lembranças,
Nem o ardor das minhas esperanças.
................
...................................OH!
PAJUÇARA
Oh! Pajuçara na encosta rasa,
Beleza extasiante em frente ao mar.
Dourada pelo sol que arde em brasa,
Ilumina com’amor o meu olhar.
Suas ondas se esbatem a espumar
Sobre as águas vestidas de dourado.
Jóia rara, esmeralda a flamejar,
Enleando meu eu apaixonado.
Sua grandeza me encanta e me seduz,
Domina Maceió cheia de luz,
Na imensidão de uma beleza rara...
Cingindo com esplendor o horizonte,
Tardes ardentes a perolar a fonte
Do amor qu’existe em mim, oh! Pajuçara.
Maceió, 11/07/2010
....... .
......................................DEPENDE
DE NÒS
................Vivemos
um momento, de certa forma, crítico, em
que temos que escolher o nosso futuro, o qual
nos reserva, ao mesmo tempo, perigo e esperança.
Por isso, para prosseguirmos em nossa caminhada,
faz-se necessário sabermos reconhecer que,
em meio a diversidades culturais e forma de vida,
fazemos parte da humanidade, somos uma família
em busca do seu destino. E nos conscientizarmos
de que devemos nos unir para gerar uma sociedade
sustentável global, calcada no respeito
à natureza, à justiça, aos
direitos dos outros, promovendo assim a paz e
o bem-estar comum.
................Para
alcançarmos este propósito, é
imprescindível que nós, seres conscientes,
primemos por responsabilidade um para com os outros,
com a grande comunidade à qual pertencemos,
sobretudo com as futuras gerações.
Nesse ponto, fica a grande interrogação:
como esperar o melhor das gerações
futuras se não sabemos prepará-las
hoje para que se tornem cidadãos corretos,
honestos, educados, e dignos, amanhã? Infelizmente,
o que temos testemunhado atualmente são
pais e educadores perdendo terreno para as crianças
e adolescentes, que os enfrentam, desrespeitam,
ameaçam e, muitas vezes, chegam a desmoralizá-los
e até a matá-los. Desgraçadamente,
é isso o que temos presenciado na sociedade
atual.
................Tudo
deriva da má educação que
os pais dão aos filhos. Pais que não
sabem se fazer respeitar e que, não satisfeitos,
apoiam os filhos em tudo de errado que eles fazem,
tornando-os parcela de uma humanidade que não
desejamos.
................Não
devemos ignorar que fazemos parte dessa humanidade
que ajudamos a construir, desse vasto universo
em evolução, cuja elevação
depende de nós; que a terra é o
nosso lar e que essa mesma Terra em que vivemos
nos proporciona as condições essenciais
para o nosso bem-estar e a nossa felicidade. Portanto,
a capacidade de recuperação das
comunidades da Terra depende unicamente da preservação,
tanto da alma humana, como de uma biosfera saudável,
a fim de se manter o seu sistema ecológico
sadio, com uma rica variedade de plantas e animais,
com solos férteis, água limpa e
ar puro.
................Em
vista disso, eu clamo: vamos salvar a Terra! A
proteção, preservação,
diversidade e encanto da Terra é um dever
sagrado que temos a obrigação de
praticar. Afinal, é a Terra em que vivemos,
e da nossa responsabilidade, da nossa consciência,
da educação de nosso povo depende
o nosso bem-estar, nossa saúde e felicidade.
Devemos nos conscientizar de que a produção
e o consumo praticados de forma egoísta
e irresponsável estão causando a
devastação ambiental, esgotando
nossos recursos hídricos e uma quase massiva
extinção das espécies, arruinando
comunidade, promovendo a injustiça social,
a pobreza, os conflitos. Tudo devido à
ambição e à inconsciência
de alguns grupos que se locupletam com a extração
ilegal de nossas madeiras, devastando nossas florestas,
reduzindo, assim, o oxigênio do pulmão
do mundo.
................
................................OLHANDO
O MAR
Olhando
o mar, sinto crescer em mim
U’a enorme vontade de chorar.
Saudade que parece não ter fim,
Perdida em meu olhar a vaguear.
É verdade, bem sei, que pra viver
É necessário amar para sofrer,
E alimentar os sonhos benfazejos
Alicerce de amor e de desejos.
Porém, olhando o mar, enternecida,
Relembro o grande amor de minha vida,
O que me fez feliz sem o saber...
Ouvindo o mar quebrando de mansinho,
É como se voltasse o seu carinho,
Folhas da primavera a me aquecer.
Maceió, 18/01/2007
.........
.....................................O
TREM DA VIDA
................No
trem da vida, somos todos passageiros, acomodados
no comboio que nos mostra, através da janela,
uma visão idílica que se descortina
durante a viagem. Admirando-a, seguimos pensando
na estação final, a qual nós
aguardamos com certa curiosidade, dúvidas
e ansiedade, pois não sabemos, na verdade,
o que iremos encontrar nessa estação:
se banda de música e bandeirolas a acenarem
ou, apenas, o cheiro acre da fumaça lançada
pelas caldeiras do trem.
................Durante
o trajeto do trem de nossa vida, sonhamos com
as realizações dos nossos sonhos,
acalentados sobre os trilhos que deslizam céleres,
em busca da estação derradeira.
................Nessa
viagem, os sonhos são diversos: há
passageiros que almejam o diploma da Universidade,
a realização profissional, promoção,
status, prestígio, riqueza; outros, menos
ambiciosos e com os pés firmes no chão,
mais realistas, conscientes da realidade de sua
existência, almejam, apenas, a felicidade,
a qual consiste na construção de
uma família, na condição
de criar bem seus filhos, de poder educá-los,
de vê-los crescer como seres do bem, pessoas
de luz, com saúde e paz. Terem ao seu lado,
alguém que os ame verdadeiramente. Não
almejam riqueza, nem prestígio, apenas
uma vida digna e tranquila. Creio que esses passageiros
viajam com muito mais alegria e são muito
mais felizes do que os que esperam encontrar,
em cada parada, o apogeu e a opulência.
................Para
os primeiros, a viagem é sempre uma festa,
na qual são todos convidados. E procuram
avaliar quanto vale o percurso de cada um. As
várias paradas lhes mostram estações
as mais diversas; algumas iluminadas, bem cuidadas,
tudo arrumado nos seus devidos lugares; outras
surgem mal cuidadas, cheirando mal, tristes e
apagadas como uma noite sem luar. Mesmo assim,
otimistas e esperançosos, esses passageiros
seguem sua viagem, na esperança de que
a próxima estação seja melhor
e definitiva: aquela que acolherá em sua
plataforma os seus sonhos mais diversos e realizações
ansiadas. E é com esta esperança
que seguem em frente, ouvindo o apito do trem
que os conduz ao surpreendente, ao inesperado.
................Mais
tarde, porém, eles percebem que não
há estação, nem lugar a chegar.
E que, afinal, a verdadeira alegria da vida é
a viagem; a estação é apenas
um sonho, uma utopia. Por isso, o mais certo é
parar de contar os quilômetros e apreciar
a viagem, procurando curtir a paisagem o máximo
possível, inebriando-se com o perfume das
flores, encantando-se com o canto das aves, com
o sorriso das crianças, extasiando-se com
o frescor do vento que toca o seu rosto, com o
deslumbrante pôr do sol, ouvindo o farfalhar
das palhas dos coqueiros. E, sobretudo, amar com
intensidade. Enfim, procurar apenas ser feliz.
............................
..............JORGE
AMADO, O ESCRITOR DA LIBERDADE
................Rendo,
hoje, um tributo a Jorge Amado, que morreu há,
exatamente, 10 anos.
................Considerado
um dos mais famosos escritores brasileiros de
todos os tempos, Jorge Amado foi talvez um dos
autores mais traduzidos e adaptados para a televisão
e o cinema brasileiros. “Tieta do Agreste”,
“Gabriela, Cravo e Canela”, “Dona
Flor e seus dois maridos” foram as suas
obras que alcançaram maior sucesso junto
ao público. Sua importância foi tão
grande que lhe valeu o “Prêmio Camões”,
considerado o Nobel da língua portuguesa.
................Seus
livros foram traduzidos em 49 idiomas, sendo superados,
apenas, pelos de Paulo Coelho.
................A
obra de Jorge Amado reflete a realidade dos temas,
das paisagens, dos dramas humanos, da seca, da
migração e segue o estilo literário
do romantismo moderno. Nela, observa-se do físico
sobre a consciência, característica
que a torna tão interessante. Seus personagens
são, em geral, artesãos, plantadores
de cacau, pescadores, gente da beira do cais de
Salvador, poeticamente descritas em seus romances,
como se pode admirar em “Mar Morto”,
uma das mais belas e inspiradas histórias
de amor, vividas por Lívia e Guma, descrita
com uma ternura e beleza enternecedoras.
................Escritor
desde a adolescência, seus livros possuem
um estilo agradável e de fácil compreensão,
numa linguagem que flui leve, com uma sonoridade
que encanta, sem pedantismo, nem rebuscamentos.
Certamente, por isso, conquistaram os leitores
do Brasil e de fora do país. Prova disso
são suas inúmeras traduções:
inglês, espanhol, francês, italiano,
alemão, etc.
................Além
de romancista, Jorge Amado era também jornalista
e memorialista, cuja obra é considerada
uma das mais importantes da literatura brasileira,
o que lhe valeu o ingresso, em 1961, na Academia
Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº
23, sucedendo o escritor Otávio Mangabeira.
................Formado
em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de
Janeiro, jamais exerceu a advocacia.
................Ainda
jovem, encantou-se com a política e, em
1945, foi eleito deputado federal por São
Paulo, tendo participado da Assembleia Constituinte
de 1946, pelo Partido Comunista Brasileiro.
................Seu
casamento com a escritora Zélia Gattai,
com quem teve dois filhos: João Jorge e
Paloma, foi uma das mais lindas histórias
de amor, um amor que venceu todas as adversidades
e só terminou com a morte os dois.
................Excepcionalmente,
Jorge foi um dos poucos escritores brasileiros
a viverem exclusivamente dos direitos autorais
de seus livros, o que prova o valor e reconhecimento
de sua obra, o que lhe valeu inúmeros prêmios,
nacionais e internacionais.
................Jorge
Amado era adepto da umbanda, chegando a ser Obá
do Axé do Opó Afonjá, na
Bahia. Morreu em Salvador, aos 89 anos, no dia
6 de agosto de 2001, tendo sido cremado e suas
cinzas espalhadas no tronco de uma frondosa árvore
que embeleza o jardim de sua casa no Rio Vermelho,
em Salvador.
.........................
..............................SAUDADE
DE GONZAGÂO
................Na
última segunda-feira, 2, o Brasil relembrou,
com saudade, o inesquecível Luiz Gonzaga,
no transcurso dos 22 anos de sua morte.
................O
fato me fez recordar o dia em que entrevistei
o “Rei do Baião”, em setembro
de 1964, nos estúdios da Rádio Gazeta.
Essa foi uma das melhores entrevistas que fiz
em toda minha carreira de repórter. Nunca
esqueci a emoção que senti quando
Gonzaga me abriu um largo e cativante sorriso
e me conduziu pelo braço a um canto do
estúdio, num gesto de carinho e gentileza.
................Vestido
num gibão de couro, Gonzaga era o tipo
do autêntico sertanejo, simples, bonachão,
pele tostada pelo sol do Nordeste.

................Cantor
matuto por excelência, dono de uma voz possante,
empolgava as plateias que lotavam os auditórios
das rádios em que se apresentava com sua
inseparável sanfona, exaltando as belezas
da terra natal. O chapéu de couro e as
sandálias sertanejas completavam a sua
indumentária de homem dos rincões
nordestinos.
................Suas
músicas (xotes, xaxados, baiões),
quase todas de sua autoria, em parceria com Humberto
Teixeira e Zé Dantas, falavam das dores
do amor, de alegria, de saudade e da pureza do
povo do sertão, do homem rude, do “cabra
da peste” valente que, para defender sua
Rosinha, era capaz de tudo.
................A
entrevista foi ótima, recheada de humor
e muitos risos. Com o característico sotaque
nordestino, que jamais perdeu, mesmo morando no
Rio de Janeiro há muitos anos, Luiz Gonzaga
falou de sua vida pessoal com sua Helena, companheira
e musa de tantos anos, do filho Gonzaguinha, cantor
e compositor consagrado, do qual se dizia fã
ardoroso. Foram tantos os assuntos abordados,
inclusive a escola que mantinha em Exu, sua terra
natal, para mais de cem crianças carentes.
Além da escolinha, fundou um museu em Caruaru,
que expunha artigos de couro, como chapéus
de vaqueiro, sandálias sertanejas, gibões,
bonecos de barro como os do Mestre Vitalino e
outros artigos típicos da região,
que podiam ser adquiridos pelos turistas que visitavam
a cidade.
................Na
entrevista, Gonzaga contou ainda um fato interessante:
o roubo de sua sanfona. Ao fazer um show na Rádio
Mayrink Veiga, no Rio, passou o maior susto quando,
ao ir apanhar a velha sanfona, que ficara no carro,
a mesma havia sido roubada. Retornou desolado
à rádio. Ronaldo Neves, apresentador
do programa, no qual Gonzaga se apresentaria,
ao saber do ocorrido, foi até o palco,
juntamente com o cantor, e, dirigindo-se ao público,
disse: “Roubaram a sanfona do Gonzaga. Vamos
dar outra sanfona pra ele?” E, provando
ser o povo mais generoso do mundo, os cariocas
presentes ao show não decepcionaram e logo
“choveu” dinheiro no palco da Mayrink
Veiga, dinheiro com o qual Gonzaga comprou sua
famosa sanfona branca, que o acompanhou até
o fim da vida, na qual mandou gravar, em letras
de metal, a inscrição “A sanfona
do povo”, numa prova de gratidão
àqueles que o ajudaram a comprar sua sanfona
nova.
...............................
.....................
..................... NUNES:
A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS
.................Todos
os dias, os leitores da Gazeta de Alagoas se deliciavam
com suas charges impagáveis e, aos domingos,
com a coluna “A Vida sem Retoque”,
na qual, com muito humor, retratava a gente simples
do povo, os frequentadores da antiga “Feira
do Passarinho”, dos botecos das esquinas,
das bibocas de Maceió.
.................Inteligente,
engraçado, espirituoso, assim era o meu
grande e saudoso amigo Nunes Lima, uma das pessoas
mais encantadoras que conheci. Com ele, compartilhei
o dia a dia da redação da Gazeta
de Alagoas durante muitos anos, época em
que nossa amizade se solidificou. Nesse convívio
diário, Nunes se tornou mais do que um
simples colega de jornal, tornou-se um grande
amigo. Seu jeito comedido e carismático
exalava nobreza, bondade, dignidade. Em 1975,
ao prefaciar o seu livro “Histórias
de toda a Gente”, tive a agradável
sensação de perambular com alguns
de seus personagens pelas esquinas da vida, de
braços com Dorinha, ao lado do Valença,
do Zé da Conceição, do Pedro
da Quitéria. Busquei então penetrar
no âmago e na essência da alma do
amigo querido e descobrir a sua grandeza.
.................Nunes
foi também um grande boêmio. Juntamente
com os companheiros de jornal: Zadir Cassela,
Zito Cabral, Teófilo Lins, Mario O. Gomes,
Bráulio Leite Jr., Valmir Calheiros e esta
redatora, ele varava as madrugadas quentes de
Maceió a fim de reverenciar a lua ao som
do violão divino e da voz dolente de Marcus
Vinícius, ouvindo o murmúrio do
mar de Riacho Doce, canções que
embalavam nossa amizade e penetravam fundo em
nossos corações.
.................Aqui,
o meu tributo ao grande “Pessoa”,
cuja figura será eterna em minha saudade.
COMENTANDO
* Os
trabalhos de reforma da sede da Academia Maceioense
de Letras, situada na Cambona, em Bebedouro, encontram-se
em fase de acabamento. A inauguração
ainda não foi marcada.
* O
confrade José Alberto Costa trabalha a
todo vapor na confecção do seu próximo
livro, que terá como título “Verso&
Reverso.com”, cujo lançamento ainda
não tem data marcada.
* Parabéns ao querido amigo, jornalista
Mozart Cintra, pelo seu aniversário, comemorado,
com um almoço, no dia 23/07, em seu bonito
apartamento na Ponta Verde, uma agradável
reunião de amigos, juntamente com a simpática
esposa Vera.
PAULO
JACINTO
Manoel
Nunes Lima
Paulo
Jacinto! Fazendas, estradas,
Ruas compridas e tortuosas,
Noites calmas, enluaradas,
Morenas acanhadas e dengosas.
Paulo
Jacinto! Carros de boi passando
gemendo, gemendo constantemente.
Rio correndo, gado pastando,
Mulheres lavando roupa ao sol quente.
Paulo
Jacinto! Boêmios apaixonados
fazendo seresta a noite inteira...
Paulo Jacinto! Casais de namorados
Passeando na festa da padroeira!
Paulo
Jacinto! Cigarra cantando
em tardes quentes de verão...
Gente forte e alegre trabalhando
Na colheita do algodão.
Paulo
Jacinto! O meu lar paterno
Uma casa azul com portão ao lado...
O rio enchendo em tarde de inverno,
A voz do meu padrinho tangendo o gado.
Poema
escrito por Nunes Lima, em 1951; uma homenagem
à terra que o adotou, onde ele viveu boa
parte de sua mocidade.
............................................
...................TRILOGIA
ALAGOANAA PRAZEROSA ARTE DE ESCREVER
.................Uma
das sensações mais prazerosas que
experimentamos é a de escrever, principalmente
crônica. Através dela, temos uma
visão do mundo de quem escreve o texto.
.................Ao
escrever uma crônica, o autor demonstra
a sua forma de ver o mundo ao seu redor. Além
de observar mais atentamente as situações
que fazem parte do dia a dia, estará exercitando
sua redação ao tentar construir
textos claros e, o mesmo tempo, objetivos.
.................Todas
as vezes que pegamos caneta e papel ou digitamos
algo no computador, sentimos o quanto é
prazeroso escrever, seja em prosa ou em verso.
O importante é expor nossas ideias, desenvolvê-las,
escrevê-las com cuidado e esmero. Na verdade,
escrever é uma necessidade indescritível
que nos impulsiona a manifestar os nossos sentimentos,
advindos do cérebro, da alma e do coração.
A maravilhosa arte de escrever requer, antes de
tudo, sensibilidade, permitindo que as ideias
se formem, pouco a pouco, revelando o momento
que vivemos e a dimensão dos nossos sentimentos.
.................A
segurança, a firmeza e a solidez do nosso
pensamento é o que determina a beleza de
nossa exposição. Cada cronista,
escritor ou poeta tem o seu estilo próprio,
isso é fato, mas todos têm a obrigação
de zelar pelo emprego da gramática e pela
informação passada ao leitor. É
imperdoável um cronista publicar a foto
de alguém e trocar o nome da pessoa citada.
O jornalista, seja editorialista, repórter
ou cronista, tem obrigação de cuidar
bem do que escreve. Faço esta ressalva
porque isso aconteceu recentemente comigo, quando
conhecida cronista social de um dos nossos jornais,
ao homenagear o saudoso chargista Nunes Lima,
publicou uma foto de um pequeno grupo de conhecidos
jornalistas, ex-colegas de Nunes, e, ao citar
o nome da cada um, simplesmente trocou o meu,
afirmando tratar-se de certa Aline Paiva, nome
totalmente desconhecido e que jamais circulou
na imprensa alagoana, o que causou espanto nos
demais colegas. E, como se não bastasse,
a cronista, tencional ou intencionalmente, não
publicou nada em sua coluna a fim de consertar
o lapso, numa falta de coleguismo e ética
profissional.
.................Voltando
ao tema, com relação à sensibilidade
e à segurança das ideias, é
difícil afirmar qual das duas é
mais importante e a que mais toca o leitor. Na
verdade, os autores tentam traduzir os sentimentos
do ser humano e da natureza, verdadeiras mensagens
de paz, de beleza e de liberdade; são verdadeiros
arautos do amor.
.................De
uma coisa tenho certeza: é bom escrever,
é bom ser lido, e bom ser comentado. É
muito gratificante sentir a sensação
de ter dito o que outras pessoas gostariam de
dizer, comungar ideias e, às vezes, até
lavar a alma.
.................Ao
escrever esta crônica, lamento o espaço
de tempo em que fiquei ausente do contato com
meu público, devido a problema de doença.
Mas, graças a Deus, já estou bem
e espero continuar a transmitir aos meus leitores
meus sentimentos de paixão pelo belo, pela
natureza e pelas pessoas.
........................ .....
...............................TRILOGIA
ALAGOANA
O
confrade Emanoel Fay Mata da Fonseca lançou
recentemente o livro “Trilogia alagoana –
outros poemas”, no qual juntou alguns de seus
melhores poemas, destacando-se “Maceió”,
“O Audaz Peregrino da Esperança”,
“Dois de Fevereiro” e “Pham Thi
Le é Ana Viva Mariana!”. Neste livro,
Fay teve a feliz ideia de juntar poemas redirecionados
à sensibilidade do leitor: “Maceió”,
uma renovação da estrutura do verso
livre, respeitando as tradições sem
submeter-se às normas da poesia moderna contemporânea.
Em “O Audaz Peregrino da Esperança”,
o poeta trabalhou a forma de melhor adaptar seu
pensamente à sua emoção, imputando-lhe
uma linguagem veloz e funcional. O antológico
“Dois de Fevereiro”, primorosa joia
regional, exalta a beleza santa da Festa de Nossa
Senhora da Piedade, com conotação
teatral contida nos diálogos que expressam
o falar matuto da gente do interior, rompendo com
os esquemas formais, enriquecidos ainda mais quando
declamados pelo seu autor. Enfim “Pham Thi
Le é Ana viva Mariana!”, onde o poeta
condensa várias linguagens e expressões
poéticas com as subjetividades suspirosas
do romantismo moderno.
Em todas as suas criações, Emanoel
Fay nos oferece uma poesia vigorosa que ultrapassa
os limites da mesmice da poesia convencional, produzindo
um efeito que duplica a sua força dentro
da concepção da excelente poesia contemporânea.
ANIVERSÁRIO
- No último dia 21, tivemos a alegria de
abraçar nosso amigo e confrade José
Alberto Costa, o poeta de cordel JAC, membro efetivo
da AML, do Movimento da Palavra e da Associação
Alagoana de Imprensa. Ao Zé, nossos melhores
votos de felicidades. São de sua autoria
esses versos:
“Eu
tinha um grande desejo
que já virou frustração,
queria poder doar
os rins, os ossos, o pulmão
para salvar outra vida
dava até o coração.”
BIENAL – Será realizada de 21 a 30
de outubro, no Centro de Convenções
de Maceió, a V Bienal do Livro de Alagoas,
uma realização da UFAL através
da EDUFAL, com o apoio da Associação
Brasileira dos Escritores Universitários
e dos governos Estadual e Municipal de Alagoas.
Este ano, haverá um stand de todas as Academias
de Letras, do qual fará parte a AML, que
terá um dia a ela dedicado. O poeta Jucá
Santos, na ocasião, fará lançamento
de seu livro “O Breviário de Nice”,
onde se incluem 100 memoráveis sonetos de
sua autoria, e a redatora desta página lançará
também o romance “Um Novo Amanhecer”,
que já se encontra no prelo da Editora Graciliano
Ramos.
SONETO
– Transcrevemos abaixo um belíssimo
soneto do confrade Jucá Santos:
PARA
EFEITAR A NOITE DE MEU BEM
(Inspirado
em Dolores Duran)
Eu quero
um céu, de estrelas, salpicado,
Quero a beleza imensa do luar,
Com sua luz batendo no telhado
Do nosso humilde e pequenino lar...
Quero
um jardim, de flores, enfeitado,
Cujo perfume faça-me sonhar...
Quero esquecer meu mundo de pecado,
Inundando de amor o seu olhar...
Eu quero
os pirilampos vagabundos,
Espargindo de luz os nossos mundos
E quero o som de violino além...
Eu quero
uma alegria diferente,
Dessas que fazem transmudar a gente:
“Para enfeitar a noite do meu bem!”
......................
.................NELSON
CAVAQUINHO, O ÚLTIMO JOGRAL
...............................A
voz rascante, raspada pelas biritas dos botecos
nas madrugadas boêmias do Rio, fluía
acompanhada do inseparável violão,
cujas cordas eram beliscadas por dois dedos, técnica
criada pelo insuperável compositor Nelson
Cavaquinho, o profeta dos desenganos, arauto das
desilusões, menestrel da angústia,
como era considerado.
...............................Sabe-se
que Nelson tinha pavor à morte, o que externou
em muitos dos seus sambas: “Sei que amanhã/
Quando eu morrer/ Os meus amigos vão dizer/
Que eu tinha um bom coração...”
Sambas dolentes que ele debruçava nos balcões
molhados dos botecos da Praça Tiradentes,
seu quartel-general. Ali, encontrava parceiros e
inspiração para compor suas maravilhosas
criações.
...............................Para
o compositor, a essência da felicidade consistia
em violão, samba, mulher, botequim. Era esta
a maneira que encontrava de ser feliz, cantando
a infelicidade e exaltando a tristeza.
...............................Carioca
de São Cristovão, o bairro imperial
de rica musicalidade, onde também nasceu
o “caboclinho querido”, Sílvio
Caldas, Nelson, se vivo fosse, em outubro deste
ano estaria comemorando 101 anos.
...............................Homem
simples, não se interessava por fama e dinheiro.
Gostava de viver na simplicidade do Jardim América,
onde residia, tocando violão e cantando nas
rodas boêmias, entre amigos que conquistou
no decorrer da vida. Neste ritmo, ele viveu intensamente.
...............................Nelson
Cavaquinho era uma lenda viva, o último jogral,
um cândido rebelde que desdenhava das tentações
do mercado fonográfico. Figura das mais emblemáticas
do universo musical, ele foi, sem dúvida,
um dos nomes mais importantes da MPB. O país
todo conhece e canta sua obra, e toda a cidade do
Rio de Janeiro conhecia e amava a sua figura, aquele
tipo inesquecível que exalava dignidade.
Durante anos, em peregrinações boêmias,
ele atravessou todos os túneis e embranqueceu
os cabelos nas madrugadas dos botequins, mostrando
a platéias anônimas as joias saídas
de sua inspiração privilegiada. Rosto
de índio, olhos esbugalhados de uma expressão
que traía sua pureza, voz carrasquenta das
asperezas do álcool, violão tocado
na vertical, açoitado pela batida agalopada,
o doce menestrel moderno desfilava suas geniais
criações.
...............................Fez
isso enquanto a saúde permitiu. Nos últimos
cinco anos, antes de sua morte, resguardou-se. Deixou
de fumar e de beber por medo de morrer e sumiu dos
bares, passando a cantar apenas em shows ou em sua
casa modesta, porém própria, em que
vivia há mais de 20 anos com dona Durvalina,
a companheira definitiva.
Com grande esforço, ele desfilou na Estação
Primeira de Mangueira, no carnaval de 85, enriquecendo
a sua Comissão de Frente.
...............................Nelson
Antônio da Silva, ou apenas Nelson Cavaquinho,
fez parcerias com grandes nomes da MPB, entre eles
o fabuloso Cartola. Um deles se transformou em sua
alma gêmea: o mecânico de máquinas
de calcular, pintor primitivo e poeta Guilherme
de Brito, com quem Nelson formou uma parceria primorosa.
Grande parte das letras dos seus sambas era de autoria
de Guilherme, verdadeiras pérolas: “Tire
o seu sorriso do caminho/ Que eu quero passar com
a mina dor...” Uma rigorosa seleção
dessa parceria encheria laudas de títulos
de canções da mais irretocável
inspiração. Alguns exemplos: “A
Flor e o Espinho”, “Folhas Secas”,
“Quando eu me Chamar Saudade”.
...............................Nelson
morreu aos 74 anos, em fevereiro de l986, de enfisema
pulmonar. E hoje ele se chama verdadeiramente Saudade.
.....
........................A
ESPERANÇA NOS FORTALECE
.....................Todos
nós, neste mundo, estamos sujeitos a enfrentar
os reveses da vida. Nosso cotidiano está
constantemente imerso em perturbadora atmosfera.
São os imprevistos que invadem nossa vida
como um furacão e nos fazem mergulhar em
depressão e sermos levados a um estado de
espírito que nos desespera.
.....................Mas,
frente aos males que nos afligem, devemos assumir
uma posição de coerência sob
os ensinamentos do Evangelho que nos instruem a
erguer a bandeira da esperança, atiçando
a chama que necessitamos manter acesa em nosso coração.
.....................Ante
os fatos dolorosos, devemos contrapor os ensinamentos
do Senhor, os quais nos ajudarão a sobreviver.
Sem essa visão transcendente, fundamentada
na fé, a atormentadora realidade que nos
cerca torna-se um fardo difícil de carregar.
.....................É
certo que a constatação de um fato
triste pode nos levar ao desespero se nos faltam
coragem e fé para enfrentá-lo. Há,
porém, em nosso desalento, uma única
força que nos sustenta: a esperança.
Ela se torna alicerce sem o qual o edifício
viria a ruir. As virtudes da esperança e
da fé nos fazem confiar ilimitadamente na
reconstrução de nossa vida e vencer
as adversidades. Não se trata de nos apoiarmos
na nossa força interior, mas, sobretudo,
na fé no Altíssimo. Nossa força
.....................interior
tem o seu valor, é certo, mas, por ser relativa,
falha. E se isso acontece, nos lançamos à
desesperança. Se estivermos suspensos num
precipício, devemos buscar um amparo: o amparo
da esperança, garantia que vem de Deus, que
nos amparará no momento em que segurarmos
em sua mão Santíssima.
Indispensável à nossa vida, a esperança
é uma das três virtudes teologais,
juntamente com a fé e a caridade.
.....................O
mundo, infelizmente, julga por valores diversos.
Assim, valem o imediato e as aparências enganosas,
tais como a riqueza, os prazeres, fazendo com que
as pessoas se inclinem para o transitório
e não para o que é ensinado por Deus.
.....................Esse
é o ambiente em que vivemos, a atmosfera
que respiramos. A fé enfraquecida leva o
homem ao desespero. Quanto mais triste o mal que
nos aflige, maior deve ser a nossa confiança
em Deus. Ele é o sustentáculo.
A esperança é um remédio indispensável
ao nosso viver. Não me refiro à esperança
obcecada, irreal, mas à esperança
íntima que alimentamos dentro de nós,
qual um lampejo que ilumina o breu da realidade;
a esperança convicta de que tudo será
resolvido da melhor forma, devolvendo-nos a paz
e a tranquilidade.
.....................Nada
sei de psicologia, mas creio que esta seja, de alguma
forma, uma defesa da mente quando se está
vivendo momentos extremamente difíceis como
este que estou vivendo agora; uma forma oculta de
conforto no subconsciente. Seja como for, talvez
o que nos levante seja este lampejo de esperança
e a nossa fé inabalável em Deus. Quando
passar a tormenta e o frio parecer menos cortante,
por certo a nova realidade proporcionará
um alento ao nosso coração e minorará
a nossa agonia.
.....................A
esperança, sentido que nos dá à
vida, aponta para o possível. Mesmo que estejamos
prestes a desabar, ante o imprevisível que
teima em desarrumar nosso caminho, a luz surge e
nos mostra que na vida é preciso saber enfrentar
a dor com coragem e fé e tudo será
vencido, com a Graça de Deus.
...............
...................................SOLIDÃO
URBANA
...........................As
ruas lotadas, um vai-e-vem de pessoas aflitas, anseios
espalhados por todos os cantos, a maioria delas
em busca de realização. Cada dia é
mais notório o aumento de pessoas que moram
sozinhas. A solidão urbana é um fenômeno
que cresce no nosso cotidiano. A estrutura social
pode ser um fator gerador desse fenômeno,
levando pessoas a se isolarem, reclusas em suas
próprias solidões. A substituição
das relações sociais fora de casa,
a dificuldade de se construir relações
na sociedade moderna, talvez seja devido à
fragilidade humana, levando o homem a pensar na
problemática que pode ser a causa de certos
indivíduos cada vez mais se isolarem do mundo
exterior; de uma sociedade que o assusta e com a
qual não se identifica. Suas deficiências
são múltiplas e o levam ao isolamento
devido à dificuldade que tem de comunicar-se.
...........................Há
que se considerar o vácuo que se estabeleceu
entre a sociedade moderna e o indivíduo.
Faz-se necessário dar-se atenção
aos consequentes fenômenos desse comportamento
dentro da atual sociedade urbana.
...........................Um
ponto importante a considerar é que a vida
moderna e a individualização são
características essenciais às grandes
metrópoles, onde as coisas fluem rapidamente,
em que as pessoas estão sempre apressadas
e preocupadas com seus inúmeros problemas.
Essa visão da vida dos grandes centros urbanos
acaba dificultando o estabelecimento de relações
sociais frequentes. Cada qual com seus problemas,
geralmente não têm tempo de participar
dos problemas dos outros, É a vida moderna
que corre célere, matando o sentimento de
sociedade e urbanidade, tornando o homem egoísta,
egocêntrico, no afã de alcançar
suas realizações. É a busca
da estabilidade, é a conquista dos ideais,
é o temor de fracasso profissional. Na sociedade
capitalista, o trabalho torna-se o ponto principal
na vida das pessoas, diminuindo as relações
sociais e, com isso, a sensação de
solidão. Hoje, na cidade grande, não
se tem tempo nem para conhecer o lugar onde se vive,
nem o vizinho do lado, fenômeno que não
afeta os centros menores, onde o homem ainda consegue
se comunicar com os outros e fazer amigos.
...........................Diante
desse quadro, faz-se necessário buscar novos
valores que deem significado à vida e à
relação com o mundo.
Essa forma de sociedade, na qual estamos inseridos,
pode aguçar a personalidade do indivíduo
e o afastar do contato social. Se uma pessoa se
sente só não é porque ela escolheu
se isolar, mas porque a sociedade não lhe
dá mecanismo para ela se integrar socialmente.
...........................Quantos
rostos cruzam conosco na multidão, dando
a impressão de que perderam o encanto pelo
que está à sua volta. É como
se a “vida desencantada” e a exacerbação
do cotidiano, da vida racionalizada, causem-lhes
um vazio, já que, em tempos passados, a magia
de viver era quem movia esses valores e proporcionava
“encantamento ao mundo”. Isso talvez
explique porque a solidão do homem atual
seja o maior desafio dos grandes centros urbanos.
Cadê as cadeiras nas calçadas, promovendo
o papo cordial de vizinhos, mais amigos que vizinhos?
Cadê a solidariedade entre eles? Antigamente,
as pessoas destacavam essa necessidade para viver
em sociedade; hoje, as pessoas se afastam e impõem
restrições aos relacionamentos, como
se ninguém – ou quase – merecesse
confiança. Isso gera um vazio enorme, já
que são as motivações individuais
que fortalecem os bons relacionamentos.
.................
................O
ENCANTO DAS LIVRARIAS DE OUTRORA
.......................Outro
dia, passando por uma das pouquíssimas livrarias,
ainda existentes em Maceió, senti falta das
livrarias de outrora. Vieram-me à lembrança
a José de Alencar e a Machado, situadas na
Rua do Comércio que, nas décadas de
50 e 60 viveram o seu apogeu. A José de Alencar
ficava no trecho principal da Rua do Comércio,
perto do Relógio Oficial, local privilegiado,
ocupado também pelo Bar Helvética
e o Bar Colombo, onde costumavam se reunir, todas
as tardes, os escritores Graciliano Ramos, fumando
o seu inseparável cigarro Selma, ponta de
cortiça, Aurélio Buarque de Holanda,
Jorge de Lima, José Lins do Rego, Santa Rosa
e outros intelectuais que já começavam
a despontar no cenário literário nacional.
.......................Com
uma ponta de nostalgia, fiquei a pensar naquele
tipo de livraria que já não existe
hoje em Maceió – estabelecimento em
que era possível encontrar coisas agradáveis,
tanto livros como gente, o que significa cultura
e inteligência: o professor e o aluno, o romancista
e o poeta, o erudito e o curioso, atrás de
uma novidade. Aquelas livrarias dos anos 50 e 60
conservavam uma atmosfera de remota tradição
cultural dos salões literários. Não
eram, apenas, uma loja para vender livros. Eram
um ponto de encontro para o bate-papo, a troca de
idéias e “fuxicos”.
.......................Livrarias
como as de outrora deveriam constar de livros de
memórias. Elas faziam parte da vida cultural
de uma cidade, de um país. No caso de Maceió,
as livrarias deveriam ter uma história inseparável
da própria história de nossas letras.
Como exemplo notório, bastaria evocar os
maiores escritores daquelas décadas, que
faziam ponto na José de Alencar para o bate-papo
costumeiro, cercados pelos velhos amigos e pelos
admiradores. Nela se encontravam livros, amigos
e amigos dos livros. Essas livrarias tinham uma
missão especial: estimular o vício
da leitura e contribuir para a definitiva dependência
desse objeto sagrado que é o livro.
.......................A
Livraria José de Alencar está ligada
às minhas reminiscências por ser um
lugar onde se encontravam todos os tipos de livros
e onde se respirava cultura, tendo à frente,
atendendo aos fregueses, com distinção
e cordialidade, o simpático Aurino, antigo
funcionário da casa, motivando a todos a
frequentarem o estabelecimento.
.......................Quando
publiquei a primeira edição do meu
romance, A Hora Presente, em 1966, eu deixava os
exemplares na José de Alencar, sob a responsabilidade
do Aurino de vendê-los. Em poucos dias, esgotavam-se
todos os livros, e o gentil vendedor me solicitava
mais volumes para suprir o estoque. Assim, a edição
esgotou-se em um mês. Aurino teve a feliz
idéia de colocar sobre o balcão, no
primeiro plano, uma charge feita por meu amigo e
colega da Gazeta de Alagoas, o chargista Nunes,
desenhada em cartolina, na qual se via um comprador
dirigindo-se ao vendedor: “O senhor tem livros
usados?” Ao que o vendedor respondia: “Não.
Mas temos este aqui muito ousado”. Mais do
que isso, porém, o que o Aurino fez para
promover o sucesso de vendagem do meu livro foi
incentivar o leitor a adquiri-lo, com o seu jeito
afável e cordial. Assim, eu voltei para o
Rio de Janeiro quase sem livros, mas com a certeza
de que a simpatia é a alma do negócio.
.......................Hoje,
infelizmente, as poucas livrarias que temos não
possuem o encanto das de outrora, com ambiente frio
e impessoal, sem darem o devido valor aos escritores
da terra, o que é lamentável.
................
..............................ESSAS
CRIANÇAS DE HOJE
.......................O
que está acontecendo com as crianças
de hoje? Precocidade ou envelhecimento rápido?
É impressionante como as crianças
atuais são desinibidas e determinadas, com
vontade própria, com atitudes que jamais
imaginávamos ver um dia. Abisma-me observar
o quanto elas são sabidas e atualizadas,
opinando sobre o que acontece à sua volta,
com posicionamentos definidos. Hoje, decidem o que
vão vestir, escolhem o presente que querem
ganhar no aniversário e no Natal, discutem
suas preferências como gente grande e se intrometem
nos assuntos dos adultos.
.......................Outro
dia, deparei-me com uma menininha de seus 6 anos.
Chamou-me a atenção a maneira como
estava vestida: uma saia jeans, curtíssima
e – o que mais me impressionou – uma
sandália alta, de plataforma, dessas que
as mulheres usam para sustentar seu gracioso caminhar.
Andando em cima daqueles saltos, a garotinha mal
conseguia se equilibrar. Seus cabelos soltos também
me assustaram por sua cor vermelha, acaju, incomum
para uma criança daquela idade.
.......................Diante
da figurinha que tentava andar faceira como uma
adulta, eu, ingenuamente, fiz esta reflexão:
como pode uma mãe permitir um absurdo desse?
Na verdade, com tão pouca idade a criança
não tem formação em sua anatomia
para usar uma sandália daquela altura, o
que pode prejudicar seus ovários em desenvolvimento.
Mas como fui ingênua em minhas considerações!
Desde quando, hoje em dia, os pais exercem autoridade
sobre os filhos? Há exceções,
é claro, mas são poucos os pais que
conseguem impor sua autoridade sobre os pequenos.
A maioria deixa-se dominar por eles, não
sei se por comodismo, por fraqueza ou falta de autoridade
mesmo.
.......................Um
dia desses, outra cena me deixou perplexa: foi quando
uma mãe falava ao telefone com uma amiga
e, em determinado momento, o filho, aos gritos,
mandou que ela calasse a boca e desligasse o telefone,
o que ela obedeceu sem nenhuma reprimenda. Diante
daquele absurdo, fiquei a pensar: é devido
a coisas como esta que as crianças de hoje
são tão indisciplinadas. Não
há freios para elas. Elas podem tudo.
.......................Apesar
de estranhar um pouco as mudanças no comportamento
infantil, penso que talvez haja nisso um lado positivo:
as crianças evoluem e aprendem a andar com
as próprias pernas, desinibem-se e passam
a ser determinadas. Isso também concorre
para desenvolver sua personalidade, embora a educação
vá para o brejo. O que é preciso é
não deixar que elas nos dominem e que expandam
sua rebeldia de maneira desenfreada.
.......................Eu,
particularmente, acho as crianças um encanto,
só não aceito a educação
que lhes vem sendo dada pelos adultos (familiares
e educadores), transformando-as em “aborrecentes”
no futuro.
.......................Há,
no entanto, muitas coisas salutares praticadas por
essas crianças precoces. Por exemplo, as
opiniões que emitem sobre coisas do dia-a-dia,
os posicionamentos que assumem no seu cotidiano,
suas “tiradas” sensacionais, são
encantamentos que as tornam tão especiais
e admiráveis. Essas crianças provam
que não há código natural para
medir suas relações com o mundo, de
tal maneira que há que se encontrar, em cada
caso, a maneira de mediar o resultado de seu caráter
mítico. É aí que dou vivas
a essas crianças maravilhosas, entre as quais
incluo meus sobrinhos, tão vivos, tão
inteligentes, tão auto-suficientes, determinando
o que devem ou não devem fazer. Mas que eu
amo muito, apesar de tudo. Eles são encantadores!
...........................
...................................A
LEI E A SOCIEDADE
....................Há
muito sabemos do abismo que existe entre a lei e
a sociedade em nosso país. Sempre foi dito
que no Brasil as leis não funcionam por serem
idéias fora do lugar. Não concordo
com esta afirmação quando se trata
de questões morais em que a lei brasileira
é retrógrada face à nossa realidade.
Vejamos o caso do Código Penal Brasileiro,
por exemplo, que há muito já deveria
ter sofrido mudanças, embora muito se tenha
discutido sobre isso. A discussão se concentra
na necessidade de se rever vários itens já
ultrapassados e maleáveis com relação
a alguns tipos de delitos.
....................No
Brasil, numa velocidade igual à diversificação
da conduta humana, a lei deve acompanhar a dinâmica
social, regulando grande parte das relações
entre as pessoas ou entre elas e o Estado. Daí,
a necessidade de se atualizar os Códigos
Civil e Penal.
....................Juristas,
magistrados, sociedade civil organizada e principalmente
políticos precisam proceder a mudanças
profundas e urgentes no Código de Processo
Penal, que foi revisto na década de 40, e
acabar com privilégios de réus, beneficiados
pelas brechas da lei que permitem que criminosos
confessos possam cumprir um terço da pena
ou que, favorecidos por habeas corpus, esperem julgamento
em liberdade. Outro item difícil de aceitar
é o de um criminoso, por ser primário
e ter residência fixa poder gozar de certos
privilégios. Ora, o fato de alguém
matar pela primeira vez não o exime de culpa.
Pelo fato de ser a primeira vez, não deixa
de ser crime.
....................Reportando-nos
à revoltante impunidade existente no país,
temos, por exemplo, o caso da advogada Mércia
Nakashima, morta barbaramente, sendo o maior suspeito
do crime o também advogado Mizael Bispo,
ex-namorado da vítima, cujas evidências
o apontam como o principal suspeito e continua solto,
rindo na cara da sociedade. Sem falar no caso da
jornalista Sandra Gomide, covardemente assassinada
pelo ex-namorado, o também jornalista Pimenta
Neves, que até hoje se encontra em liberdade
sem nunca ter sofrido nenhuma penalidade. Não
há nada que justifique um absurdo desse.
....................A
impunidade no Brasil tornou-se revoltante e insuportável.
São muitos os casos em que assassinos confessos
de crimes hediondos, defendidos por advogados competentes
e inescrupulosos, se beneficiam de habeas corpus
e vão aguardar o julgamento em liberdade,
privilegiados pelas brechas na lei existentes no
nosso capenga Código Penal.
....................É
inaceitável, por exemplo, a modificação
do artigo 12 do projeto de reformulação
de parte do Código Penal que pretende modificar
parte importante da Lei de Crimes Hediondos referente
ao abrandamento das penas para criminosos de grande
periculosidade. Segundo este artigo, ficaria anulada
a obrigatoriedade do cumprimento de pena em regime
fechado, em casos de crimes graves, previstos na
lei, o que beneficiaria os infratores. Onde está
a concepção de justiça de quem
propõe esta reformulação absurda?
Não bastam as brechas da lei já estabelecidas?
Isso é inconcebível.
....................No
Brasil, raramente se é condenado a cumprir
pena até o final da sentença, pois
há a tal Progressão de Pena que beneficia
o criminoso.
Outra coisa revoltante é alguém que,
dirigindo bêbado, atropela e mata e, após
pagamento de multa, sai livre, pronto para voltar
a matar.
Está na hora de se mudar este panorama, votando
as mudanças que se fazem necessárias
no nosso Código Penal. É o que o Brasil
espera com justiça.
..................jpg)
.......................O
QUE LEVOU TIRIRICA À VITÓRIA
.......................Nos
anos 90, Tiririca converteu-se numa celebridade
da TV ao encarnar um palhaço muito engraçado
que cantava: “Florentina” e arrancava
gargalhadas pelo Brasil afora. Este ano, o humorista
resolveu entrar para a política, candidatando-se
a deputado federal, incomodando muita gente que
logo se manifestou contra a sua candidatura. Tiririca,
porém, fez ouvidos moucos e levou adiante
a campanha, vestido de palhaço, apresentando-se
aos brasileiros como o candidato “abestado”,
com o slogan: “Vote em Tiririca, pior do que
tá não fica”. No programa eleitoral,
ele pedia: “Votem em mim, porque eu quero
ser deputado federal para ajudar os mais “necessitado”,
inclusive minha família”. A estratégia
valeu a Tiririca, ou melhor, a Francisco Everardo
Oliveira Silva (seu verdadeiro nome) uma vitória
esmagadora, com 1.353.820 votos, sendo o deputado
federal mais votado, não só de São
Paulo, mas de todo os estados da federação
brasileira.
.......................A
explicação para a vitória retumbante
de Tiririca nada mais é – me parece
– do que um protesto de boa parte do eleitorado
brasileiro contra a corrupção vergonhosa
que se instalou no Congresso Nacional, após
tantos escândalos e impunidades que consagraram
políticos inescrupulosos da Câmara
e do Senado federais. Não apoio a votação
de candidatos que não estejam aptos para
exercer os mandatos a eles conferidos, mas a verdade
é que o povo não suporta mais tanta
bandalheira. A revolta vem corroendo, há
anos, o brio patriótico dos brasileiros que
se sentem impotentes e achincalhados em sua dignidade.
Ao considerar o congresso um circo, nada mais natural
do que eleger um palhaço para fazer parte
de suas fileiras. A eleição de Tiririca
é o retrato do sentimento de descaso que
o Congresso Nacional galgou em nossa sociedade após
anos de descalabros praticados por maus políticos
deste país.
.......................Diante
da vitória de Tiririca, o promotor Maurício
Antônio Ribeiro Lopes, da 1ª Zona Eleitoral
de São Paulo, requereu ao TER a impugnação
da candidatura vitoriosa do artista, contestando
seu grau de escolaridade. Aliás, este promotor,
em entrevista a um programa de TV, explicando seu
posicionamento, disse alto e bom som: “Houveram
muitos erros na ficha de inscrição
apresentada por Tiririca ao Tribunal Eleitoral”.
Ora, para um promotor que contesta, justamente,
os conhecimentos gramaticais de um homem humilde,
de pouca escolaridade, um erro crasso deste, é,
no mínimo, inconcebível. Precisaria
estudar mais.
.......................O
Juiz Eleitoral Aloísio Sérgio Rezende
Silveira, porém, não acatou a denúncia
do promotor sob o argumento de que “não
há justa causa para a ação
penal, uma vez que o TSE-SP, ao conceder o registro
da candidatura de Tiririca, entendeu não
haver qualquer causa de inelegibilidade do candidato,
inclusive no que se refere à instrução
mínima, ou seja, o não analfabetismo”.
.......................Muitas
pessoas acham que Tiririca não tem condições
de assumir uma cadeira na Câmara Federal,
alegando que um político deve ser preparado
para exercer a função. É evidente
que sim, mas, antes de tudo, deve ter moral, dignidade,
retidão de caráter, enfim uma ficha
limpa. Não quero dizer com isso que Tiririca
seja um bom representante nosso no Congresso Nacional,
mas querer anular sua candidatura é uma injustiça.
Porque o TER-SP não analisou as suas condições
antes de conceder-lhe o registro? Essa, sim, seria
a decisão correta.
.............. .
..........................BOAS
VINDAS À PRIMAVERA
.......................A
primavera chegou. Esperei-a durante meses, antecipando
a alegria de ver as flores multicores brotarem com
seu perfume inebriante. Mas como estou decepcionada!
Ela chegou, porém os dias continuam sem o
seu brilho. Chego a pensar que, como tudo muda neste
mundo, o calendário também mudou.
Estamos em plena estação das flores,
do verde, da vida, porém um ar triste paira
sobre nós, deixando nosso espírito
com um sentimento de inverno teimoso.
.......................O
que mais nos entristece é ver as nossas praias
com a água do mar turva, sem aquele verde
esplendoroso da primavera. O sol indeciso até
quer dar as caras, mas o tempo, com nuvens esparsas,
o impede de dar brilho à vida.
.......................Afinal,
onde está a primavera plena? Eu me pergunto
como Machado de Assis: “Mudaria o Natal, ou
mudei eu?” Será que mudamos todos nós,
movidos pelo desencanto de ver o mundo caminhar
sob tantos absurdos?
.......................A
primavera é um estado de espírito,
que infelizmente turvou-se de nuvens estranhas.
Estranhas, porque neste período não
se vê a sua real presença a alegrar
os nossos dias. Nesta estação do ano,
tais nuvens deviam se recolher para dar lugar a
um céu azul extasiante. Sem sombra de dúvida,
houve uma mudança que de certo tem uma causa.
Primeiro, mudaram-se os tempos, depois mudaram as
pessoas. O ser humano, efetivamente, não
é mais o mesmo. Nunca se viu em toda a existência
tantas atrocidades, barbaridades e desmandos cometidos
por uma geração que surgiu devagar,
silenciosa, sorrateira, dissimulada que, aos poucos,
foi mostrando as garras, roubando a paz e o sossego
de todos nós. Hoje, mata-se por tudo e por
nada, com a tranquilidade de quem saboreia um doce.
E eu, com meu espírito primaveril, me reporto
à longínqua infância e recordo
como procediam as pessoas antigamente, com consideração,
gentileza e solidariedade para com os outros, sempre
prontas para se ajudarem entre si, com o coração
cheio de amor.
.......................Diante
da nova realidade surgida neste jovem século,
eu fico a buscar a primavera da vida, com o orvalho
perolando as flores e umedecendo as manhãs,
coisas de um mundo primitivo feito de ingenuidade
telúrica; um mundo onde valia muito a voz
dos mais velhos ensinando-nos o bem e o caminho
certo. A primavera era uma festa de cores, quando
o cheiro das frutas maduras enchia de sabor o nosso
olfato e satisfazia o nosso paladar. A primavera
existia de fato, no período certo, com toda
a sua exuberância. Eu me lembro da quietude
da noite, do brilho das estrelas, dos pirilampos
pontilhando a escuridão e do sono chegando
devagarzinho, levando-me ao novo amanhecer, às
auroras frescas do raiar do dia.
.......................Hoje,
muitos anos depois, a primavera já chega
sem o brilho de outras primaveras que coloriram
minha infância. Mudou a natureza ou mudei
eu? Pelo menos, eu me esforço para não
tirar o colorido da minha existência. É
inegável que no mundo atual mudou o sentido
de bondade, de dignidade, de honradez e honestidade,
o que prova a intolerância de parte da nova
geração ao praticar crimes hediondos,
como estupros de crianças inocentes, violência
contra mulheres indefesas, desmandos os mais vergonhosos
praticados por políticos inescrupulosos e
outras barbaridades.
Por tudo isso, quando falamos da bela estação,
observando o simulacro de uma primavera civilizada
na urbe moderna, nossos olhos se voltam para o passado,
um passado que nostalgicamente vive dentro de nós.
..............
...........................................
.......................O
Jornal do Brasil, um dos mais antigos e importantes
órgãos da imprensa do país,
que circulou durante 119 anos, deixou de circular,
na sua versão impressa, na última
terça-feira, passando a ter uma versão
online.
.......................O
“JB” fez parte de um seletíssimo
grupo de quatro dos melhores jornais brasileiros:
Globo, Estado de São Paulo e Folha de São
Paulo. Pode-se dizer que ele serviu de modelo para
muitos jornais. Suas coberturas gozavam de credibilidade
e eram apreciadas pelos leitores, servindo de orientação
àqueles que buscavam uma boa informação.
.......................Diz-se
que, com seu fechamento, a massa arrendada da família
Nascimento Brito será passada adiante, ficando
os seus direitos sobre a edição impressa
transferidos a possíveis interessados.
.......................Este
problema, que vem atingindo, há anos, o cenário
gráfico brasileiro, é realmente lamentável.
Há pouco mais de um ano, outro importante
jornal do país, a Gazeta Mercantil, parou
de circular por problemas financeiros. Antes, já
haviam fechado: Correio da Manhã, Diário
de Notícias, Gazeta Esportiva, sem falar
nas revistas Cruzeiro, Manchete, Fatos & Fotos
e outras mais. Agora foi a vez do “JB”.
.......................A
notícia do seu fechamento deixou desoladas
centenas de profissionais do jornalismo, aqueles
que amam sua profissão e que sabem quanto
é importante um bom jornal circulando diariamente
e levando os fatos do Brasil e do Mundo ao conhecimento
do público ávido por notícias.
.......................Eu
frequentei, na década de 60, a redação
do “JB”, quando ainda funcionava na
Avenida Rio Branco, antes de ser transferida para
o gigantesco prédio da Avenida Brasil, e
tive o privilégio de ver ali, debruçados
sobre suas mesas, nomes importantes do jornalismo
carioca, como Joaquim Ferreira dos Santos, Alfredo
Herkenhoff que, na semana passada, lançou
o livro “Jornal do Brasil: memórias
de um secretário. Pautas e fontes”,
Alberto Dines, José Silveira, José
Nassif.
.......................Ao
entrar na velha redação do “JB”,
nos sentíamos tomados por um enorme fascínio;
era como se penetrássemos num templo sagrado,
onde podíamos nos deparar com os mais importantes
nomes do jornalismo carioca da época. Todas
as máquinas sendo usadas, o som das teclas
produziam uma sinfonia fantástica, penetrando
em nosso espírito como uma melodia. Como
o computador ainda não existia, era daquelas
máquinas rudimentares (Olivetti e Remington)
que saiam as notícias que eram lidas avidamente
pelos leitores, todas as manhãs.
.......................Na
verdade, o “JB” começou a acabar
desde que os herdeiros da Condessa Pereira Carneiro
e seu genro MF do Nascimento Brito, atolados em
dívidas, entregaram o destino do jornal a
certo empresário em troca de uma renda mensal.
Mas como eles continuaram responsáveis pelo
passivo de 2 milhões de reais, o negócio
não deu certo.
.......................Trabalhar
no “JB” era o grande sonho de todo jornalista,
pois, além dos ótimos salários,
o jornal da Condessa era um dos de maior credibilidade,
prestígio e independência.
.......................Com
o passar dos anos, o “JB” afogou-se
em dívidas e tornou-se uma sombra do que
fora nas décadas de 50, 60 e 70, perdendo
seu vigor e os talentosos jornalistas que enchiam
sua redação, valores que, por razões
óbvias, se bandearam para outros órgãos
de imprensa, sobretudo para o Globo.
.......................É
muito triste assistir à decadência
daquele que foi o mais importante jornal do Brasil,
hoje pedaços da história gloriosa
de um dos mais importantes órgãos
da imprensa brasileira.
.............................................
.......................Acabo
de ler o livro “Eu, aos pedaços”,
de Carlos Heitor Cony, que continua sendo o meu
autor preferido.
.......................Rico
em detalhes, narrativa vibrante, neste novo livro
de Cony o leitor observa o amor incondicional do
filho pelo pai, amor que cresce e caminha até
o fim de suas vidas.
.......................Nele,
Cony revela ainda sua simpatia pelo Carnaval e pelas
festas juninas, vividas com emoção
em sua infância, e sua vocação
para falar mal de qualquer assunto, apenas pelo
prazer de sustentar uma boa prosa.
.......................Ao
longo da obra, Cony narra vários fatos engraçados
e algumas confusões que vivenciou em suas
viagens pelo mundo e faz singelas homenagens a amigos
leais e a algumas personalidades que o marcaram
em seus 84 anos de existência, além
de se reportar à infância, à
família e à política.
.......................Classificando
seu livro-memória como “Uma forma de
cometer biografia”, Cony nos oferece, em pequenos
textos, narrativas nas quais descreve pessoas e
compartilha pensamentos que moldaram a sua trajetória.
São relatos de fatos reais, pincelados de
ficção e poesia.
.......................Apesar
de ter confessado achar que a biografia “é
caminho fácil para a autotraição”,
o autor já demonstrou gostar de escrevê-la.
Fez isso em 1995 com “Quase memória”,
como o próprio título diz. Agora,
ao lançar “Eu, aos pedaços”,
escrito a pedido da editora Leya, Cony afirma: “Memória
é mais livre, sem compromisso cronológico
e permite um pouco de ficção”.
.......................Neste
seu livro, Cony percorre mais de sete décadas
da própria trajetória e o divide em
blocos, escritos belamente, com clareza e simplicidade,
bem ao gosto do leitor, como, aliás, acontece
com todos os seus livros, uma feliz particularidade
de seu estilo. Os primeiros textos falam de sua
infância e de seus encantos. Os seguintes
são dedicados às inúmeras viagens
que fez pelo mundo, à família, ao
cotidiano, a personalidades, à política
e à época do Golpe Militar, quando
frequentou as prisões da ditadura, período
sobre o qual faz comoventes reflexões. Um
módulo à parte é o que fala
de sua prática do jornalismo, exercido em
50 anos de trajetória, nos quais passou por
redações dos mais importantes órgãos
da imprensa nacional, como revistas Manchete e Veja,
jornais Correio da Manhã e Gazeta de Notícias,
onde deu os primeiros passos.
.......................Relembrando
este estágio de sua vida, Cony confessa ter
saudade de tudo. “Mesmo dos momentos amargos”,
garante. E poeticamente afirma: “Tenho saudades
não de fatos em si, mas de mim mesmo”.
.......................Membro
da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor
Cony já recebeu vários prêmios
literários e se consagrou como um dos mais
importantes escritores brasileiros. Em sua vasta
obra, parece não poupar nenhum momento vivido,
nenhuma emoção, seja em seus romances,
seja em suas crônicas publicadas em vários
jornais do país, transformando seus escritos
em verdadeiras poesias em forma de prosa.
.......................“Eu,
aos pedaços” é, portanto, a
reunião de 50 anos de trabalho como jornalista,
com narrativas de viagens e coberturas importantes,
além de histórias de família
– afinal, seu pai, o também escritor
Ernesto Cony Filho foi o responsável por
sua escolha profissional. Aliás, é
sobre o pai que Cony se reporta em vários
textos de sua obra, numa prova cabal da grande admiração
que nutria por ele.
.......................Esta
nova obra de Cony é um excelente livro, que
recomendo na certeza de que seus primorosos textos
irão agradar e prender a atenção
do leitor até a última linha.
..................................
OH! PAJUÇARA
Oh!
Pajuçara na encosta rasa,
Beleza extasiante em frente ao mar.
Dourada pelo sol que arde em brasa,
Ilumina co’amor o meu olhar.
Suas ondas se esbatem a espumar
Sobre as águas vestidas de dourado.
Jóia rara, esmeralda a flamejar,
Enleando meu eu apaixonado.
Sua grandeza me encanta e me seduz,
Domina Maceió cheia de luz,
Na imensidão de uma beleza rara...
Cingindo com esplendor o horizonte,
Tardes ardentes a perolar a fonte
Do amor qu’existe em mim, oh! Pajuçara.
Maceió, 11/07/2010
....................................
.......................Ontem
me pus a relacionar as palavras mais bonitas e significativas
da língua portuguesa. Comecei por mar, música,
flor, saudade, felicidade, amor, todas com significado
profundamente humano, pois fazem parte dos nossos
sonhos, dos nossos devaneios, dos nossos delírios.
Mas cheguei à conclusão de que a mais
bonita e mais forte é, sem dúvida,
liberdade, capaz de levar o homem à luta
e à morte, tornando-o herói, escrevendo
as páginas mais bonitas da nossa história.
.......................Nascida
em Pernambuco e conhecedora de sua história,
eu sei de muitos conterrâneos que viveram
sonhos de liberdade, lutando por seus ideais, dando
a própria vida por eles, derramando pelas
ruas úmidas do Recife o seu valoroso sangue.
.......................Eu
mesma tenho um motivo muito especial para eleger
a liberdade a palavra mais importante dentre todas.
Explico: nasci na cidade de Goiana, interior de
Pernambuco, tendo a honra de ter nascido na casa
em que nasceu Joaquim Nunes Machado, um casarão
imponente situado na antiga Rua da Baixinha. Nunes
Machado, com seu espírito revolucionário,
foi o herói da revolução Praieira,
revolta de caráter liberal e federalista
que eclodiu em 7 de novembro de 1848, devido ao
veto dos senadores conservadores à indicação
do liberal Antônio Chinchorro da Gama para
uma cadeira no senado, o que provocou a revolta
de grupos políticos liberais de Pernambuco.
Além disso, os pernambucanos também
estavam insatisfeitos com a falta de autonomia política
das províncias e com a concentração
de poder nas mãos da monarquia.
.......................Nunes
Machado foi, portanto, o primeiro herói que
aprendi a enaltecer e admirar, por sua coragem e
por seu idealismo. Ele morreu gloriosamente em combate,
em defesa de seus ideais, daquilo em que acreditava,
que compreendia exatamente a liberdade.
.......................No
entanto, a liberdade, apesar de ser a mais significativa
das palavras, é preciso considerar que o
homem, ao resolver abraçar qualquer ideologia,
professar qualquer religião, exercer qualquer
profissão, deve tomar cuidado para não
ferir os direitos dos outros. Saber que uma idéia
deve ser combatida com outra idéia e não
com a força; saber que tudo, sob todos os
aspectos, tem suas limitações, inclusive
a liberdade, que não deve ser confundida
com libertinagem, o que leva o homem, muitas vezes,
aos excessos e às atitudes condenáveis.
.......................Mas,
afinal, o que é a liberdade? Na visão
do escritor, ensaísta e filósofo francês
Voltaire, a liberdade é nada mais que o “potencial
de agir”; significa a independência
do ser humano. De forma positiva, liberdade é
a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional.
Não se trata de um conceito abstrato. Tomemos
como exemplo o também filósofo francês
Jean-Paul Sartre que buscou em seus escritos atribuir
esta qualidade ao ser humano livre. Na equação
entre Liberdade e Vontade observa-se que ser livre
é a força-motriz, o instrumento para
a liberação do homem.
.......................O
homem tem o direito de fazer tudo o que quiser –
certo – desde que suas atitudes não
vão de encontro à lei, à moral
e aos bons costumes. É claro que o homem
jamais deverá ter sua liberdade cerceada
e policiada no que diz respeito ao seu direito de
ir e vir, à sua fé religiosa, à
sua ideologia política, às opções
escolhidas, mas tudo deve ser feito dentro da lei.
A censura é arma abominável dos prepotentes
que querem impingir sempre sua vontade pela força
do seu poder e seu prestígio.
............................................
.............................AGORA,
É ESPERAR POR 2014
.....................Fiquei
triste com a desclassificação da Seleção
Brasileira na Copa do Mundo. Por mim e pela desolação
de todos os brasileiros. Foi um momento de tristeza
em que nosso coração patriota quase
parou de tanta agonia. Agora, os “analistas”
de plantão se arvoram em donos da verdade
e culpam o Dunga por sua teimosia em não
escalar esse ou aquele jogador, buscando algo que
justifique a nossa derrota. Isso acontece sempre
que a Seleção Brasileira não
vence um mundial. É muito fácil ficar
de fora palpitando o que deve ou não ser
feito, criticando os que se encontram à frente
de um time, treinando-o e determinando o que ele
deve fazer. Mas vamos nos colocar no lugar de um
treinador, com a responsabilidade que tem, com toda
a carga de pressão recaindo sobre sua cabeça,
com todas as cobranças. É complicado!
Eu prefiro não apontar culpados, em campo
ou fora dele, mas aceitar a derrota com serenidade,
de cabeça erguida, e reverenciar a grande
paixão brasileira. Houve falhas de nossa
equipe? Houve. Mas agora não adianta chorar
o leite derramado.
.....................Admito
que é hora de se efetuarem mudanças
profundas, a começar pelos dirigentes. Fazer
uma reciclagem, escolhendo sangue novo e novos talentos
para compor nossa Seleção.
.....................A
Seleção Brasileira é amada
e admirada por milhões de torcedores, não
só no Brasil, como no mundo todo. Basta ver
o noticiário. Aeroportos do mundo inteiro
pararam para ver, em telões, o jogo Brasil
x Holanda, o mesmo que nos trouxe a triste surpresa:
o Brasil eliminado da Copa de 2010. E o inacreditável:
num jogo em que ele foi melhor nos primeiros 45
minutos, dominando a Holanda e vencendo o primeiro
tempo até com certa facilidade. No segundo
tempo, porém, parece que um apagão
atingiu nossos jogadores na etapa decisiva. Pois,
o que vimos foi uma equipe nervosa, desequilibrada.
Um jogo não se ganha somente com os pés,
mas também com a cabeça. Todavia,
as cabeças dos nossos atletas pareciam estar
aéreas. E foi justamente esse desequilíbrio
emocional que mandou nossa Seleção
para casa mais cedo, enquanto a Holanda continuou
jogando segura, não se desestabilizando nem
quando o Robinho deu um gol ainda nos 9 minutos
do primeiro tempo, gol que alimentou nossas esperanças.
.....................Desde
o início do jogo dava para ver que a Holanda
atacava bem, embora “pipocando” com
certa frequência. Era o Brasil encostar e
os holandeses “pipocavam”, isto é,
atingiam nossos atletas e caíam como se tivessem
sofrido falta violenta. A tática de irritar
os jogadores brasileiros começou a dar certo,
e foi aí que a Holanda partiu para cima.
O que aconteceu dali para frente foi um verdadeiro
apagão, o desespero que nos tirou da Copa.
.....................Como
já disse acima, não pretendo apontar
culpados. A derrota para a Holanda doeu, claro que
doeu. Doeu mais porque nós víamos
que os jogadores sofriam tanto quanto nós.
A derrota em Port Elizabeth aconteceu porque o adversário
era muito bom e soube aproveitar as falhas da nossa
defesa.
.....................A
Argentina também caiu. E de forma muito pior:
batida pela Alemanha por 4x0, uma verdadeira goleada.
Mas passado o primeiro impacto da derrota, ela certamente
voltará ao Mundial de 2014 com a cabeça
erguida e a mesma garra que a caracteriza.
Então, Brasil, bola pra frente. Agora, é
pensar em 2014, quando será o Brasil quem
sediará a Copa do Mundo, o que torna muito
maior a responsabilidade da Seleção
canarinho.
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