Ary Buarque - Entretenimento - Instrutor de Arte e Cultura Geral

Atendimento Online

Arlene Miranda
Jornalista e escritora
Membro da Academia Maceioense de Letras
arlenemiranda2008@gmail.com





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RIO, BOSSA NOVA

................Em 25 de janeiro deste ano foi comemorado o dia da Bossa Nova, data em que, se vivo fosse, Tom Jobim estaria fazendo 85 anos. E, na data, para celebrar esse movimento musical, o escritor Ruy Castro lançou o livro “Rio, Bossa Nova”, no qual são mostrados locais históricos da Bossa Nova, curiosidades, relatos e histórias.
................A Bossa Nova foi, sem dúvida, um dos movimentos mais importantes da música popular brasileira, conhecido, traduzido e cantado em vários idiomas e apreciado no mundo todo. Dele, participaram, além de Tom Jobim, o genial Vinícius de Morais, João Gilberto, Nara Leão, Luis Bonfá, Baden Powell e outros.
................A expressão “Bossa Nova” surgiu em oposição a tudo o que os jovens, na época, achavam superado, velho, arcaico. Não obstante os grandes cantores da época, como Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Carlos Galhardo, que interpretavam valsas e serestas, os jovens achavam que algo teria de ser feito.
................Na opinião dos reformadores, a mudança não seria melhor, nem pior. Seria apenas diferente, mais intimista, mais refinada, mais alegre.
................O grande marco inicial da Bossa Nova aconteceu em 1º de março de 1958, quando João Gilberto cantou “Chega de Saudade”, com a batida de violão diferente. Em 1956, dois anos antes, não se falava em Bossa Nova, mas o apartamento de Nara Leão, no Edifício Champs-Elysée, na Avenida Atlântida, em Copacabana, já era ponto de encontro dos rapazes bronzeados de Copacabana: Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli... Ali, não se compunha música, ouvia-se, apenas. E trocavam-se ideias. João Gilberto só chegou ao Rio em 1957 e, certa noite, foi ao apartamento de Roberto Menescal e ali aconteceu o grande encontro: de ritmo, de música e de poesia. O baiano João Gilberto pediu um violão e, recolhido num dos quartos, cantou “Hô-ba-la-la”, de sua autoria. Fascinado, Menescal resolveu mostrar “sua descoberta” aos amigos. O mestre João Gilberto abriu os ouvidos de Menescal para uma música até então desconhecida. Assim, nasceu a Bossa Nova.
................Este movimento musical foi responsável pela fusão de ritmos brasileiros, com algum sotaque de música de jazz norte-americano. Apesar dessa fusão musical, a Bossa Nova deu nova expressão, sobretudo à grande riqueza da musicalidade brasileira, com suas canções versando sobre temas amorosos, sociais, todos voltados à maneira brasileira de viver. Um dos seus principais tutores foi o compositor Antônio Carlos Jobim. Este movimento levou a música brasileira à popularidade mundial com a canção “Garota de Ipanema”, composta por Tom e Vinícius de Morais, que foi considerada “a canção mais conhecida do mundo”.
................Outras características do movimento eram, sem dúvida, as suas letras que, contrastando com os sucessos anteriores, abordavam temáticas leves e descompromissadas. Exemplo disso é a canção “Meditação”, do próprio Tom e Newton Mendonça. A forma de cantar também diferenciava das que se tinha na época.
................Este é o fascinante tema do livro “Rio Bossa Nova”, de Ruy Castro, um cuidadoso documentário desse movimento musical que encantou o mundo.



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JUVENTUDE INCONSEQUENTE

................O que está acontecendo com a juventude atual? Rebeldia, intolerância, insensatez? Eu resumiria o comportamento de grande parte dos jovens de hoje em pura falta de educação, sobretudo doméstica. É evidente que a evolução dos tempos motivou as mudanças gritantes no censurável comportamento de juventude atual, mas acredito que muita coisa poderia ser corrigida. Observando a maneira de se comportar de certas moças e rapazes com os quais nos deparamos no dia-a-dia, ficamos estarrecidos com certas atitudes por eles praticadas.
................Nada mais degradante do que ver, pela TV, jovens frequentadores dos bailes funks exibindo-se com atitudes promíscuas, onde o sexo se expõe e a droga rola solta, com música em alto volume, num desrespeito às pessoas que residem nas imediações, uma exaltação à liberdade desvairada que leva os jovens à degradação moral, sem limites, desafiando a polícia e a sociedade como um todo. São jovens, e acham que por isso podem tudo. Consideram-se os donos do mundo. E eu fico a me perguntar: como jovens que deveriam ser a vanguarda do pensamento no país cometem atitudes semelhantes? Isso, sem falar em coisas mais graves, como o desrespeito aos mais velhos, que eles consideram ultrapassados e o deboche aos humildes, com atitudes preconceituosas, quando não, cruéis, como foi o caso dos sete jovens de Brasília que atearam fogo em dois mendigos, matando um deles e deixando o outro em estado grave, com 20% do corpo queimado.
................Acredito que uma educação falha desde a infância, pobre em valores morais e éticos, é responsável pela má conduta da maioria dos jovens de hoje. Cabe aos pais educar seus filhos, oferecendo-lhes a oportunidade de realizar os sonhos que têm e orienta-los para um pensamento reflexivo sobre a vida.
................A sociedade ordeira sente-se moralmente agredida diante de atitudes que ferem o bom senso e os seus valores. Todos os pais deveriam impingir aos filhos o senso de responsabilidade, para que ajam como pessoas dignas. Nós, os mais velhos, já fomos jovens como eles, talvez igualmente rebeldes, ávidos por afirmação, porém não estávamos “plugados” no nosso tempo, onde tudo era diferente.
................É certo que as experiências acumuladas nos modificam, porém nos enriquecem em conhecimento e compreensão para com os fatos da vida, embora às vezes, ante o mistério do mundo, nos sejam retiradas partes essenciais do encantamento de ser jovem. Ser jovem é estar encantado com a vida, com o amor, com as descobertas, com o futuro. É a fase dos sonhos. Isso, porém, não lhe dá o direito de afrontar a sociedade.
................Por mais que se pense que os sonhos não vão acabar, a vida nos torna pragmáticos, pois cada vez mais a realidade se impõe. Desejamos o mundo ao nosso gosto, mas devemos estar preparados para aceitar o mundo em que vivemos.
................Devemos dar aos jovens o direito de serem jovens, mas não o de transgredir e procurar abrir novas fronteiras para o exagero comportamental. Do contrário, onde estarão seus sonhos e seu idealismo?
................É preciso que pais e educadores abram os olhos para este grave problema, ou futuramente iremos construir uma juventude maldita.



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ETERNAMENTE ELIS


................É impressionante como Elis Regina continua viva na memória do público brasileiro, mesmo tendo morrido há 30 anos, em 19 de janeiro de 1982. Ainda hoje, todos os anos, no Dia de Finados, centenas de fás visitam o seu túmulo no cemitério do Morumbi, em São Paulo, para homenageá-la. Ali, choram, cantam, depõem flores e reverenciam a sua memória de diversas maneiras.
................Como explicar o endeusamento à Elis Regina e a maneira como sua memória é reverenciada, numa época em que a arte descartável impera? Acredito que é pela sinceridade que ela sempre colocou em sua arte.
................Gaúcha de Porto Alegre, seu sangue dos pampas a fazia um ser bastante temperamental. Lembro-me de um dos seus shows, a que assisti no Teatro da Praia, no Rio de Janeiro. Casa lotada e enorme expectativa do público devido à demora do início do show. Eu havia ido acompanhada de um amigo radialista da Rádio Roquete Pinto, o que me permitiu ir ao camarim da cantora. Logo na entrada do camarim, compreendemos o motivo do atraso. Ali encontramos uma Elis transtornada, possessa, colérica em virtude de um problema havido com a direção do espetáculo. Alguma coisa que desagradara a artista. Temperamental como era, Elis encontrava-se extremamente alterada, a ponto de xingar todo mundo, da produção ao funcionário mais humilde. Ameaçava, inclusive, lançar um objeto contra o espelho do camarim. “Estaria drogada?” Era o que todos se perguntavam.
................Apesar do temperamento forte, passada a crise, Elis foi ao palco, desculpou-se e fez uma das melhores apresentações de todas que já fizera em sua carreira, mostrando-se, inclusive, frágil, dócil e sensível.
................Acusada pela crítica de só ter técnica, muitas vezes não conseguiu se segurar e chegou a chorar em cena, como aconteceu em 1980, no especial “Elis Regina Carvalho da Costa”, dirigido por Daniel Filho para a TV Globo, quando interpretava “Atrás da Porta”, de Francis Hime e Chico Buarque.
................Foi no famoso bar “Beco das Garrafas”, reduto da Bossa Nova de Copacabana, que ela travou conhecimento com o compositor Edu Logo, que lhe pediu para defender “Arrastão”, música que fizera em parceria com Vinicius de Moraes, para apresentação no Festival da Excelsior.
................Daí pra frente, a carreira de Elis decolou. Ao vencer o festival da Excelsior, iria se apresentar com Baden Powell, mas, como este não pôde comparecer, foi convidado o cantor Jair Rodrigues para substituí-lo. Elis e Jair gravaram o LP “Dois na Bossa”. Fizeram tanto sucesso que foram contratados pela Record para apresentar “O Fino da Bossa”.
................Lembro-me de Elis no “Beco”, onde fora convidada para cantar pelo baterista Dom Um Romão, que ela conhecera no programa “Noite de Gala”, da TV Rio. A partir daí, ela tornou-se a cantora mais aplaudida do Brasil, até sua morte prematura em 1982.
................Em 19 de janeiro deste ano, pelos 30 anos de sua morte, um seleto grupo de artistas alagoanos apresentou, no Teatro Gustavo Leite, o espetáculo “Saudades de Elis”. Um tributo mais do que merecid


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................Começa mais um ano e, com ele, nascem esperanças renovadas de felicidade, com a realização de novos projetos. Vamos, portanto, nos preparar para os doze próximos meses, nos aprimorando para atrair bons fluídos para o novo ano.
................Mesmo que não tenhamos coneguido concretizar todos os projetos que fizemos ao longo do ano que findou, não devemos desanimar, e sim arquitetar novos projetos para o ano que se inicia. Com a chegada de um ano novinho em folha, devemos renovar nossas esperanças e planejar novas realizações. O importante é não desanimar. Assim, a concretização dos nossos sonhos será apenas uma consequência. O importante é acreditar!
................O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho dos nossos feitos, por menos significativos que sejam. O grande lance é a certeza de ter vivido cada momento como se tudo se concentrasse no hoje, no agora.
................É lógico que a vida, ou o destino, como preferirem, nos prega muitas peças; é claro que, por vezes, o pneu fura, a chuva cai copiosamente e atrapalha os nossos planos, o bolo sola, o leite azeda, mas o importante é saber encarar tudo com paciência e boa vontade. E sorrir, pois não há nada melhor do que sorrir. Tem sentido ficarmos chateados por causa de um contratempo do cotidiano? Nosso coração, esse músculo imprevisível, não se sente nada bem com nossos emburramentos. Portanto, vamos aceitar com mais tolerância os nossos tropeços e procurar dar a volta por cima.
................Um dos nossos grandes defeitos é esperar demais das pessoas, delas exigir perfeição, quando nós mesmos somos tão imperfeitos. Pensando assim, viveremos muito melhor, aceitando até, sem sair do sério, que a grana não venha, que os amigos nos decepcionem, sem guardar deles mágoas nem ressentimentos.
................Dizem que “falar é fácil”. Sim, é verdade, falar é fácil, mas se procurarmos abrandar o nosso coração, buscando compreender e perdoar, eu tenho certeza de que seremos muito mais felizes. A gente também, provavelmente, já magoou e decepcionou muita gente, pois ninguém é perfeito.
................O nosso desejo não se realizou? Beleza, provavelmente não estava na hora de acontecer; talvez ele não devesse ser a melhor coisa para aquele momento. Há uma frase que diz: “Cuidado com seus desejos, pois eles poderão se tornar realidade”.
................Lamentar a solidão, chorar de dor, de tristeza, faz parte do ser humano. São coisas contra as quais não podemos lutar. Mas se procurarmos olhar o mundo com generosidade, veremos que tudo se torna muito mais fácil.
................Neste início de ano novo, com o coração renovado de esperança, desejo para todos os meus leitores esse olhar especial. Que as luzes do Ano Novo ilumine os corações de todos e os encha de amor e de fraternidade. 2012 poderá ser um ano especial se o olharmos de forma diferente, admitindo nossas fragilidades e egoísmos. O importante mesmo é ser feliz!


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O RETRATO

Olhar parado na velha moldura,
Lembrança de quem foi um grande amante.
Conserva, ainda, a mesma candura
E o brilho na pupila rutilante.


Os doces sonhos que deixou pra trás
Ardem na brasa de extremos fulgores,
Mesmo que dele já não restem mais
Lembranças vivas de velhos amores.


Igual a mim, que morro lentamente,
Qual anciã que vem perdendo o viço,
Em silêncio se impõe ali na sala...


Qual assassino que matou o tempo,
Jamais há de matar minhas lembranças,
Nem o ardor das minhas esperanças.



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OH! PAJUÇARA

Oh! Pajuçara na encosta rasa,
Beleza extasiante em frente ao mar.
Dourada pelo sol que arde em brasa,
Ilumina com’amor o meu olhar.

Suas ondas se esbatem a espumar
Sobre as águas vestidas de dourado.
Jóia rara, esmeralda a flamejar,
Enleando meu eu apaixonado.

Sua grandeza me encanta e me seduz,
Domina Maceió cheia de luz,
Na imensidão de uma beleza rara...

Cingindo com esplendor o horizonte,
Tardes ardentes a perolar a fonte
Do amor qu’existe em mim, oh! Pajuçara.

Maceió, 11/07/2010


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DEPENDE DE NÒS

................Vivemos um momento, de certa forma, crítico, em que temos que escolher o nosso futuro, o qual nos reserva, ao mesmo tempo, perigo e esperança. Por isso, para prosseguirmos em nossa caminhada, faz-se necessário sabermos reconhecer que, em meio a diversidades culturais e forma de vida, fazemos parte da humanidade, somos uma família em busca do seu destino. E nos conscientizarmos de que devemos nos unir para gerar uma sociedade sustentável global, calcada no respeito à natureza, à justiça, aos direitos dos outros, promovendo assim a paz e o bem-estar comum.
................Para alcançarmos este propósito, é imprescindível que nós, seres conscientes, primemos por responsabilidade um para com os outros, com a grande comunidade à qual pertencemos, sobretudo com as futuras gerações. Nesse ponto, fica a grande interrogação: como esperar o melhor das gerações futuras se não sabemos prepará-las hoje para que se tornem cidadãos corretos, honestos, educados, e dignos, amanhã? Infelizmente, o que temos testemunhado atualmente são pais e educadores perdendo terreno para as crianças e adolescentes, que os enfrentam, desrespeitam, ameaçam e, muitas vezes, chegam a desmoralizá-los e até a matá-los. Desgraçadamente, é isso o que temos presenciado na sociedade atual.
................Tudo deriva da má educação que os pais dão aos filhos. Pais que não sabem se fazer respeitar e que, não satisfeitos, apoiam os filhos em tudo de errado que eles fazem, tornando-os parcela de uma humanidade que não desejamos.
................Não devemos ignorar que fazemos parte dessa humanidade que ajudamos a construir, desse vasto universo em evolução, cuja elevação depende de nós; que a terra é o nosso lar e que essa mesma Terra em que vivemos nos proporciona as condições essenciais para o nosso bem-estar e a nossa felicidade. Portanto, a capacidade de recuperação das comunidades da Terra depende unicamente da preservação, tanto da alma humana, como de uma biosfera saudável, a fim de se manter o seu sistema ecológico sadio, com uma rica variedade de plantas e animais, com solos férteis, água limpa e ar puro.
................Em vista disso, eu clamo: vamos salvar a Terra! A proteção, preservação, diversidade e encanto da Terra é um dever sagrado que temos a obrigação de praticar. Afinal, é a Terra em que vivemos, e da nossa responsabilidade, da nossa consciência, da educação de nosso povo depende o nosso bem-estar, nossa saúde e felicidade. Devemos nos conscientizar de que a produção e o consumo praticados de forma egoísta e irresponsável estão causando a devastação ambiental, esgotando nossos recursos hídricos e uma quase massiva extinção das espécies, arruinando comunidade, promovendo a injustiça social, a pobreza, os conflitos. Tudo devido à ambição e à inconsciência de alguns grupos que se locupletam com a extração ilegal de nossas madeiras, devastando nossas florestas, reduzindo, assim, o oxigênio do pulmão do mundo.

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OLHANDO O MAR

Olhando o mar, sinto crescer em mim
U’a enorme vontade de chorar.
Saudade que parece não ter fim,
Perdida em meu olhar a vaguear.


É verdade, bem sei, que pra viver
É necessário amar para sofrer,
E alimentar os sonhos benfazejos
Alicerce de amor e de desejos.


Porém, olhando o mar, enternecida,
Relembro o grande amor de minha vida,
O que me fez feliz sem o saber...


Ouvindo o mar quebrando de mansinho,
É como se voltasse o seu carinho,
Folhas da primavera a me aquecer.

Maceió, 18/01/2007


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O TREM DA VIDA

................No trem da vida, somos todos passageiros, acomodados no comboio que nos mostra, através da janela, uma visão idílica que se descortina durante a viagem. Admirando-a, seguimos pensando na estação final, a qual nós aguardamos com certa curiosidade, dúvidas e ansiedade, pois não sabemos, na verdade, o que iremos encontrar nessa estação: se banda de música e bandeirolas a acenarem ou, apenas, o cheiro acre da fumaça lançada pelas caldeiras do trem.
................Durante o trajeto do trem de nossa vida, sonhamos com as realizações dos nossos sonhos, acalentados sobre os trilhos que deslizam céleres, em busca da estação derradeira.
................Nessa viagem, os sonhos são diversos: há passageiros que almejam o diploma da Universidade, a realização profissional, promoção, status, prestígio, riqueza; outros, menos ambiciosos e com os pés firmes no chão, mais realistas, conscientes da realidade de sua existência, almejam, apenas, a felicidade, a qual consiste na construção de uma família, na condição de criar bem seus filhos, de poder educá-los, de vê-los crescer como seres do bem, pessoas de luz, com saúde e paz. Terem ao seu lado, alguém que os ame verdadeiramente. Não almejam riqueza, nem prestígio, apenas uma vida digna e tranquila. Creio que esses passageiros viajam com muito mais alegria e são muito mais felizes do que os que esperam encontrar, em cada parada, o apogeu e a opulência.
................Para os primeiros, a viagem é sempre uma festa, na qual são todos convidados. E procuram avaliar quanto vale o percurso de cada um. As várias paradas lhes mostram estações as mais diversas; algumas iluminadas, bem cuidadas, tudo arrumado nos seus devidos lugares; outras surgem mal cuidadas, cheirando mal, tristes e apagadas como uma noite sem luar. Mesmo assim, otimistas e esperançosos, esses passageiros seguem sua viagem, na esperança de que a próxima estação seja melhor e definitiva: aquela que acolherá em sua plataforma os seus sonhos mais diversos e realizações ansiadas. E é com esta esperança que seguem em frente, ouvindo o apito do trem que os conduz ao surpreendente, ao inesperado.
................Mais tarde, porém, eles percebem que não há estação, nem lugar a chegar. E que, afinal, a verdadeira alegria da vida é a viagem; a estação é apenas um sonho, uma utopia. Por isso, o mais certo é parar de contar os quilômetros e apreciar a viagem, procurando curtir a paisagem o máximo possível, inebriando-se com o perfume das flores, encantando-se com o canto das aves, com o sorriso das crianças, extasiando-se com o frescor do vento que toca o seu rosto, com o deslumbrante pôr do sol, ouvindo o farfalhar das palhas dos coqueiros. E, sobretudo, amar com intensidade. Enfim, procurar apenas ser feliz.

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JORGE AMADO, O ESCRITOR DA LIBERDADE

................Rendo, hoje, um tributo a Jorge Amado, que morreu há, exatamente, 10 anos.
................Considerado um dos mais famosos escritores brasileiros de todos os tempos, Jorge Amado foi talvez um dos autores mais traduzidos e adaptados para a televisão e o cinema brasileiros. “Tieta do Agreste”, “Gabriela, Cravo e Canela”, “Dona Flor e seus dois maridos” foram as suas obras que alcançaram maior sucesso junto ao público. Sua importância foi tão grande que lhe valeu o “Prêmio Camões”, considerado o Nobel da língua portuguesa.
................Seus livros foram traduzidos em 49 idiomas, sendo superados, apenas, pelos de Paulo Coelho.
................A obra de Jorge Amado reflete a realidade dos temas, das paisagens, dos dramas humanos, da seca, da migração e segue o estilo literário do romantismo moderno. Nela, observa-se do físico sobre a consciência, característica que a torna tão interessante. Seus personagens são, em geral, artesãos, plantadores de cacau, pescadores, gente da beira do cais de Salvador, poeticamente descritas em seus romances, como se pode admirar em “Mar Morto”, uma das mais belas e inspiradas histórias de amor, vividas por Lívia e Guma, descrita com uma ternura e beleza enternecedoras.
................Escritor desde a adolescência, seus livros possuem um estilo agradável e de fácil compreensão, numa linguagem que flui leve, com uma sonoridade que encanta, sem pedantismo, nem rebuscamentos. Certamente, por isso, conquistaram os leitores do Brasil e de fora do país. Prova disso são suas inúmeras traduções: inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, etc.
................Além de romancista, Jorge Amado era também jornalista e memorialista, cuja obra é considerada uma das mais importantes da literatura brasileira, o que lhe valeu o ingresso, em 1961, na Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº 23, sucedendo o escritor Otávio Mangabeira.
................Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, jamais exerceu a advocacia.
................Ainda jovem, encantou-se com a política e, em 1945, foi eleito deputado federal por São Paulo, tendo participado da Assembleia Constituinte de 1946, pelo Partido Comunista Brasileiro.
................Seu casamento com a escritora Zélia Gattai, com quem teve dois filhos: João Jorge e Paloma, foi uma das mais lindas histórias de amor, um amor que venceu todas as adversidades e só terminou com a morte os dois.
................Excepcionalmente, Jorge foi um dos poucos escritores brasileiros a viverem exclusivamente dos direitos autorais de seus livros, o que prova o valor e reconhecimento de sua obra, o que lhe valeu inúmeros prêmios, nacionais e internacionais.
................Jorge Amado era adepto da umbanda, chegando a ser Obá do Axé do Opó Afonjá, na Bahia. Morreu em Salvador, aos 89 anos, no dia 6 de agosto de 2001, tendo sido cremado e suas cinzas espalhadas no tronco de uma frondosa árvore que embeleza o jardim de sua casa no Rio Vermelho, em Salvador.

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..............................SAUDADE DE GONZAGÂO

................Na última segunda-feira, 2, o Brasil relembrou, com saudade, o inesquecível Luiz Gonzaga, no transcurso dos 22 anos de sua morte.
................O fato me fez recordar o dia em que entrevistei o “Rei do Baião”, em setembro de 1964, nos estúdios da Rádio Gazeta. Essa foi uma das melhores entrevistas que fiz em toda minha carreira de repórter. Nunca esqueci a emoção que senti quando Gonzaga me abriu um largo e cativante sorriso e me conduziu pelo braço a um canto do estúdio, num gesto de carinho e gentileza.
................Vestido num gibão de couro, Gonzaga era o tipo do autêntico sertanejo, simples, bonachão, pele tostada pelo sol do Nordeste.

................Cantor matuto por excelência, dono de uma voz possante, empolgava as plateias que lotavam os auditórios das rádios em que se apresentava com sua inseparável sanfona, exaltando as belezas da terra natal. O chapéu de couro e as sandálias sertanejas completavam a sua indumentária de homem dos rincões nordestinos.
................Suas músicas (xotes, xaxados, baiões), quase todas de sua autoria, em parceria com Humberto Teixeira e Zé Dantas, falavam das dores do amor, de alegria, de saudade e da pureza do povo do sertão, do homem rude, do “cabra da peste” valente que, para defender sua Rosinha, era capaz de tudo.
................A entrevista foi ótima, recheada de humor e muitos risos. Com o característico sotaque nordestino, que jamais perdeu, mesmo morando no Rio de Janeiro há muitos anos, Luiz Gonzaga falou de sua vida pessoal com sua Helena, companheira e musa de tantos anos, do filho Gonzaguinha, cantor e compositor consagrado, do qual se dizia fã ardoroso. Foram tantos os assuntos abordados, inclusive a escola que mantinha em Exu, sua terra natal, para mais de cem crianças carentes. Além da escolinha, fundou um museu em Caruaru, que expunha artigos de couro, como chapéus de vaqueiro, sandálias sertanejas, gibões, bonecos de barro como os do Mestre Vitalino e outros artigos típicos da região, que podiam ser adquiridos pelos turistas que visitavam a cidade.
................Na entrevista, Gonzaga contou ainda um fato interessante: o roubo de sua sanfona. Ao fazer um show na Rádio Mayrink Veiga, no Rio, passou o maior susto quando, ao ir apanhar a velha sanfona, que ficara no carro, a mesma havia sido roubada. Retornou desolado à rádio. Ronaldo Neves, apresentador do programa, no qual Gonzaga se apresentaria, ao saber do ocorrido, foi até o palco, juntamente com o cantor, e, dirigindo-se ao público, disse: “Roubaram a sanfona do Gonzaga. Vamos dar outra sanfona pra ele?” E, provando ser o povo mais generoso do mundo, os cariocas presentes ao show não decepcionaram e logo “choveu” dinheiro no palco da Mayrink Veiga, dinheiro com o qual Gonzaga comprou sua famosa sanfona branca, que o acompanhou até o fim da vida, na qual mandou gravar, em letras de metal, a inscrição “A sanfona do povo”, numa prova de gratidão àqueles que o ajudaram a comprar sua sanfona nova.

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..................... NUNES: A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS

.................Todos os dias, os leitores da Gazeta de Alagoas se deliciavam com suas charges impagáveis e, aos domingos, com a coluna “A Vida sem Retoque”, na qual, com muito humor, retratava a gente simples do povo, os frequentadores da antiga “Feira do Passarinho”, dos botecos das esquinas, das bibocas de Maceió.
.................Inteligente, engraçado, espirituoso, assim era o meu grande e saudoso amigo Nunes Lima, uma das pessoas mais encantadoras que conheci. Com ele, compartilhei o dia a dia da redação da Gazeta de Alagoas durante muitos anos, época em que nossa amizade se solidificou. Nesse convívio diário, Nunes se tornou mais do que um simples colega de jornal, tornou-se um grande amigo. Seu jeito comedido e carismático exalava nobreza, bondade, dignidade. Em 1975, ao prefaciar o seu livro “Histórias de toda a Gente”, tive a agradável sensação de perambular com alguns de seus personagens pelas esquinas da vida, de braços com Dorinha, ao lado do Valença, do Zé da Conceição, do Pedro da Quitéria. Busquei então penetrar no âmago e na essência da alma do amigo querido e descobrir a sua grandeza.
.................Nunes foi também um grande boêmio. Juntamente com os companheiros de jornal: Zadir Cassela, Zito Cabral, Teófilo Lins, Mario O. Gomes, Bráulio Leite Jr., Valmir Calheiros e esta redatora, ele varava as madrugadas quentes de Maceió a fim de reverenciar a lua ao som do violão divino e da voz dolente de Marcus Vinícius, ouvindo o murmúrio do mar de Riacho Doce, canções que embalavam nossa amizade e penetravam fundo em nossos corações.
.................Aqui, o meu tributo ao grande “Pessoa”, cuja figura será eterna em minha saudade.

COMENTANDO

* Os trabalhos de reforma da sede da Academia Maceioense de Letras, situada na Cambona, em Bebedouro, encontram-se em fase de acabamento. A inauguração ainda não foi marcada.

* O confrade José Alberto Costa trabalha a todo vapor na confecção do seu próximo livro, que terá como título “Verso& Reverso.com”, cujo lançamento ainda não tem data marcada.
* Parabéns ao querido amigo, jornalista Mozart Cintra, pelo seu aniversário, comemorado, com um almoço, no dia 23/07, em seu bonito apartamento na Ponta Verde, uma agradável reunião de amigos, juntamente com a simpática esposa Vera.

PAULO JACINTO

Manoel Nunes Lima

Paulo Jacinto! Fazendas, estradas,
Ruas compridas e tortuosas,
Noites calmas, enluaradas,
Morenas acanhadas e dengosas.

Paulo Jacinto! Carros de boi passando
gemendo, gemendo constantemente.
Rio correndo, gado pastando,
Mulheres lavando roupa ao sol quente.

Paulo Jacinto! Boêmios apaixonados
fazendo seresta a noite inteira...
Paulo Jacinto! Casais de namorados
Passeando na festa da padroeira!

Paulo Jacinto! Cigarra cantando
em tardes quentes de verão...
Gente forte e alegre trabalhando
Na colheita do algodão.

Paulo Jacinto! O meu lar paterno
Uma casa azul com portão ao lado...
O rio enchendo em tarde de inverno,
A voz do meu padrinho tangendo o gado.

Poema escrito por Nunes Lima, em 1951; uma homenagem
à terra que o adotou, onde ele viveu boa parte de sua mocidade.


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...................TRILOGIA ALAGOANAA PRAZEROSA ARTE DE ESCREVER

.................Uma das sensações mais prazerosas que experimentamos é a de escrever, principalmente crônica. Através dela, temos uma visão do mundo de quem escreve o texto.
.................Ao escrever uma crônica, o autor demonstra a sua forma de ver o mundo ao seu redor. Além de observar mais atentamente as situações que fazem parte do dia a dia, estará exercitando sua redação ao tentar construir textos claros e, o mesmo tempo, objetivos.
.................Todas as vezes que pegamos caneta e papel ou digitamos algo no computador, sentimos o quanto é prazeroso escrever, seja em prosa ou em verso. O importante é expor nossas ideias, desenvolvê-las, escrevê-las com cuidado e esmero. Na verdade, escrever é uma necessidade indescritível que nos impulsiona a manifestar os nossos sentimentos, advindos do cérebro, da alma e do coração. A maravilhosa arte de escrever requer, antes de tudo, sensibilidade, permitindo que as ideias se formem, pouco a pouco, revelando o momento que vivemos e a dimensão dos nossos sentimentos.
.................A segurança, a firmeza e a solidez do nosso pensamento é o que determina a beleza de nossa exposição. Cada cronista, escritor ou poeta tem o seu estilo próprio, isso é fato, mas todos têm a obrigação de zelar pelo emprego da gramática e pela informação passada ao leitor. É imperdoável um cronista publicar a foto de alguém e trocar o nome da pessoa citada. O jornalista, seja editorialista, repórter ou cronista, tem obrigação de cuidar bem do que escreve. Faço esta ressalva porque isso aconteceu recentemente comigo, quando conhecida cronista social de um dos nossos jornais, ao homenagear o saudoso chargista Nunes Lima, publicou uma foto de um pequeno grupo de conhecidos jornalistas, ex-colegas de Nunes, e, ao citar o nome da cada um, simplesmente trocou o meu, afirmando tratar-se de certa Aline Paiva, nome totalmente desconhecido e que jamais circulou na imprensa alagoana, o que causou espanto nos demais colegas. E, como se não bastasse, a cronista, tencional ou intencionalmente, não publicou nada em sua coluna a fim de consertar o lapso, numa falta de coleguismo e ética profissional.
.................Voltando ao tema, com relação à sensibilidade e à segurança das ideias, é difícil afirmar qual das duas é mais importante e a que mais toca o leitor. Na verdade, os autores tentam traduzir os sentimentos do ser humano e da natureza, verdadeiras mensagens de paz, de beleza e de liberdade; são verdadeiros arautos do amor.
.................De uma coisa tenho certeza: é bom escrever, é bom ser lido, e bom ser comentado. É muito gratificante sentir a sensação de ter dito o que outras pessoas gostariam de dizer, comungar ideias e, às vezes, até lavar a alma.
.................Ao escrever esta crônica, lamento o espaço de tempo em que fiquei ausente do contato com meu público, devido a problema de doença. Mas, graças a Deus, já estou bem e espero continuar a transmitir aos meus leitores meus sentimentos de paixão pelo belo, pela natureza e pelas pessoas.

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...............................TRILOGIA ALAGOANA

O confrade Emanoel Fay Mata da Fonseca lançou recentemente o livro “Trilogia alagoana – outros poemas”, no qual juntou alguns de seus melhores poemas, destacando-se “Maceió”, “O Audaz Peregrino da Esperança”, “Dois de Fevereiro” e “Pham Thi Le é Ana Viva Mariana!”. Neste livro, Fay teve a feliz ideia de juntar poemas redirecionados à sensibilidade do leitor: “Maceió”, uma renovação da estrutura do verso livre, respeitando as tradições sem submeter-se às normas da poesia moderna contemporânea. Em “O Audaz Peregrino da Esperança”, o poeta trabalhou a forma de melhor adaptar seu pensamente à sua emoção, imputando-lhe uma linguagem veloz e funcional. O antológico “Dois de Fevereiro”, primorosa joia regional, exalta a beleza santa da Festa de Nossa Senhora da Piedade, com conotação teatral contida nos diálogos que expressam o falar matuto da gente do interior, rompendo com os esquemas formais, enriquecidos ainda mais quando declamados pelo seu autor. Enfim “Pham Thi Le é Ana viva Mariana!”, onde o poeta condensa várias linguagens e expressões poéticas com as subjetividades suspirosas do romantismo moderno.
Em todas as suas criações, Emanoel Fay nos oferece uma poesia vigorosa que ultrapassa os limites da mesmice da poesia convencional, produzindo um efeito que duplica a sua força dentro da concepção da excelente poesia contemporânea.

ANIVERSÁRIO - No último dia 21, tivemos a alegria de abraçar nosso amigo e confrade José Alberto Costa, o poeta de cordel JAC, membro efetivo da AML, do Movimento da Palavra e da Associação Alagoana de Imprensa. Ao Zé, nossos melhores votos de felicidades. São de sua autoria esses versos:

“Eu tinha um grande desejo
que já virou frustração,
queria poder doar
os rins, os ossos, o pulmão
para salvar outra vida
dava até o coração.”

BIENAL – Será realizada de 21 a 30 de outubro, no Centro de Convenções de Maceió, a V Bienal do Livro de Alagoas, uma realização da UFAL através da EDUFAL, com o apoio da Associação Brasileira dos Escritores Universitários e dos governos Estadual e Municipal de Alagoas. Este ano, haverá um stand de todas as Academias de Letras, do qual fará parte a AML, que terá um dia a ela dedicado. O poeta Jucá Santos, na ocasião, fará lançamento de seu livro “O Breviário de Nice”, onde se incluem 100 memoráveis sonetos de sua autoria, e a redatora desta página lançará também o romance “Um Novo Amanhecer”, que já se encontra no prelo da Editora Graciliano Ramos.

SONETO – Transcrevemos abaixo um belíssimo soneto do confrade Jucá Santos:

PARA EFEITAR A NOITE DE MEU BEM

(Inspirado em Dolores Duran)

Eu quero um céu, de estrelas, salpicado,
Quero a beleza imensa do luar,
Com sua luz batendo no telhado
Do nosso humilde e pequenino lar...

Quero um jardim, de flores, enfeitado,
Cujo perfume faça-me sonhar...
Quero esquecer meu mundo de pecado,
Inundando de amor o seu olhar...

Eu quero os pirilampos vagabundos,
Espargindo de luz os nossos mundos
E quero o som de violino além...

Eu quero uma alegria diferente,
Dessas que fazem transmudar a gente:
“Para enfeitar a noite do meu bem!”



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.................NELSON CAVAQUINHO, O ÚLTIMO JOGRAL
...............................A voz rascante, raspada pelas biritas dos botecos nas madrugadas boêmias do Rio, fluía acompanhada do inseparável violão, cujas cordas eram beliscadas por dois dedos, técnica criada pelo insuperável compositor Nelson Cavaquinho, o profeta dos desenganos, arauto das desilusões, menestrel da angústia, como era considerado.
...............................Sabe-se que Nelson tinha pavor à morte, o que externou em muitos dos seus sambas: “Sei que amanhã/ Quando eu morrer/ Os meus amigos vão dizer/ Que eu tinha um bom coração...” Sambas dolentes que ele debruçava nos balcões molhados dos botecos da Praça Tiradentes, seu quartel-general. Ali, encontrava parceiros e inspiração para compor suas maravilhosas criações.
...............................Para o compositor, a essência da felicidade consistia em violão, samba, mulher, botequim. Era esta a maneira que encontrava de ser feliz, cantando a infelicidade e exaltando a tristeza.
...............................Carioca de São Cristovão, o bairro imperial de rica musicalidade, onde também nasceu o “caboclinho querido”, Sílvio Caldas, Nelson, se vivo fosse, em outubro deste ano estaria comemorando 101 anos.
...............................Homem simples, não se interessava por fama e dinheiro. Gostava de viver na simplicidade do Jardim América, onde residia, tocando violão e cantando nas rodas boêmias, entre amigos que conquistou no decorrer da vida. Neste ritmo, ele viveu intensamente.
...............................Nelson Cavaquinho era uma lenda viva, o último jogral, um cândido rebelde que desdenhava das tentações do mercado fonográfico. Figura das mais emblemáticas do universo musical, ele foi, sem dúvida, um dos nomes mais importantes da MPB. O país todo conhece e canta sua obra, e toda a cidade do Rio de Janeiro conhecia e amava a sua figura, aquele tipo inesquecível que exalava dignidade. Durante anos, em peregrinações boêmias, ele atravessou todos os túneis e embranqueceu os cabelos nas madrugadas dos botequins, mostrando a platéias anônimas as joias saídas de sua inspiração privilegiada. Rosto de índio, olhos esbugalhados de uma expressão que traía sua pureza, voz carrasquenta das asperezas do álcool, violão tocado na vertical, açoitado pela batida agalopada, o doce menestrel moderno desfilava suas geniais criações.
...............................Fez isso enquanto a saúde permitiu. Nos últimos cinco anos, antes de sua morte, resguardou-se. Deixou de fumar e de beber por medo de morrer e sumiu dos bares, passando a cantar apenas em shows ou em sua casa modesta, porém própria, em que vivia há mais de 20 anos com dona Durvalina, a companheira definitiva.
Com grande esforço, ele desfilou na Estação Primeira de Mangueira, no carnaval de 85, enriquecendo a sua Comissão de Frente.
...............................Nelson Antônio da Silva, ou apenas Nelson Cavaquinho, fez parcerias com grandes nomes da MPB, entre eles o fabuloso Cartola. Um deles se transformou em sua alma gêmea: o mecânico de máquinas de calcular, pintor primitivo e poeta Guilherme de Brito, com quem Nelson formou uma parceria primorosa. Grande parte das letras dos seus sambas era de autoria de Guilherme, verdadeiras pérolas: “Tire o seu sorriso do caminho/ Que eu quero passar com a mina dor...” Uma rigorosa seleção dessa parceria encheria laudas de títulos de canções da mais irretocável inspiração. Alguns exemplos: “A Flor e o Espinho”, “Folhas Secas”, “Quando eu me Chamar Saudade”.
...............................Nelson morreu aos 74 anos, em fevereiro de l986, de enfisema pulmonar. E hoje ele se chama verdadeiramente Saudade.

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........................A ESPERANÇA NOS FORTALECE
.....................Todos nós, neste mundo, estamos sujeitos a enfrentar os reveses da vida. Nosso cotidiano está constantemente imerso em perturbadora atmosfera. São os imprevistos que invadem nossa vida como um furacão e nos fazem mergulhar em depressão e sermos levados a um estado de espírito que nos desespera.
.....................Mas, frente aos males que nos afligem, devemos assumir uma posição de coerência sob os ensinamentos do Evangelho que nos instruem a erguer a bandeira da esperança, atiçando a chama que necessitamos manter acesa em nosso coração.
.....................Ante os fatos dolorosos, devemos contrapor os ensinamentos do Senhor, os quais nos ajudarão a sobreviver. Sem essa visão transcendente, fundamentada na fé, a atormentadora realidade que nos cerca torna-se um fardo difícil de carregar.
.....................É certo que a constatação de um fato triste pode nos levar ao desespero se nos faltam coragem e fé para enfrentá-lo. Há, porém, em nosso desalento, uma única força que nos sustenta: a esperança. Ela se torna alicerce sem o qual o edifício viria a ruir. As virtudes da esperança e da fé nos fazem confiar ilimitadamente na reconstrução de nossa vida e vencer as adversidades. Não se trata de nos apoiarmos na nossa força interior, mas, sobretudo, na fé no Altíssimo. Nossa força .....................interior tem o seu valor, é certo, mas, por ser relativa, falha. E se isso acontece, nos lançamos à desesperança. Se estivermos suspensos num precipício, devemos buscar um amparo: o amparo da esperança, garantia que vem de Deus, que nos amparará no momento em que segurarmos em sua mão Santíssima.
Indispensável à nossa vida, a esperança é uma das três virtudes teologais, juntamente com a fé e a caridade.
.....................O mundo, infelizmente, julga por valores diversos. Assim, valem o imediato e as aparências enganosas, tais como a riqueza, os prazeres, fazendo com que as pessoas se inclinem para o transitório e não para o que é ensinado por Deus.
.....................Esse é o ambiente em que vivemos, a atmosfera que respiramos. A fé enfraquecida leva o homem ao desespero. Quanto mais triste o mal que nos aflige, maior deve ser a nossa confiança em Deus. Ele é o sustentáculo.
A esperança é um remédio indispensável ao nosso viver. Não me refiro à esperança obcecada, irreal, mas à esperança íntima que alimentamos dentro de nós, qual um lampejo que ilumina o breu da realidade; a esperança convicta de que tudo será resolvido da melhor forma, devolvendo-nos a paz e a tranquilidade.
.....................Nada sei de psicologia, mas creio que esta seja, de alguma forma, uma defesa da mente quando se está vivendo momentos extremamente difíceis como este que estou vivendo agora; uma forma oculta de conforto no subconsciente. Seja como for, talvez o que nos levante seja este lampejo de esperança e a nossa fé inabalável em Deus. Quando passar a tormenta e o frio parecer menos cortante, por certo a nova realidade proporcionará um alento ao nosso coração e minorará a nossa agonia.
.....................A esperança, sentido que nos dá à vida, aponta para o possível. Mesmo que estejamos prestes a desabar, ante o imprevisível que teima em desarrumar nosso caminho, a luz surge e nos mostra que na vida é preciso saber enfrentar a dor com coragem e fé e tudo será vencido, com a Graça de Deus.

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...................................SOLIDÃO URBANA
...........................As ruas lotadas, um vai-e-vem de pessoas aflitas, anseios espalhados por todos os cantos, a maioria delas em busca de realização. Cada dia é mais notório o aumento de pessoas que moram sozinhas. A solidão urbana é um fenômeno que cresce no nosso cotidiano. A estrutura social pode ser um fator gerador desse fenômeno, levando pessoas a se isolarem, reclusas em suas próprias solidões. A substituição das relações sociais fora de casa, a dificuldade de se construir relações na sociedade moderna, talvez seja devido à fragilidade humana, levando o homem a pensar na problemática que pode ser a causa de certos indivíduos cada vez mais se isolarem do mundo exterior; de uma sociedade que o assusta e com a qual não se identifica. Suas deficiências são múltiplas e o levam ao isolamento devido à dificuldade que tem de comunicar-se.
...........................Há que se considerar o vácuo que se estabeleceu entre a sociedade moderna e o indivíduo. Faz-se necessário dar-se atenção aos consequentes fenômenos desse comportamento dentro da atual sociedade urbana.
...........................Um ponto importante a considerar é que a vida moderna e a individualização são características essenciais às grandes metrópoles, onde as coisas fluem rapidamente, em que as pessoas estão sempre apressadas e preocupadas com seus inúmeros problemas. Essa visão da vida dos grandes centros urbanos acaba dificultando o estabelecimento de relações sociais frequentes. Cada qual com seus problemas, geralmente não têm tempo de participar dos problemas dos outros, É a vida moderna que corre célere, matando o sentimento de sociedade e urbanidade, tornando o homem egoísta, egocêntrico, no afã de alcançar suas realizações. É a busca da estabilidade, é a conquista dos ideais, é o temor de fracasso profissional. Na sociedade capitalista, o trabalho torna-se o ponto principal na vida das pessoas, diminuindo as relações sociais e, com isso, a sensação de solidão. Hoje, na cidade grande, não se tem tempo nem para conhecer o lugar onde se vive, nem o vizinho do lado, fenômeno que não afeta os centros menores, onde o homem ainda consegue se comunicar com os outros e fazer amigos.
...........................Diante desse quadro, faz-se necessário buscar novos valores que deem significado à vida e à relação com o mundo.
Essa forma de sociedade, na qual estamos inseridos, pode aguçar a personalidade do indivíduo e o afastar do contato social. Se uma pessoa se sente só não é porque ela escolheu se isolar, mas porque a sociedade não lhe dá mecanismo para ela se integrar socialmente.
...........................Quantos rostos cruzam conosco na multidão, dando a impressão de que perderam o encanto pelo que está à sua volta. É como se a “vida desencantada” e a exacerbação do cotidiano, da vida racionalizada, causem-lhes um vazio, já que, em tempos passados, a magia de viver era quem movia esses valores e proporcionava “encantamento ao mundo”. Isso talvez explique porque a solidão do homem atual seja o maior desafio dos grandes centros urbanos. Cadê as cadeiras nas calçadas, promovendo o papo cordial de vizinhos, mais amigos que vizinhos? Cadê a solidariedade entre eles? Antigamente, as pessoas destacavam essa necessidade para viver em sociedade; hoje, as pessoas se afastam e impõem restrições aos relacionamentos, como se ninguém – ou quase – merecesse confiança. Isso gera um vazio enorme, já que são as motivações individuais que fortalecem os bons relacionamentos.

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................O ENCANTO DAS LIVRARIAS DE OUTRORA
.......................Outro dia, passando por uma das pouquíssimas livrarias, ainda existentes em Maceió, senti falta das livrarias de outrora. Vieram-me à lembrança a José de Alencar e a Machado, situadas na Rua do Comércio que, nas décadas de 50 e 60 viveram o seu apogeu. A José de Alencar ficava no trecho principal da Rua do Comércio, perto do Relógio Oficial, local privilegiado, ocupado também pelo Bar Helvética e o Bar Colombo, onde costumavam se reunir, todas as tardes, os escritores Graciliano Ramos, fumando o seu inseparável cigarro Selma, ponta de cortiça, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, José Lins do Rego, Santa Rosa e outros intelectuais que já começavam a despontar no cenário literário nacional.
.......................Com uma ponta de nostalgia, fiquei a pensar naquele tipo de livraria que já não existe hoje em Maceió – estabelecimento em que era possível encontrar coisas agradáveis, tanto livros como gente, o que significa cultura e inteligência: o professor e o aluno, o romancista e o poeta, o erudito e o curioso, atrás de uma novidade. Aquelas livrarias dos anos 50 e 60 conservavam uma atmosfera de remota tradição cultural dos salões literários. Não eram, apenas, uma loja para vender livros. Eram um ponto de encontro para o bate-papo, a troca de idéias e “fuxicos”.
.......................Livrarias como as de outrora deveriam constar de livros de memórias. Elas faziam parte da vida cultural de uma cidade, de um país. No caso de Maceió, as livrarias deveriam ter uma história inseparável da própria história de nossas letras. Como exemplo notório, bastaria evocar os maiores escritores daquelas décadas, que faziam ponto na José de Alencar para o bate-papo costumeiro, cercados pelos velhos amigos e pelos admiradores. Nela se encontravam livros, amigos e amigos dos livros. Essas livrarias tinham uma missão especial: estimular o vício da leitura e contribuir para a definitiva dependência desse objeto sagrado que é o livro.
.......................A Livraria José de Alencar está ligada às minhas reminiscências por ser um lugar onde se encontravam todos os tipos de livros e onde se respirava cultura, tendo à frente, atendendo aos fregueses, com distinção e cordialidade, o simpático Aurino, antigo funcionário da casa, motivando a todos a frequentarem o estabelecimento.
.......................Quando publiquei a primeira edição do meu romance, A Hora Presente, em 1966, eu deixava os exemplares na José de Alencar, sob a responsabilidade do Aurino de vendê-los. Em poucos dias, esgotavam-se todos os livros, e o gentil vendedor me solicitava mais volumes para suprir o estoque. Assim, a edição esgotou-se em um mês. Aurino teve a feliz idéia de colocar sobre o balcão, no primeiro plano, uma charge feita por meu amigo e colega da Gazeta de Alagoas, o chargista Nunes, desenhada em cartolina, na qual se via um comprador dirigindo-se ao vendedor: “O senhor tem livros usados?” Ao que o vendedor respondia: “Não. Mas temos este aqui muito ousado”. Mais do que isso, porém, o que o Aurino fez para promover o sucesso de vendagem do meu livro foi incentivar o leitor a adquiri-lo, com o seu jeito afável e cordial. Assim, eu voltei para o Rio de Janeiro quase sem livros, mas com a certeza de que a simpatia é a alma do negócio.
.......................Hoje, infelizmente, as poucas livrarias que temos não possuem o encanto das de outrora, com ambiente frio e impessoal, sem darem o devido valor aos escritores da terra, o que é lamentável.

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..............................ESSAS CRIANÇAS DE HOJE
.......................O que está acontecendo com as crianças de hoje? Precocidade ou envelhecimento rápido? É impressionante como as crianças atuais são desinibidas e determinadas, com vontade própria, com atitudes que jamais imaginávamos ver um dia. Abisma-me observar o quanto elas são sabidas e atualizadas, opinando sobre o que acontece à sua volta, com posicionamentos definidos. Hoje, decidem o que vão vestir, escolhem o presente que querem ganhar no aniversário e no Natal, discutem suas preferências como gente grande e se intrometem nos assuntos dos adultos.
.......................Outro dia, deparei-me com uma menininha de seus 6 anos. Chamou-me a atenção a maneira como estava vestida: uma saia jeans, curtíssima e – o que mais me impressionou – uma sandália alta, de plataforma, dessas que as mulheres usam para sustentar seu gracioso caminhar. Andando em cima daqueles saltos, a garotinha mal conseguia se equilibrar. Seus cabelos soltos também me assustaram por sua cor vermelha, acaju, incomum para uma criança daquela idade.
.......................Diante da figurinha que tentava andar faceira como uma adulta, eu, ingenuamente, fiz esta reflexão: como pode uma mãe permitir um absurdo desse? Na verdade, com tão pouca idade a criança não tem formação em sua anatomia para usar uma sandália daquela altura, o que pode prejudicar seus ovários em desenvolvimento. Mas como fui ingênua em minhas considerações! Desde quando, hoje em dia, os pais exercem autoridade sobre os filhos? Há exceções, é claro, mas são poucos os pais que conseguem impor sua autoridade sobre os pequenos. A maioria deixa-se dominar por eles, não sei se por comodismo, por fraqueza ou falta de autoridade mesmo.
.......................Um dia desses, outra cena me deixou perplexa: foi quando uma mãe falava ao telefone com uma amiga e, em determinado momento, o filho, aos gritos, mandou que ela calasse a boca e desligasse o telefone, o que ela obedeceu sem nenhuma reprimenda. Diante daquele absurdo, fiquei a pensar: é devido a coisas como esta que as crianças de hoje são tão indisciplinadas. Não há freios para elas. Elas podem tudo.
.......................Apesar de estranhar um pouco as mudanças no comportamento infantil, penso que talvez haja nisso um lado positivo: as crianças evoluem e aprendem a andar com as próprias pernas, desinibem-se e passam a ser determinadas. Isso também concorre para desenvolver sua personalidade, embora a educação vá para o brejo. O que é preciso é não deixar que elas nos dominem e que expandam sua rebeldia de maneira desenfreada.
.......................Eu, particularmente, acho as crianças um encanto, só não aceito a educação que lhes vem sendo dada pelos adultos (familiares e educadores), transformando-as em “aborrecentes” no futuro.
.......................Há, no entanto, muitas coisas salutares praticadas por essas crianças precoces. Por exemplo, as opiniões que emitem sobre coisas do dia-a-dia, os posicionamentos que assumem no seu cotidiano, suas “tiradas” sensacionais, são encantamentos que as tornam tão especiais e admiráveis. Essas crianças provam que não há código natural para medir suas relações com o mundo, de tal maneira que há que se encontrar, em cada caso, a maneira de mediar o resultado de seu caráter mítico. É aí que dou vivas a essas crianças maravilhosas, entre as quais incluo meus sobrinhos, tão vivos, tão inteligentes, tão auto-suficientes, determinando o que devem ou não devem fazer. Mas que eu amo muito, apesar de tudo. Eles são encantadores!

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...................................A LEI E A SOCIEDADE
....................Há muito sabemos do abismo que existe entre a lei e a sociedade em nosso país. Sempre foi dito que no Brasil as leis não funcionam por serem idéias fora do lugar. Não concordo com esta afirmação quando se trata de questões morais em que a lei brasileira é retrógrada face à nossa realidade. Vejamos o caso do Código Penal Brasileiro, por exemplo, que há muito já deveria ter sofrido mudanças, embora muito se tenha discutido sobre isso. A discussão se concentra na necessidade de se rever vários itens já ultrapassados e maleáveis com relação a alguns tipos de delitos.
....................No Brasil, numa velocidade igual à diversificação da conduta humana, a lei deve acompanhar a dinâmica social, regulando grande parte das relações entre as pessoas ou entre elas e o Estado. Daí, a necessidade de se atualizar os Códigos Civil e Penal.
....................Juristas, magistrados, sociedade civil organizada e principalmente políticos precisam proceder a mudanças profundas e urgentes no Código de Processo Penal, que foi revisto na década de 40, e acabar com privilégios de réus, beneficiados pelas brechas da lei que permitem que criminosos confessos possam cumprir um terço da pena ou que, favorecidos por habeas corpus, esperem julgamento em liberdade. Outro item difícil de aceitar é o de um criminoso, por ser primário e ter residência fixa poder gozar de certos privilégios. Ora, o fato de alguém matar pela primeira vez não o exime de culpa. Pelo fato de ser a primeira vez, não deixa de ser crime.
....................Reportando-nos à revoltante impunidade existente no país, temos, por exemplo, o caso da advogada Mércia Nakashima, morta barbaramente, sendo o maior suspeito do crime o também advogado Mizael Bispo, ex-namorado da vítima, cujas evidências o apontam como o principal suspeito e continua solto, rindo na cara da sociedade. Sem falar no caso da jornalista Sandra Gomide, covardemente assassinada pelo ex-namorado, o também jornalista Pimenta Neves, que até hoje se encontra em liberdade sem nunca ter sofrido nenhuma penalidade. Não há nada que justifique um absurdo desse.
....................A impunidade no Brasil tornou-se revoltante e insuportável. São muitos os casos em que assassinos confessos de crimes hediondos, defendidos por advogados competentes e inescrupulosos, se beneficiam de habeas corpus e vão aguardar o julgamento em liberdade, privilegiados pelas brechas na lei existentes no nosso capenga Código Penal.
....................É inaceitável, por exemplo, a modificação do artigo 12 do projeto de reformulação de parte do Código Penal que pretende modificar parte importante da Lei de Crimes Hediondos referente ao abrandamento das penas para criminosos de grande periculosidade. Segundo este artigo, ficaria anulada a obrigatoriedade do cumprimento de pena em regime fechado, em casos de crimes graves, previstos na lei, o que beneficiaria os infratores. Onde está a concepção de justiça de quem propõe esta reformulação absurda? Não bastam as brechas da lei já estabelecidas? Isso é inconcebível.
....................No Brasil, raramente se é condenado a cumprir pena até o final da sentença, pois há a tal Progressão de Pena que beneficia o criminoso.
Outra coisa revoltante é alguém que, dirigindo bêbado, atropela e mata e, após pagamento de multa, sai livre, pronto para voltar a matar.
Está na hora de se mudar este panorama, votando as mudanças que se fazem necessárias no nosso Código Penal. É o que o Brasil espera com justiça.


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.......................O QUE LEVOU TIRIRICA À VITÓRIA

.......................Nos anos 90, Tiririca converteu-se numa celebridade da TV ao encarnar um palhaço muito engraçado que cantava: “Florentina” e arrancava gargalhadas pelo Brasil afora. Este ano, o humorista resolveu entrar para a política, candidatando-se a deputado federal, incomodando muita gente que logo se manifestou contra a sua candidatura. Tiririca, porém, fez ouvidos moucos e levou adiante a campanha, vestido de palhaço, apresentando-se aos brasileiros como o candidato “abestado”, com o slogan: “Vote em Tiririca, pior do que tá não fica”. No programa eleitoral, ele pedia: “Votem em mim, porque eu quero ser deputado federal para ajudar os mais “necessitado”, inclusive minha família”. A estratégia valeu a Tiririca, ou melhor, a Francisco Everardo Oliveira Silva (seu verdadeiro nome) uma vitória esmagadora, com 1.353.820 votos, sendo o deputado federal mais votado, não só de São Paulo, mas de todo os estados da federação brasileira.
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A explicação para a vitória retumbante de Tiririca nada mais é – me parece – do que um protesto de boa parte do eleitorado brasileiro contra a corrupção vergonhosa que se instalou no Congresso Nacional, após tantos escândalos e impunidades que consagraram políticos inescrupulosos da Câmara e do Senado federais. Não apoio a votação de candidatos que não estejam aptos para exercer os mandatos a eles conferidos, mas a verdade é que o povo não suporta mais tanta bandalheira. A revolta vem corroendo, há anos, o brio patriótico dos brasileiros que se sentem impotentes e achincalhados em sua dignidade. Ao considerar o congresso um circo, nada mais natural do que eleger um palhaço para fazer parte de suas fileiras. A eleição de Tiririca é o retrato do sentimento de descaso que o Congresso Nacional galgou em nossa sociedade após anos de descalabros praticados por maus políticos deste país.
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Diante da vitória de Tiririca, o promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, requereu ao TER a impugnação da candidatura vitoriosa do artista, contestando seu grau de escolaridade. Aliás, este promotor, em entrevista a um programa de TV, explicando seu posicionamento, disse alto e bom som: “Houveram muitos erros na ficha de inscrição apresentada por Tiririca ao Tribunal Eleitoral”. Ora, para um promotor que contesta, justamente, os conhecimentos gramaticais de um homem humilde, de pouca escolaridade, um erro crasso deste, é, no mínimo, inconcebível. Precisaria estudar mais.
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O Juiz Eleitoral Aloísio Sérgio Rezende Silveira, porém, não acatou a denúncia do promotor sob o argumento de que “não há justa causa para a ação penal, uma vez que o TSE-SP, ao conceder o registro da candidatura de Tiririca, entendeu não haver qualquer causa de inelegibilidade do candidato, inclusive no que se refere à instrução mínima, ou seja, o não analfabetismo”.
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Muitas pessoas acham que Tiririca não tem condições de assumir uma cadeira na Câmara Federal, alegando que um político deve ser preparado para exercer a função. É evidente que sim, mas, antes de tudo, deve ter moral, dignidade, retidão de caráter, enfim uma ficha limpa. Não quero dizer com isso que Tiririca seja um bom representante nosso no Congresso Nacional, mas querer anular sua candidatura é uma injustiça. Porque o TER-SP não analisou as suas condições antes de conceder-lhe o registro? Essa, sim, seria a decisão correta.

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..........................BOAS VINDAS À PRIMAVERA

.......................A primavera chegou. Esperei-a durante meses, antecipando a alegria de ver as flores multicores brotarem com seu perfume inebriante. Mas como estou decepcionada! Ela chegou, porém os dias continuam sem o seu brilho. Chego a pensar que, como tudo muda neste mundo, o calendário também mudou. Estamos em plena estação das flores, do verde, da vida, porém um ar triste paira sobre nós, deixando nosso espírito com um sentimento de inverno teimoso.
.......................O que mais nos entristece é ver as nossas praias com a água do mar turva, sem aquele verde esplendoroso da primavera. O sol indeciso até quer dar as caras, mas o tempo, com nuvens esparsas, o impede de dar brilho à vida.
.......................Afinal, onde está a primavera plena? Eu me pergunto como Machado de Assis: “Mudaria o Natal, ou mudei eu?” Será que mudamos todos nós, movidos pelo desencanto de ver o mundo caminhar sob tantos absurdos?
.......................A primavera é um estado de espírito, que infelizmente turvou-se de nuvens estranhas. Estranhas, porque neste período não se vê a sua real presença a alegrar os nossos dias. Nesta estação do ano, tais nuvens deviam se recolher para dar lugar a um céu azul extasiante. Sem sombra de dúvida, houve uma mudança que de certo tem uma causa. Primeiro, mudaram-se os tempos, depois mudaram as pessoas. O ser humano, efetivamente, não é mais o mesmo. Nunca se viu em toda a existência tantas atrocidades, barbaridades e desmandos cometidos por uma geração que surgiu devagar, silenciosa, sorrateira, dissimulada que, aos poucos, foi mostrando as garras, roubando a paz e o sossego de todos nós. Hoje, mata-se por tudo e por nada, com a tranquilidade de quem saboreia um doce. E eu, com meu espírito primaveril, me reporto à longínqua infância e recordo como procediam as pessoas antigamente, com consideração, gentileza e solidariedade para com os outros, sempre prontas para se ajudarem entre si, com o coração cheio de amor.
.......................Diante da nova realidade surgida neste jovem século, eu fico a buscar a primavera da vida, com o orvalho perolando as flores e umedecendo as manhãs, coisas de um mundo primitivo feito de ingenuidade telúrica; um mundo onde valia muito a voz dos mais velhos ensinando-nos o bem e o caminho certo. A primavera era uma festa de cores, quando o cheiro das frutas maduras enchia de sabor o nosso olfato e satisfazia o nosso paladar. A primavera existia de fato, no período certo, com toda a sua exuberância. Eu me lembro da quietude da noite, do brilho das estrelas, dos pirilampos pontilhando a escuridão e do sono chegando devagarzinho, levando-me ao novo amanhecer, às auroras frescas do raiar do dia.
.......................Hoje, muitos anos depois, a primavera já chega sem o brilho de outras primaveras que coloriram minha infância. Mudou a natureza ou mudei eu? Pelo menos, eu me esforço para não tirar o colorido da minha existência. É inegável que no mundo atual mudou o sentido de bondade, de dignidade, de honradez e honestidade, o que prova a intolerância de parte da nova geração ao praticar crimes hediondos, como estupros de crianças inocentes, violência contra mulheres indefesas, desmandos os mais vergonhosos praticados por políticos inescrupulosos e outras barbaridades.
Por tudo isso, quando falamos da bela estação, observando o simulacro de uma primavera civilizada na urbe moderna, nossos olhos se voltam para o passado, um passado que nostalgicamente vive dentro de nós.
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.......................O Jornal do Brasil, um dos mais antigos e importantes órgãos da imprensa do país, que circulou durante 119 anos, deixou de circular, na sua versão impressa, na última terça-feira, passando a ter uma versão online.
.......................O “JB” fez parte de um seletíssimo grupo de quatro dos melhores jornais brasileiros: Globo, Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Pode-se dizer que ele serviu de modelo para muitos jornais. Suas coberturas gozavam de credibilidade e eram apreciadas pelos leitores, servindo de orientação àqueles que buscavam uma boa informação.
.......................Diz-se que, com seu fechamento, a massa arrendada da família Nascimento Brito será passada adiante, ficando os seus direitos sobre a edição impressa transferidos a possíveis interessados.
.......................Este problema, que vem atingindo, há anos, o cenário gráfico brasileiro, é realmente lamentável. Há pouco mais de um ano, outro importante jornal do país, a Gazeta Mercantil, parou de circular por problemas financeiros. Antes, já haviam fechado: Correio da Manhã, Diário de Notícias, Gazeta Esportiva, sem falar nas revistas Cruzeiro, Manchete, Fatos & Fotos e outras mais. Agora foi a vez do “JB”.
.......................A notícia do seu fechamento deixou desoladas centenas de profissionais do jornalismo, aqueles que amam sua profissão e que sabem quanto é importante um bom jornal circulando diariamente e levando os fatos do Brasil e do Mundo ao conhecimento do público ávido por notícias.
.......................Eu frequentei, na década de 60, a redação do “JB”, quando ainda funcionava na Avenida Rio Branco, antes de ser transferida para o gigantesco prédio da Avenida Brasil, e tive o privilégio de ver ali, debruçados sobre suas mesas, nomes importantes do jornalismo carioca, como Joaquim Ferreira dos Santos, Alfredo Herkenhoff que, na semana passada, lançou o livro “Jornal do Brasil: memórias de um secretário. Pautas e fontes”, Alberto Dines, José Silveira, José Nassif.
.......................Ao entrar na velha redação do “JB”, nos sentíamos tomados por um enorme fascínio; era como se penetrássemos num templo sagrado, onde podíamos nos deparar com os mais importantes nomes do jornalismo carioca da época. Todas as máquinas sendo usadas, o som das teclas produziam uma sinfonia fantástica, penetrando em nosso espírito como uma melodia. Como o computador ainda não existia, era daquelas máquinas rudimentares (Olivetti e Remington) que saiam as notícias que eram lidas avidamente pelos leitores, todas as manhãs.
.......................Na verdade, o “JB” começou a acabar desde que os herdeiros da Condessa Pereira Carneiro e seu genro MF do Nascimento Brito, atolados em dívidas, entregaram o destino do jornal a certo empresário em troca de uma renda mensal. Mas como eles continuaram responsáveis pelo passivo de 2 milhões de reais, o negócio não deu certo.
.......................Trabalhar no “JB” era o grande sonho de todo jornalista, pois, além dos ótimos salários, o jornal da Condessa era um dos de maior credibilidade, prestígio e independência.
.......................Com o passar dos anos, o “JB” afogou-se em dívidas e tornou-se uma sombra do que fora nas décadas de 50, 60 e 70, perdendo seu vigor e os talentosos jornalistas que enchiam sua redação, valores que, por razões óbvias, se bandearam para outros órgãos de imprensa, sobretudo para o Globo.
.......................É muito triste assistir à decadência daquele que foi o mais importante jornal do Brasil, hoje pedaços da história gloriosa de um dos mais importantes órgãos da imprensa brasileira.


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.......................Acabo de ler o livro “Eu, aos pedaços”, de Carlos Heitor Cony, que continua sendo o meu autor preferido.
.......................Rico em detalhes, narrativa vibrante, neste novo livro de Cony o leitor observa o amor incondicional do filho pelo pai, amor que cresce e caminha até o fim de suas vidas.
.......................Nele, Cony revela ainda sua simpatia pelo Carnaval e pelas festas juninas, vividas com emoção em sua infância, e sua vocação para falar mal de qualquer assunto, apenas pelo prazer de sustentar uma boa prosa.
.......................Ao longo da obra, Cony narra vários fatos engraçados e algumas confusões que vivenciou em suas viagens pelo mundo e faz singelas homenagens a amigos leais e a algumas personalidades que o marcaram em seus 84 anos de existência, além de se reportar à infância, à família e à política.
.......................Classificando seu livro-memória como “Uma forma de cometer biografia”, Cony nos oferece, em pequenos textos, narrativas nas quais descreve pessoas e compartilha pensamentos que moldaram a sua trajetória. São relatos de fatos reais, pincelados de ficção e poesia.
.......................Apesar de ter confessado achar que a biografia “é caminho fácil para a autotraição”, o autor já demonstrou gostar de escrevê-la. Fez isso em 1995 com “Quase memória”, como o próprio título diz. Agora, ao lançar “Eu, aos pedaços”, escrito a pedido da editora Leya, Cony afirma: “Memória é mais livre, sem compromisso cronológico e permite um pouco de ficção”.
.......................Neste seu livro, Cony percorre mais de sete décadas da própria trajetória e o divide em blocos, escritos belamente, com clareza e simplicidade, bem ao gosto do leitor, como, aliás, acontece com todos os seus livros, uma feliz particularidade de seu estilo. Os primeiros textos falam de sua infância e de seus encantos. Os seguintes são dedicados às inúmeras viagens que fez pelo mundo, à família, ao cotidiano, a personalidades, à política e à época do Golpe Militar, quando frequentou as prisões da ditadura, período sobre o qual faz comoventes reflexões. Um módulo à parte é o que fala de sua prática do jornalismo, exercido em 50 anos de trajetória, nos quais passou por redações dos mais importantes órgãos da imprensa nacional, como revistas Manchete e Veja, jornais Correio da Manhã e Gazeta de Notícias, onde deu os primeiros passos.
.......................Relembrando este estágio de sua vida, Cony confessa ter saudade de tudo. “Mesmo dos momentos amargos”, garante. E poeticamente afirma: “Tenho saudades não de fatos em si, mas de mim mesmo”.
.......................Membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony já recebeu vários prêmios literários e se consagrou como um dos mais importantes escritores brasileiros. Em sua vasta obra, parece não poupar nenhum momento vivido, nenhuma emoção, seja em seus romances, seja em suas crônicas publicadas em vários jornais do país, transformando seus escritos em verdadeiras poesias em forma de prosa.
.......................“Eu, aos pedaços” é, portanto, a reunião de 50 anos de trabalho como jornalista, com narrativas de viagens e coberturas importantes, além de histórias de família – afinal, seu pai, o também escritor Ernesto Cony Filho foi o responsável por sua escolha profissional. Aliás, é sobre o pai que Cony se reporta em vários textos de sua obra, numa prova cabal da grande admiração que nutria por ele.
.......................Esta nova obra de Cony é um excelente livro, que recomendo na certeza de que seus primorosos textos irão agradar e prender a atenção do leitor até a última linha.


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OH! PAJUÇARA

Oh! Pajuçara na encosta rasa,
Beleza extasiante em frente ao mar.
Dourada pelo sol que arde em brasa,
Ilumina co’amor o meu olhar.

Suas ondas se esbatem a espumar
Sobre as águas vestidas de dourado.
Jóia rara, esmeralda a flamejar,
Enleando meu eu apaixonado.

Sua grandeza me encanta e me seduz,
Domina Maceió cheia de luz,
Na imensidão de uma beleza rara...

Cingindo com esplendor o horizonte,
Tardes ardentes a perolar a fonte
Do amor qu’existe em mim, oh! Pajuçara.

Maceió, 11/07/2010


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.......................Ontem me pus a relacionar as palavras mais bonitas e significativas da língua portuguesa. Comecei por mar, música, flor, saudade, felicidade, amor, todas com significado profundamente humano, pois fazem parte dos nossos sonhos, dos nossos devaneios, dos nossos delírios. Mas cheguei à conclusão de que a mais bonita e mais forte é, sem dúvida, liberdade, capaz de levar o homem à luta e à morte, tornando-o herói, escrevendo as páginas mais bonitas da nossa história.
.......................Nascida em Pernambuco e conhecedora de sua história, eu sei de muitos conterrâneos que viveram sonhos de liberdade, lutando por seus ideais, dando a própria vida por eles, derramando pelas ruas úmidas do Recife o seu valoroso sangue.
.......................Eu mesma tenho um motivo muito especial para eleger a liberdade a palavra mais importante dentre todas. Explico: nasci na cidade de Goiana, interior de Pernambuco, tendo a honra de ter nascido na casa em que nasceu Joaquim Nunes Machado, um casarão imponente situado na antiga Rua da Baixinha. Nunes Machado, com seu espírito revolucionário, foi o herói da revolução Praieira, revolta de caráter liberal e federalista que eclodiu em 7 de novembro de 1848, devido ao veto dos senadores conservadores à indicação do liberal Antônio Chinchorro da Gama para uma cadeira no senado, o que provocou a revolta de grupos políticos liberais de Pernambuco. Além disso, os pernambucanos também estavam insatisfeitos com a falta de autonomia política das províncias e com a concentração de poder nas mãos da monarquia.
.......................Nunes Machado foi, portanto, o primeiro herói que aprendi a enaltecer e admirar, por sua coragem e por seu idealismo. Ele morreu gloriosamente em combate, em defesa de seus ideais, daquilo em que acreditava, que compreendia exatamente a liberdade.
.......................No entanto, a liberdade, apesar de ser a mais significativa das palavras, é preciso considerar que o homem, ao resolver abraçar qualquer ideologia, professar qualquer religião, exercer qualquer profissão, deve tomar cuidado para não ferir os direitos dos outros. Saber que uma idéia deve ser combatida com outra idéia e não com a força; saber que tudo, sob todos os aspectos, tem suas limitações, inclusive a liberdade, que não deve ser confundida com libertinagem, o que leva o homem, muitas vezes, aos excessos e às atitudes condenáveis.
.......................Mas, afinal, o que é a liberdade? Na visão do escritor, ensaísta e filósofo francês Voltaire, a liberdade é nada mais que o “potencial de agir”; significa a independência do ser humano. De forma positiva, liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional. Não se trata de um conceito abstrato. Tomemos como exemplo o também filósofo francês Jean-Paul Sartre que buscou em seus escritos atribuir esta qualidade ao ser humano livre. Na equação entre Liberdade e Vontade observa-se que ser livre é a força-motriz, o instrumento para a liberação do homem.
.......................O homem tem o direito de fazer tudo o que quiser – certo – desde que suas atitudes não vão de encontro à lei, à moral e aos bons costumes. É claro que o homem jamais deverá ter sua liberdade cerceada e policiada no que diz respeito ao seu direito de ir e vir, à sua fé religiosa, à sua ideologia política, às opções escolhidas, mas tudo deve ser feito dentro da lei. A censura é arma abominável dos prepotentes que querem impingir sempre sua vontade pela força do seu poder e seu prestígio.


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.............................AGORA, É ESPERAR POR 2014
.....................Fiquei triste com a desclassificação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Por mim e pela desolação de todos os brasileiros. Foi um momento de tristeza em que nosso coração patriota quase parou de tanta agonia. Agora, os “analistas” de plantão se arvoram em donos da verdade e culpam o Dunga por sua teimosia em não escalar esse ou aquele jogador, buscando algo que justifique a nossa derrota. Isso acontece sempre que a Seleção Brasileira não vence um mundial. É muito fácil ficar de fora palpitando o que deve ou não ser feito, criticando os que se encontram à frente de um time, treinando-o e determinando o que ele deve fazer. Mas vamos nos colocar no lugar de um treinador, com a responsabilidade que tem, com toda a carga de pressão recaindo sobre sua cabeça, com todas as cobranças. É complicado! Eu prefiro não apontar culpados, em campo ou fora dele, mas aceitar a derrota com serenidade, de cabeça erguida, e reverenciar a grande paixão brasileira. Houve falhas de nossa equipe? Houve. Mas agora não adianta chorar o leite derramado.
.....................Admito que é hora de se efetuarem mudanças profundas, a começar pelos dirigentes. Fazer uma reciclagem, escolhendo sangue novo e novos talentos para compor nossa Seleção.
.....................A Seleção Brasileira é amada e admirada por milhões de torcedores, não só no Brasil, como no mundo todo. Basta ver o noticiário. Aeroportos do mundo inteiro pararam para ver, em telões, o jogo Brasil x Holanda, o mesmo que nos trouxe a triste surpresa: o Brasil eliminado da Copa de 2010. E o inacreditável: num jogo em que ele foi melhor nos primeiros 45 minutos, dominando a Holanda e vencendo o primeiro tempo até com certa facilidade. No segundo tempo, porém, parece que um apagão atingiu nossos jogadores na etapa decisiva. Pois, o que vimos foi uma equipe nervosa, desequilibrada. Um jogo não se ganha somente com os pés, mas também com a cabeça. Todavia, as cabeças dos nossos atletas pareciam estar aéreas. E foi justamente esse desequilíbrio emocional que mandou nossa Seleção para casa mais cedo, enquanto a Holanda continuou jogando segura, não se desestabilizando nem quando o Robinho deu um gol ainda nos 9 minutos do primeiro tempo, gol que alimentou nossas esperanças.
.....................Desde o início do jogo dava para ver que a Holanda atacava bem, embora “pipocando” com certa frequência. Era o Brasil encostar e os holandeses “pipocavam”, isto é, atingiam nossos atletas e caíam como se tivessem sofrido falta violenta. A tática de irritar os jogadores brasileiros começou a dar certo, e foi aí que a Holanda partiu para cima. O que aconteceu dali para frente foi um verdadeiro apagão, o desespero que nos tirou da Copa.
.....................Como já disse acima, não pretendo apontar culpados. A derrota para a Holanda doeu, claro que doeu. Doeu mais porque nós víamos que os jogadores sofriam tanto quanto nós. A derrota em Port Elizabeth aconteceu porque o adversário era muito bom e soube aproveitar as falhas da nossa defesa.
.....................A Argentina também caiu. E de forma muito pior: batida pela Alemanha por 4x0, uma verdadeira goleada. Mas passado o primeiro impacto da derrota, ela certamente voltará ao Mundial de 2014 com a cabeça erguida e a mesma garra que a caracteriza.
Então, Brasil, bola pra frente. Agora, é pensar em 2014, quando será o Brasil quem sediará a Copa do Mundo, o que torna muito maior a responsabilidade da Seleção canarinho.


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