Arlene Miranda - Jornalista e escritora no
1º Site Oficial de Dança em Alagoas
(Membro da Academia Maceioense de Letras)
E-mail:(aa-assis@ig.com.br)
Início da página Arlene Miranda


TERNURA DE UM FIM DE TARDE

....................Nada é mais lindo neste mundo do que um fim de tarde, quando o pôr-do-sol ilumina nossa alma. Desde garota, eu gostava de olhar o horizonte e ver as nuvens caminharem, vagarosas e solenes, escondendo os últimos raios do sol que morria pouco a pouco. Aqueles eram momento de reflexões que me ocorria fazer sobre a vida, a natureza e as pessoas que me rodeavam. Muitos hão de achar que eu era uma garota prodígio, mas não, eu era apenas uma menina, digamos, precoce, que já meditava sobre as coisas à sua volta.
....................Ao olhar o pôr-do-sol no fim da tarde tudo parecia real: saudades, alegrias, medos, conflitos (familiares ou populares), erros, esperas. Eram sentimentos confusos, motivados naquele pôr-do sol que me extasiava. Minhas emoções caminhavam paralelas e desapareciam nas linhas sinuosas da estrada que eu começava a trilhar, então.
....................Assim eu cresci e passei a admirar o pôr-do-sol com uma conotação diferente. Hoje, ele ilumina minhas divagações e me permite ver com mais clareza o mundo que caminha sob um céu que acolhe as nuvens negras e rosadas, com restos de luz no início da noite. Então eu penso, olhando o firmamento, que o final da tarde é quase o final da vida. Cada minuto que passa é a vida que se esvai, como se esvaem os sonhos após tantos golpes que a ela nos dá, tantos açoites que destroem as nossas ilusões.
....................No fim da tarde, olhando o horizonte avermelhado, meu pensamento voa sob um céu cor de fogo, e eu repenso tudo o que vivi, todas as alegrias, todas as dores, todos os fracassos e tudo o que realizei. E me sinto reconfortada.
....................A vida é como um trem que passa, carregando sonhos e emoções. E nesse trem somos todos passageiros, cuja visão idílica é traçada por nosso subconsciente. Enquanto o trem desliza em trilhos já gastos, nós aguardamos o destino final, ansiosos por chegar à nossa estação, imaginando que nela iremos encontrar charangas a tocar, bandeirinha a colorir o nosso caminho, amigos acenando para nos saudar. E, esperançosos, achamos que, ao desembarcarmos na estação distante, iremos realizar todos os nossos sonhos, aqueles que alimentamos no decorrer de nossa existência; aqueles que consolaram as nossas horas vazias e nos deram ânimo para correr em busca da felicidade.
....................Porém, mais cedo ou mais tarde, perceberemos, com certa desilusão, que não há estação nenhuma; não há lugar a estacionar. E logo chegamos à conclusão de que o importante mesmo é a viagem, durante a qual experimentamos alegrias, tristezas, emoções, desgostos, fracassos, realizações. Por isso, devemos parar de contar os quilômetros e apreciar a viagem, com suas paisagens, curtindo-a bastante e valorizando as coisas que vamos encontrando pelo caminho: as flores silvestres, o canto dos pássaros, a imensidão do mar, a árvore solitária e, principalmente, o pôr-do sol.
....................A vida é feita de coisas simples, apenas algumas circunstâncias a complicam. Há aqueles que acham que é necessária muita coisa para serem felizes, pois o pouco não os satisfaz. Porém, não percebem que pouca coisa – pequenas coisas e pequenos gestos – basta para compor a felicidade. Eis aí o segredo. O importante é não perder a essência, o sorriso nos lábios, o brilho nos olhos e dar importância às coisas mais simples que surgem no cotidiano. Esta é a grande sabedoria do bem viver. Isso faz com que, na sutileza de um sorriso, se ganhe o palitinho premiado da vida.

Início da página Arlene Miranda


1º Site Oficial de Dança em Alagoas
Dança Alagoas - Todos os direitos reservados - Copyrigth © 2008 - 2010