NOVO LIVRO DE CLÁUDIO
ALENCAR
Arlene Miranda
Jornalista e escritora (membro da Academia Maceioense de
Letras) /arlenemiranda2008@gmail.com
..................................O
rádio sempre esteve na vanguarda do noticiário, da reportagem,
do futebol, do entretenimento. A velocidade da notícia sempre foi
o carro-chefe desse veículo de comunicação. Portanto,
tudo o que a televisão usufrui, hoje, foi o rádio quem “desfraldou”.
..................................Surgido
em Maceió em 1948, o rádio alagoano já iniciou com
um elenco de primeira grandeza, nomes que logo se firmaram no cenário
radiofônico local. Um deles foi o radialista Cláudio Alencar,
pseudônimo adotado por Cassimiro de Farias Cardoso, que brilhou
à frente dos microfones da pioneira Rádio Difusora de Alagoas
durantes muitos anos, passando depois pela Rádio Gazeta e por emissoras
do Recife.
..................................Após
aposentar-se como Procurador de Justiça do Estado, Cláudio
Alencar passou a dedicar-se à literatura. O primeiro livro que
publicou foi “Contando Histórias – o Rádio em
Alagoas”, em 1999, em que narra fatos ocorridos no radio alagoano.
Em 2004, lançou “Histórias do Rádio”,
importante trabalho em que documenta também histórias do
nosso rádio. Em 2007, publica “Antes que eu me esqueça
& Outras Histórias do Rádio”, outro documento
rico em detalhes sobre o rádio em nosso Estado. Em 2009, nos presenteia
com seu mais recente livro “Antes que as pontes caiam”, uma
coletânea de crônicas suas, publicadas em órgãos
da imprensa alagoana em épocas passadas e recentemente, um feliz
resgate do cotidiano de nossa cidade, nos reportando a tempos não
muito remotos, avivando a memória de seus leitores. São
crônicas bem construídas que falam, não só
do passado de nossa cidade, mas de outros assuntos bastante pitorescos,
como, por exemplo, as duas crônicas “Amores de Pedro I”,
muito interessantes, “Que trapalhada”, em que homenageia o
humorista Zacarias, de “Os Trapalhões”, falecido em
março de 1999, “Bom Dia tristeza”, um tributo a “Adoniran
Barbosa, o autor de “Saudosa Maloca”, “Trem das Onze”,
“Samba do Arnesto” e tantos outros sucessos, cujo centenário
de morte é comemorado este ano. Outra crônica que merece
destaque é “Os Lírios do Campo”, sobre o livro
“Olhai os Lírios do Campo”, do escritor Érico
Veríssimo, em que analisa a obra do notável autor gaúcho.
“O homem do quebra-queixo”, é um comovente relato sobre
o vendedor do doce “parente do puxa-puxa”, o homem que adoçou
a boca e o imaginário das crianças do nosso tempo. Eu mesma
adorava saborear o quebra-queixo, vendido na porta de casa por um homem
de olhar triste que me impressionava. Ao ver aquele rosto marcado por
rugas profundas, eu me perguntava: “Onde será que vive este
homem que parece tão triste? Será que tem filhos iguais
a mim? Se tem, será que eles têm brinquedos como eu? Será
que são felizes? Foram perguntas que infelizmente ficaram sem respostas.
Nessa crônica há ainda comentários velados sobre o
descaso dos políticos. Uma excelente crônica.
..................................“O
estranho caso da moeda rara” é outra crônica muito
interessante, em que o autor enfoca o caso do ex-combatente francês
da 1ª Guerra Mundial, François Lebeau, que, veladamente acusado
de roubo, se recusa, com dignidade, a ser revistado pelo amigo rico e
também ex-combatente Jules Grandim, que desconfia de que ele lhe
roubara uma moeda de ouro velho, raríssima, a qual foi encontrada,
tempos depois, por pedreiros que faziam reparos na casa do amigo que o
acusara. Essas são, apenas, algumas das crônicas que compõem
este excelente livro de Cláudio Alencar.
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