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CRÔNICAS
2009
2010
Arlene Miranda


NOVO LIVRO DE CLÁUDIO ALENCAR

Arlene Miranda
Jornalista e escritora (membro da Academia Maceioense de
Letras) /arlenemiranda2008@gmail.com

..................................O rádio sempre esteve na vanguarda do noticiário, da reportagem, do futebol, do entretenimento. A velocidade da notícia sempre foi o carro-chefe desse veículo de comunicação. Portanto, tudo o que a televisão usufrui, hoje, foi o rádio quem “desfraldou”.
..................................Surgido em Maceió em 1948, o rádio alagoano já iniciou com um elenco de primeira grandeza, nomes que logo se firmaram no cenário radiofônico local. Um deles foi o radialista Cláudio Alencar, pseudônimo adotado por Cassimiro de Farias Cardoso, que brilhou à frente dos microfones da pioneira Rádio Difusora de Alagoas durantes muitos anos, passando depois pela Rádio Gazeta e por emissoras do Recife.
..................................Após aposentar-se como Procurador de Justiça do Estado, Cláudio Alencar passou a dedicar-se à literatura. O primeiro livro que publicou foi “Contando Histórias – o Rádio em Alagoas”, em 1999, em que narra fatos ocorridos no radio alagoano. Em 2004, lançou “Histórias do Rádio”, importante trabalho em que documenta também histórias do nosso rádio. Em 2007, publica “Antes que eu me esqueça & Outras Histórias do Rádio”, outro documento rico em detalhes sobre o rádio em nosso Estado. Em 2009, nos presenteia com seu mais recente livro “Antes que as pontes caiam”, uma coletânea de crônicas suas, publicadas em órgãos da imprensa alagoana em épocas passadas e recentemente, um feliz resgate do cotidiano de nossa cidade, nos reportando a tempos não muito remotos, avivando a memória de seus leitores. São crônicas bem construídas que falam, não só do passado de nossa cidade, mas de outros assuntos bastante pitorescos, como, por exemplo, as duas crônicas “Amores de Pedro I”, muito interessantes, “Que trapalhada”, em que homenageia o humorista Zacarias, de “Os Trapalhões”, falecido em março de 1999, “Bom Dia tristeza”, um tributo a “Adoniran Barbosa, o autor de “Saudosa Maloca”, “Trem das Onze”, “Samba do Arnesto” e tantos outros sucessos, cujo centenário de morte é comemorado este ano. Outra crônica que merece destaque é “Os Lírios do Campo”, sobre o livro “Olhai os Lírios do Campo”, do escritor Érico Veríssimo, em que analisa a obra do notável autor gaúcho. “O homem do quebra-queixo”, é um comovente relato sobre o vendedor do doce “parente do puxa-puxa”, o homem que adoçou a boca e o imaginário das crianças do nosso tempo. Eu mesma adorava saborear o quebra-queixo, vendido na porta de casa por um homem de olhar triste que me impressionava. Ao ver aquele rosto marcado por rugas profundas, eu me perguntava: “Onde será que vive este homem que parece tão triste? Será que tem filhos iguais a mim? Se tem, será que eles têm brinquedos como eu? Será que são felizes? Foram perguntas que infelizmente ficaram sem respostas. Nessa crônica há ainda comentários velados sobre o descaso dos políticos. Uma excelente crônica.
..................................“O estranho caso da moeda rara” é outra crônica muito interessante, em que o autor enfoca o caso do ex-combatente francês da 1ª Guerra Mundial, François Lebeau, que, veladamente acusado de roubo, se recusa, com dignidade, a ser revistado pelo amigo rico e também ex-combatente Jules Grandim, que desconfia de que ele lhe roubara uma moeda de ouro velho, raríssima, a qual foi encontrada, tempos depois, por pedreiros que faziam reparos na casa do amigo que o acusara. Essas são, apenas, algumas das crônicas que compõem este excelente livro de Cláudio Alencar.