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CRÔNICAS
2009
2010
Jornalista e escritora (membro da Academia Maceioense de Letras)


EM BUSCA DA FELICIDADE

..............................Hoje, quero chutar os problemas e escrever sobre coisas agradáveis. Escrever sobre a felicidade, por exemplo, e sobre as coisas boas que a vida oferece. Quero respirar fundo e sentir a importância de estar viva; quero olhar o mar deslumbrantemente verde que se agiganta ante os meus olhos, ouvir o canto dos pássaros na manhã dourada, descobrir a cada dia um novo cheiro, um novo gosto, uma nova cor, um novo som, um novo dia, uma nova vida.
..............................Hoje, deu-me vontade de sair por aí fazendo loucuras, sintomas característicos de alguém que se sente feliz. Sair cantando pelas ruas, de braços abertos, ao sabor do vento, como se quisesse abraçar a natureza. Ou subir num muro e fazer uma reverência poética àqueles que deram colorido à existência com seus versos. E são tantos: Olavo Bilac, Álvaro de Azevedo, Castro Alves, Augusto dos Anjos, Aloísio de Azevedo, Casimiro de Abreu, Gonçalves Dias, Cruz e Souza e outros mais. São tantas as loucuras que se pode fazer quando se é feliz.
..............................Na verdade, a felicidade pode estar nas coisas mais simples. No sorriso de uma criança, no desabrochar de uma flor, no brilho do luar, no abraço de um amigo, na troca de um olhar. A felicidade é simplesmente felicidade. Não se improvisa, nem se encomenda, apenas chega.
..............................O emprego da palavra felicidade na construção de frases pode ser um recurso estilístico que confere ao texto uma forma mais erudita. Ela pode ter vários nomes: “Pai”, “Mãe”, “Filho”, “Irmãos”, “Família”, “Esposa”, “Esposo”, “Amigo”. Pode também não ter nome nenhum, ser apenas um estado de espírito.
..............................Ela pode ser experimentada em qualquer estágio de nossa vida. Felicidade é o inesperado. Indescritível, irretorquível, indiscutível, ela pode estar em qualquer lugar, numa mansão, num apartamento apertado ou mesmo numa choupana, não importa. Há quem a individualize com ceticismo, desprezando o sentimento. Mas ela nos dá alento nas coisas mais simples ou nas grandes realizações.
..............................Afinal, o que é ser feliz? Para muitos, a felicidade brilha no restrito conjunto de palavras, tais como sucesso, amor, fama, dinheiro. Mas o que ela é, na verdade, é uma forma mágica de dar sentido à vida.
..............................Aprofundando-se mais na questão, a felicidade é um modo de beneficiar-se da convivência coletiva; é não existir só para si, é ser dividida pelos que nos cercam. É perseguir o sentido da existência, uma existência não só nossa, mas de todos coletivamente.
..............................Todos nós temos uma seta interna que nos indica o caminho para alcançar a felicidade, se considerarmos que este sentimento se encontra nas coisas mais simples, nos desejos mais expressivos. Para isso, precisamos ter a sensibilidade de sentir e compreender a linguagem da existência. O filósofo Epicúrio pregava que “a felicidade advém das coisas simples.” E Confúcio disse que “a melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros.” Já Nietzsche afirmou: “Não é a força, mas a constância dos bons sentimentos que conduz os homens à felicidade.” Muitos foram os grandes pensadores que se referiram à felicidade como forma de distribuir amor e solidariedade.
..............................Portanto, a felicidade não pode ser encontrada no shopping, nem na loja da esquina. Faz-se necessário entrar na vibração do amor, o sentimento maior, para que se possa atraí-la. Ser feliz é perceber o que é a vida, reconhecer as maravilhas da natureza, enxergar a grandeza do ser humano.