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UM MOMENTO
DE EXTREMA EMOÇÃO
Foi
grande a minha emoção ao transpor os portões do Jaraguá
Tênis Clube, no último sábado, 24, para assistir à
prévia carnavalesca, promovida pelos amigos Benedito e Oriêta
Pontes. Naquele momento, abri meu coração e mergulhei fundo
nas minhas lembranças molhadas de saudades. O doce sentimento de
recordação da minha mocidade estava muito presente em mim,
embora vivido há tantos anos. Olhei o salão, com esmerada
decoração. O palco, o mesmo palco que abrigou ótimas
orquestras que embalaram minha alegria de foliã, lá estava,
no mesmo lugar, com as Orquestras New Orleans e Conclave, fazendo ecoar
marchinhas do passado, num iluminado salão (o mesmo onde tanto
já dancei outrora), repleto de foliões. Fantasias lindas,
brilhantes, coloridas, num desfile de beleza e bom-gosto elogiáveis.
É muito bom quando tocamos a nossa emoção ao revivermos
momentos inesquecíveis. E, naquele momento, na volta emocionante
ao passado, senti aflorar à minha mente lembranças tão
queridas. Vi-me, em plena adolescência, fantasiada (de colombina,
indiana, índia), pulando nos amplos salões do Jaraguá
Tênis Clube, onde brinquei os melhores carnavais de minha vida.
Estar ali, naquele baile lindo, foi como um feliz recomeçar, como
um rejuvenescimento. Minha saudade foi, então, recompensada pela
volta ao local onde vivi na juventude as mais doces emoções,
ao lado de amigos queridos que comigo dançaram ao som de românticas
marchinhas do passado; “Quanto riso, ó, quanta alegria, mais
de mil palhaços no salão, Pierrô está chorando
pelo amor de Colombina, no meio da multidão”.
Ali no baile “Isto é Carnaval”, que faz parte do projeto
“Maceió mostra a sua cara”, idealizado pelo casal Pontes,
além das marchinhas do passado, dançava-se ao ritmo de frevos,
marchas-rancho e sambas que fazem parte do disco “Quem for podre
que se quebre”, de autoria do próprio professor Benedito,
lançado no Clube Fênix Alagoana, em 06 de dezembro último.
Com esse disco, o professor Benedito se propõe a resgatar os carnavais
de Maceió, principalmente os carnavais de clube.
O baile foi lindo. Gente bonita fez a animação da festa,
numa euforia incontida, onde o clima romântico de outros tempos
eclodiu num salão repleto de animados foliões, animação
à qual também aderi, experimentando sentimentos despertos
pelas minhas mais ternas recordações: o velho Tênis
engalanado, eu e um número incalculável de amigos, perpétuos
foliões, cantando e dançando ao som de velhas marchinhas
executadas pela orquestra do Maestro Passinha. Revivi, metaforicamente,
aqueles momentos inesquecíveis do passado em meio àquele
salão repleto, e me vi mocinha, sambando sem saber sambar, mas
me oferecendo àquele ritmo sem inibição; um recorte
de salão onde todos se espremiam, suados, cantando alto, sorrindo
sem cessar, expressões que se misturavam ao som estridente dos
metais.
No maravilhoso baile “Isto é carnaval”, enquanto eu
rodopiava no salão, o pensamento ia e vinha, os olhos marejavam,
a vista alcançava distância e o coração firmava
saudades. Tudo isso mexia no mar da minha vida e me fazia feliz, além
do prazer e do ensimesmar-se. Naquele mar de luzes e cores, eu pescava
recordações.
Aproveito para pedir aos alagoanos que prestigiem os futuros projetos
do professor Pontes e esposa, que tanto lutam pela valorização
da nossa cultura, a fim de que seja resgatado nosso carnaval, para alegria
dos nossos foliões.

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