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GOUVEIA, MEU MESTRE,
MEU AMIGO, MEU IRMÃO
Em
minha trajetória jornalística tive o privilégio de
trabalhar ao lado de um homem de extraordinária grandeza, um ser
humano único, que muito representou em minha vida profissional.
Refiro-me ao jornalista José Rodrigues de Gouveia, um homem que
marcou seu tempo pela competência, simpatia, carisma e, sobretudo,
generosidade.
Um dos nomes mais respeitados da imprensa alagoana dos anos 50 e 60, Gouveia
foi um padrão de comportamento humano, profissional e ético,
tornando-se um exemplo para gerações de jornalistas de Alagoas
ao assumir o papel de mestre e amigo de todos nós, que sonhávamos
com nossa realização profissional.
A notícia de sua morte, na última segunda-feira, dia 7,
em Fortaleza, foi um golpe para todos nós que aprendemos a amá-lo
e a respeitá-lo como o grande mestre e fiel amigo.
Conheci o Gô na década de 50, quando comecei a trabalhar
como repórter na Gazeta de Alagoas. Ele foi, inclusive, um dos
secretários de redação (naquele tempo se chamava
assim o, hoje, Editor-geral) com quem trabalhei.
Só quem desfrutou da amizade de Rodrigues de Gouveia pode avaliar
a grandeza desse homem encantador, dono de um coração do
tamanho do mundo, que sempre incentivou os jovens que sonhavam em se tornar
jornalista, injetando-lhes ânimo e confiança, ensinando-lhes
o ofício de bem informar, com paciência e a maior boa vontade.
Gouveia foi realmente um mestre de todos nós, “trabalhando”
os “focas” com extrema paciência, até transformá-los
em grandes profissionais de imprensa. Muitos nomes de destaque na imprensa
brasileira passaram por seu crivo: Luiz Gutemberg, que foi comentarista
político da TV-Bandeirantes, em Brasília, Jorge Segundo,
que atuou na imprensa carioca, onde foi, inclusive, editor do “Fantástico”,
da TV-Globo, Márcio Canuto, que hoje brilha na TV-Globo de São
Paulo e tantos outros. Eu mesma sempre recebi dele grande incentivo, sendo
ele o responsável por minha formação profissional.
Uma de suas maiores virtudes era a modéstia. Apesar de ter ganhado
dois prêmios “Othon Bezerra de Mello” com os livros
“O Poço de Jacó”, em 1966, e “Boneca de
Pano”, em 1987, concedidos pela Academia Alagoana de Letras, jamais
se envaideceu pelas importantes láureas.
Gouveia foi um dos fundadores da Academia Maceioense de Letras e seu segundo
presidente.
Além de jornalista e escritor, Gô era também poeta.
Vejam quanta sensibilidade nesta estrofe: “Mulher sem dono, triste
e amargurada,/Que curte, rindo, o mal sem ser sem sorte,/Sublime mariposa,
desgraçada/Sem um afeto puro que a conforte”.
Morando há anos em Fortaleza, Gouveia manteve os laços de
amizade com os velhos amigos alagoanos, o que amenizava a nossa saudade.
O saudoso jornalista Joarez Ferreira, referindo-se, certa vez, a Gouveia,
escreveu: “...artista das letras, campeão de sucessos literários,
pastor de sonhos e ilusões, incansável soldado da fé
no Homem e na Humanidade, o humanista Gouveia, gente acima de tudo, poeta
que se expressa em versos. Versos que soam como poemas. Assim é
o cronista refinado e consagrado.”
O querido e inesquecível Gô, dono de inteligência privilegiada
e extrema sensibilidade, que refletia o Ser e a Vida e via no mundo a
grandeza de Deus, era meu mestre, meu amigo, meu irmão.
Obs: Na crônica
da semana passada, eu cometi um lapso: na verdade, os funcionários
do IZP não estão com salários atrasados, mas defasados.

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