CRÔNICAS
2009
2010
1º Site Oficial de Dança em Alagoas - Anúncios Grátis nos Classificados


GOUVEIA, MEU MESTRE, MEU AMIGO, MEU IRMÃO

Em minha trajetória jornalística tive o privilégio de trabalhar ao lado de um homem de extraordinária grandeza, um ser humano único, que muito representou em minha vida profissional. Refiro-me ao jornalista José Rodrigues de Gouveia, um homem que marcou seu tempo pela competência, simpatia, carisma e, sobretudo, generosidade.
Um dos nomes mais respeitados da imprensa alagoana dos anos 50 e 60, Gouveia foi um padrão de comportamento humano, profissional e ético, tornando-se um exemplo para gerações de jornalistas de Alagoas ao assumir o papel de mestre e amigo de todos nós, que sonhávamos com nossa realização profissional.
A notícia de sua morte, na última segunda-feira, dia 7, em Fortaleza, foi um golpe para todos nós que aprendemos a amá-lo e a respeitá-lo como o grande mestre e fiel amigo.
Conheci o Gô na década de 50, quando comecei a trabalhar como repórter na Gazeta de Alagoas. Ele foi, inclusive, um dos secretários de redação (naquele tempo se chamava assim o, hoje, Editor-geral) com quem trabalhei.
Só quem desfrutou da amizade de Rodrigues de Gouveia pode avaliar a grandeza desse homem encantador, dono de um coração do tamanho do mundo, que sempre incentivou os jovens que sonhavam em se tornar jornalista, injetando-lhes ânimo e confiança, ensinando-lhes o ofício de bem informar, com paciência e a maior boa vontade.
Gouveia foi realmente um mestre de todos nós, “trabalhando” os “focas” com extrema paciência, até transformá-los em grandes profissionais de imprensa. Muitos nomes de destaque na imprensa brasileira passaram por seu crivo: Luiz Gutemberg, que foi comentarista político da TV-Bandeirantes, em Brasília, Jorge Segundo, que atuou na imprensa carioca, onde foi, inclusive, editor do “Fantástico”, da TV-Globo, Márcio Canuto, que hoje brilha na TV-Globo de São Paulo e tantos outros. Eu mesma sempre recebi dele grande incentivo, sendo ele o responsável por minha formação profissional.
Uma de suas maiores virtudes era a modéstia. Apesar de ter ganhado dois prêmios “Othon Bezerra de Mello” com os livros “O Poço de Jacó”, em 1966, e “Boneca de Pano”, em 1987, concedidos pela Academia Alagoana de Letras, jamais se envaideceu pelas importantes láureas.
Gouveia foi um dos fundadores da Academia Maceioense de Letras e seu segundo presidente.
Além de jornalista e escritor, Gô era também poeta. Vejam quanta sensibilidade nesta estrofe: “Mulher sem dono, triste e amargurada,/Que curte, rindo, o mal sem ser sem sorte,/Sublime mariposa, desgraçada/Sem um afeto puro que a conforte”.
Morando há anos em Fortaleza, Gouveia manteve os laços de amizade com os velhos amigos alagoanos, o que amenizava a nossa saudade.
O saudoso jornalista Joarez Ferreira, referindo-se, certa vez, a Gouveia, escreveu: “...artista das letras, campeão de sucessos literários, pastor de sonhos e ilusões, incansável soldado da fé no Homem e na Humanidade, o humanista Gouveia, gente acima de tudo, poeta que se expressa em versos. Versos que soam como poemas. Assim é o cronista refinado e consagrado.”
O querido e inesquecível Gô, dono de inteligência privilegiada e extrema sensibilidade, que refletia o Ser e a Vida e via no mundo a grandeza de Deus, era meu mestre, meu amigo, meu irmão.

Obs: Na crônica da semana passada, eu cometi um lapso: na verdade, os funcionários do IZP não estão com salários atrasados, mas defasados.