CRÔNICAS
2009
2010
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............................É triste assistirmos ao que vem acontecendo com a música popular brasileira. Refiro-me àquela que se rotulou de MPB, na década de 70. Àquela que se afirmou na História como rebelde e libertária nos tempos da ditadura militar, levantando essa bandeira nos Festivais da Canção. Era o protesto reprimido de Caetano, Gil, Vandré (que sofreu duras consequências por sua “Pra não dizer que não falei de flores”), Chico e outros nomes expressivos da música brasileira da época.
............................Refiro-me à música da década de 70, sem esquecer as anteriores, em que se compunham verdadeiras jóias, recheadas de lirismo e beleza, canções que tocavam a alma da gente.
............................Hoje, a música brasileira caiu em quase total decadência, apoiada por uma juventude medíocre e alienada, de gosto musical duvidoso, influenciada pela mídia que se encarrega de divulgar esses verdadeiros lixos musicais, como “Créu”, “Eguinha Procoto”, “Você não vale nada” (sucesso absoluto nas rádios e nas festinhas em família), “Tô ficando atoladinha” e outros horrores que ferem os nossos ouvidos.
............................Quando nos lembramos de canções como “Rosa”, de Pixinguinha, “Chão de Estrelas”, de Orestes Barbosa, “As Rosas não falam”, de Cartola e outras jóias do passado, ficamos revoltados com a mediocridade das absurdas composições que têm surgido ultimamente.
............................De quem é a culpa? Das rádios que tocam esses lixos, deixando de tocar nossos bons compositores? Dos bailes “funk” que tocam esses horrores para animar a galera alienada? E me pergunto: como se jogar fora, descartando como passadista, a Bossa Nova, sem favor, o movimento musical mais expressivo da música popular de nossa História, que levou o nome do Brasil mundo afora. Prova disso é o sucesso dos compositores da MPB lá fora. A propósito, Marcos Valle está muito bem obrigado em Londres.
............................Aonde buscar uma saída? Se é que ainda se possa encontrar uma saída neste universo insensível em que vivemos. Parece até que os compositores da era dos Festivais se acomodaram e ficaram órfãos da MPB.
............................Como sou otimista, tenho esperança de que essa situação seja revertida. Não quero continuar refém do absurdo musical jogado no ar pela mídia. E protesto em nome da nossa riqueza rítmica e cultural, essa diversidade que encanta estrangeiros, ao ponto de aqui virem em busca de nossas batidas , transformando-as, pela beleza, em batuque universal. Digo isso porque vivi a época dos grandes Festivais, nos quais se apresentavam as vozes mais afinadas, divulgando as suas lindas composições (e de outros talentos) que, não só faziam sentido, como se tornaram raridades culturais de uma época. Felizmente, Chico, Caetano, Gil e tantos outros ainda estão por aí com suas letras perfeitas, embora ultrajadas pelos “Créus” da vida.
............................Mas, como sou otimista, espero que esses alacraiados sectários do “procotoismo” da degeneração cultural e da mediocrização da Arte, não triunfem no alto do midiático banal que marqueteia o ridículo e propaga o vazio. Com certeza, esse grupo jamais se estabelecerá, uma vez que é nulo de competência.
............................Para o bem da sublime Arte das Musas e a felicidade de todos, espero que a lira de Orfeu inspire sempre os verdadeiros menestréis que fazem música de qualidade e brilham, ostentando a chama dos seus gênios criadores. Assim, não teremos que repetir, indignados, o grito de Rita Lee, em 78: “O que é que aconteceu com a música popular brasileira?”