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............................É triste
assistirmos ao que vem acontecendo com a música popular brasileira.
Refiro-me àquela que se rotulou de MPB, na década de 70.
Àquela que se afirmou na História como rebelde e libertária
nos tempos da ditadura militar, levantando essa bandeira nos Festivais
da Canção. Era o protesto reprimido de Caetano, Gil, Vandré
(que sofreu duras consequências por sua “Pra não dizer
que não falei de flores”), Chico e outros nomes expressivos
da música brasileira da época.
............................Refiro-me à
música da década de 70, sem esquecer as anteriores, em que
se compunham verdadeiras jóias, recheadas de lirismo e beleza,
canções que tocavam a alma da gente.
............................Hoje, a música
brasileira caiu em quase total decadência, apoiada por uma juventude
medíocre e alienada, de gosto musical duvidoso, influenciada pela
mídia que se encarrega de divulgar esses verdadeiros lixos musicais,
como “Créu”, “Eguinha Procoto”, “Você
não vale nada” (sucesso absoluto nas rádios e nas
festinhas em família), “Tô ficando atoladinha”
e outros horrores que ferem os nossos ouvidos.
............................Quando nos lembramos
de canções como “Rosa”, de Pixinguinha, “Chão
de Estrelas”, de Orestes Barbosa, “As Rosas não falam”,
de Cartola e outras jóias do passado, ficamos revoltados com a
mediocridade das absurdas composições que têm surgido
ultimamente.
............................De quem é
a culpa? Das rádios que tocam esses lixos, deixando de tocar nossos
bons compositores? Dos bailes “funk” que tocam esses horrores
para animar a galera alienada? E me pergunto: como se jogar fora, descartando
como passadista, a Bossa Nova, sem favor, o movimento musical mais expressivo
da música popular de nossa História, que levou o nome do
Brasil mundo afora. Prova disso é o sucesso dos compositores da
MPB lá fora. A propósito, Marcos Valle está muito
bem obrigado em Londres.
............................Aonde buscar
uma saída? Se é que ainda se possa encontrar uma saída
neste universo insensível em que vivemos. Parece até que
os compositores da era dos Festivais se acomodaram e ficaram órfãos
da MPB.
............................Como sou otimista,
tenho esperança de que essa situação seja revertida.
Não quero continuar refém do absurdo musical jogado no ar
pela mídia. E protesto em nome da nossa riqueza rítmica
e cultural, essa diversidade que encanta estrangeiros, ao ponto de aqui
virem em busca de nossas batidas , transformando-as, pela beleza, em batuque
universal. Digo isso porque vivi a época dos grandes Festivais,
nos quais se apresentavam as vozes mais afinadas, divulgando as suas lindas
composições (e de outros talentos) que, não só
faziam sentido, como se tornaram raridades culturais de uma época.
Felizmente, Chico, Caetano, Gil e tantos outros ainda estão por
aí com suas letras perfeitas, embora ultrajadas pelos “Créus”
da vida.
............................Mas, como sou
otimista, espero que esses alacraiados sectários do “procotoismo”
da degeneração cultural e da mediocrização
da Arte, não triunfem no alto do midiático banal que marqueteia
o ridículo e propaga o vazio. Com certeza, esse grupo jamais se
estabelecerá, uma vez que é nulo de competência.
............................Para o bem da
sublime Arte das Musas e a felicidade de todos, espero que a lira de Orfeu
inspire sempre os verdadeiros menestréis que fazem música
de qualidade e brilham, ostentando a chama dos seus gênios criadores.
Assim, não teremos que repetir, indignados, o grito de Rita Lee,
em 78: “O que é que aconteceu com a música popular
brasileira?”

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