Lola
Melnick esteve muitas vezes no Brasil antes de
se mudar para cá, em 2010. Sua visita mais
marcante foi em 2008, quando concedeu uma entrevista
a Jô Soares. O momento foi positivo para
quem assistiu ao programa e também para
a própria dançarina, que recebeu
diversos convites para trabalhar em emissoras
brasileiras.
O
SBT foi o canal que conquistou essa russa de 28
anos, que já morou em Paris, na Argentina,
no Chile, aprendeu a falar português com
leve sotaque espanhol e promete nunca mais deixar
o Brasil. “Aqui me sinto em casa porque
as pessoas sabem viver, curtir, se divertir. São
pessoas do bem, que tiram a última coisa
que têm para te passar, porque existe essa
coisa de bondade”, elogiou Lola, em entrevista
ao iG Gente.
Lola
tinha 14 anos quando deixou a ex-União
Soviética (atual Ucrânia) e seguiu
para a França na companhia do pai, que
se mudou a trabalho. Pouco depois, foi para a
Argentina pelo mesmo motivo. Por lá, estudou
Direito. “Nunca pensei em trabalhar em televisão,
nunca foi meu foco. Foi uma coisa da vida, eu
era bailarina profissional, competia em concursos
de dança. Fui estudar advocacia porque,
na verdade, peguei a carreira de meu pai, que
era diplomata”, explicou ela, que deixou
o Direito de lado e começou a trabalhar
em um canal argentino no programa sobre animais
“El Portal de las Mascotas”.
Ainda
na Argentina, ela fez também participação
em uma novela. “Brinquei de atriz, mas não
sou.” Do dia para a noite, arrumou as malas
e mudou-se para o Chile após receber um
convite de trabalho. “Honestamente, nunca
achei que ia ficar por lá. Sempre pensei
que ia voltar para a Argentina e, depois, para
a Europa. Mas, como tudo, a vida vai te levando
e você vai tomando as decisões que
ela te apresentar.”
Lola Melnick: "Sou solteira por opção"
O embarque seguinte foi para o Brasil, onde segue
como jurada do “Se ela Dança, eu
Danço”, programa que iniciou sua
segunda temporada em 3 de agosto e vai ao ar toda
quarta-feira, às 20h15.
Na atração – e longe das câmeras
também – , Lola recebe diversas cantadas.
Em uma das gravações da fase eliminatória,
por exemplo, chegou a receber uma aliança
e um pedido de casamento de um dos candidatos.
“Gente, ele me passou a aliança de
outra mulher. Com nome e data de casamento. Sacanagem”,
disparou ela, que está solteira e se diverte
com o assédio.
O cara me passou a aliança de outra mulher,
com nome e data de casamento. Sacanagem."
iG Gente: Já sofreu alguma ameaça
ou crítica por dizer “não”
a algum candidato?
Lola Melnick: Ameaça, não, mas crítica,
muitas. É normal, porque alguns não
entendem e acham que foram melhor que outros.
Mas temos critérios suficientes para saber
o que está bom, o que não está
bom e o que nunca será bom.
Lola Melnick: "sou uma pessoa muito inquieta.
Não sou uma pessoa de rotina, gosto de
conhecer lugares novos, pessoas, culturas"
iG
Gente: Em sua carreira, já passou por alguma
peneira e foi desclassificada?
Lola Melnick: Com certeza. Gente, eu vivia de
competição. Você está
lá batalhando, treinando horrores para
passar por uma etapa da competição
e você leva o “não”.
E muitas vezes eu falava: “nossa, mas por
que não? O que eles estão procurando?
Treinei tanto!”. Mas eles estão vendo
de fora, eles sabem. Quantos “nãos”
eu levei na minha vida para agora conseguir ser
quem sou? Muitos.
iG
Gente: E como você conseguiu superar esses
"nãos" e não deixá-los
te abalar a ponto de desistir?
Lola Melnick: Primeiro, acredito no que faço.
Sempre acreditei. Segundo, é me superar.
É falar: “você acha que não
sou boa o suficiente? Vou te comprovar que sou
melhor que o outro, que vou conseguir”.
E trabalhar, trabalhar, trabalhar. Não
me abalar pelo “não”, e sim
tomar isso como um estímulo de melhorar.

iG Gente: Teve um programa do Silvio Santos em
que você dançou com ele. Que nota
você dá para o Silvio como dançarino?
Lola Melnick: Ah, dez! Tem que entender que ele
é um conjunto. É um personagem tão
gostoso, que, naquela hora, você nem presta
atenção no que está acontecendo.
Você simplesmente está curtindo o
momento de estar dançando com ele.
iG
Gente: E que nota dá a ele como patrão?
Lola Melnick: Eu o conheço faz pouco, mas
posso falar da opinião das pessoas que
não são conhecidas, que não
são apresentadores, não são
artistas. São os que você está
vendo lá (aponta para os bastidores). São
as pessoas que têm menos visibilidade, mas
ao mesmo tempo são as que mais trabalham.
E eles todos adoram Sílvio Santos.
iG
Gente: Mas como é seu relacionamento com
ele, tem contato?
Lola Melnick: Já fui várias vezes
ao programa dele, é uma figura. É
uma pessoa muito profissional, que entra meia
hora antes no auditório para conversar
com a plateia, para conversar com todo mundo,
dar satisfação. Ele passa pelos
camarins dos convidados para cumprimentar. Ele
tem uma ótima memória, lembra de
tudo e não escapa nenhum detalhe dele.
Além do carisma, logicamente.
Lola
Melmick deixou sua terra natal aos 14 anos e passou
pela França, Argentina e Chile antes de
chegar ao Brasil
iG Gente: Antes de vir para o Brasil, você
trabalhou na Argentina e no Chile em programa
sobre animais...
Lola Melnick: Na Argentina, era programa de animais.
No Chile, já não. Era só
um programa de animais e o resto era muita variedade,
entretenimento, humor, entrevistas. Logicamente
que tudo com meu estilo: um pouco espontâneo,
natural, não fácil de dominar.
iG
Gente: Como você se define?
Lola Melnick: Ai, é difícil se definir
sozinha, né? Mas eu acho que não
tenho muito filtro. (risos). Aquilo que sou, eu
mostro. E agradeço quando as pessoas gostam.
Aqueles que não gostam, também respeito.
Não tem como agradar todo mundo. O que
posso dizer é que, aquilo que você
está vendo, é isso. E eu tenho um
lema, que é alegria, ser feliz, me divertir,
dar risada sempre. Fazer com que as outras pessoas
também se divirtam, dêem risada.
(Sílvio
Santos) é um personagem tão gostoso,
que você nem presta atenção
no que está acontecendo. Você simplesmente
está curtindo o momento de estar dançando
com ele”.
Lola Melnick: "é difícil se
definir sozinha. Mas eu acho que não tenho
muito filtro"
iG
Gente: Em 2008, você deu uma entrevista
para o Jô Soares e você disse que
queria vodca na caneca em que ele oferece água.
Gosta da bebida?
Lola Melnick: Como é que ele me convida
para casa dele -- porque o programa é a
casa dele -- e me oferece água? Que coisa
é essa? Que palhaçada é essa?
Ainda mais para uma russa. É sério,
sempre quando convidamos alguém para casa,
é normal você oferecer no começo:
“e aí, vamos beber o quê? Vamos
brindar porque você está aqui. Bem-vindo
a minha casa”. E eu estava esperando esse
“bem-vindo à minha casa”. Olhei
para a xícara e não tinha nada.
Aí falei: “Ah, gente, assim não
dá. Assim não, né?”.
Aí ele topou. Depois quis tomar mais. E
no segundo programa, já foi ele quem me
ofereceu. Só que foi pinga.
iG
Gente: Não gostou? O seu negócio
é vodca mesmo?
Lola Melnick: Na verdade, não sou muito
de beber. Nem vodca, nem nada. Sou um pouco de
vinho, um pouco champanhe. Mas seguro bem, posso
beber bem. A gente bebeu cachaça pura.
Sério, pinga pura. E ele serviu ainda em
uns copos bem grandes. O Ratinho também.
No primeiro programa que fui, ele me ofereceu
rabo de galo.
iG
Gente: E você bebeu?
Lola Melnick: Então, vou te contar uma
verdade. Achei que por ser de casa, SBT e tudo,
seria alguma coisa de “vamos misturar água
com alguma coisa vermelhinha lá e dar como
se fosse rabo de galo”. O diretor me falou
que ia ser isso. Na hora do primeiro gole, não
prestei muita atenção porque a gente
estava no maior papo. No segundo, eu falei “isso
não é água nada. É
pinga, meu querido. Pinga com vermute”.
O que aconteceu foi que o Ratinho chegou para
o diretor e falou: “Bota pinga nisso, vai
ser rabo de galo mesmo!”. E posso te falar?
Seguro melhor que todos eles juntos. (risos)
iG
Gente: Você foi para a França, Argentina,
Chile, agora está no Brasil. Isso foi apenas
pelo rumo da vida, como falou, ou é uma
inquietação?
Lola Melnick: A vida me levou, mas também
sou uma pessoa muito inquieta. Não sou
uma pessoa de rotina, não sou sedentária,
gosto de conhecer lugares novos, pessoas, culturas.
Sempre que vou a um país novo, tento entrar
na cabeça das pessoas, na cultura. Sinto
que devo esse respeito para a cultura deles. No
caso do Brasil, foi um carinho desde criança.
Quando eu era pequena, vi o Carnaval (pela TV)
e falei para meu pai: “quando eu crescer,
vou dançar lá”. Logicamente,
ele desligou o telefone na minha cara e falou
“você não vai sair com essa
roupa”. Acho que o povo russo é muito
parecido com o brasileiro. Me sinto em casa porque
as pessoas sabem viver, se divertir. São
pessoas do bem, que tiram a última coisa
que tem só para te passar, porque existe
essa coisa de bondade. E é muito como no
meu país. Cada cidade é um mundo
à parte. Não tem como não
se apaixonar por esse País.
“
Quando
eu era pequeninha, eu vi Carnaval e falei para
meu pai: ‘quando eu crescer, vou dançar
lá. Logicamente, ele desligou o telefone
na minha cara e falou ‘você não
vai sair com essa roupa’”.
iG
Gente: E o que te prende aqui?
Lola Melnick: É isso. Essa paixão
pelo País. Desde o povo, até culturas,
costumes, dança, música, clima,
a natureza que vocês têm, tudo isso.
Para mim, é maravilhoso. E eu não
quero embora daqui, não.
iG
Gente: Você comentou com seu pai que sairia
no Carnaval e este ano você até trabalhou
em Salvador para o SBT...
Lola Melnick: Eu saí também, pela
X9 (em São Paulo) pela primeira vez na
minha vida. Desfilei, tirei a roupa, a maquiagem,
peguei o avião e fui para Salvador.
iG
Gente: E o que você achou dessas duas festas?
Lola Melnick: A de Salvador, eu já conhecia.
É uma loucura, é gostoso. Quando
você vê esse oceano de gente, todo
mundo dançando naquela terra, que é
a terra de ninguém, é delicioso.
Mas ali é mais de energia mesmo, de ferveção.
Carnaval do Rio, de São Paulo, é
mais um show visual, pra você ver, assistir,
é uma coisa muito bonita.
Lola Melnick estudou Direito antes de iniciar
sua carreira na TV. "Nunca pensei em trabalhar
em televisão"
Lola Melnick se reúne com toda a equipe
do programa antes da gravação da
atração
“
A
dança é minha profissão,
uma coisa que respeito muito. É a arte
para qual eu trabalhei muito, eu treinei muito
e ainda treino. Não uso como um jeito para
seduzir”.
iG
Gente: Durante a gravação do "Se
Ela Dança, Eu Danço", você
recebeu uma aliança de um dos candidatos.
Como foi isso?
Lola Melnick: Mas você viu que safado? Ainda
bem que tirei essa aliança do dedo e olhei
para dentro. Gente, ele me passou a aliança
de outra mulher. Com nome e data de casamento.
Sacanagem. Olha o que os homens estão fazendo
hoje em dia.
iG
Gente: Mas você costuma passar por muitas
situações como estas, leva muitas
cantadas?
Lola Melnick: Aqui no programa o que mais levo
é isso, mas é muito bom. Porque
assim, eles ficam naquela situação:
eles tentam, mas ao mesmo tempo ficam com medo.
Mas é bom, é gostoso.
iG
Gente: Você está solteira por opção
ou está em busca de um amor?
Lola Melnick: Eu já fui casada, mas sou
solteira por opção. Também,
tem tanto trabalho que não dá tempo
nem para dormir.
iG
Gente: Quais são suas manias?
Lola Melnick: De ordem e limpeza. Sou maníaca
por isso.
iG
Gente: Tem algum defeito?
Lola Melnick: Vários! Por onde começo
(risos)? Impaciente, terrivelmente impaciente.
É um de tantos defeitos meus.
iG
Gente: Então, uma qualidade, pra balancear
todos os defeitos que você diz ter.
Lola Melnick: Qualidade? Qual é minha qualidade,
Jarbas? (pergunta ao colega de bancada do programa,
o ator e dançarino Jarbas Homem de Mello)
Jarbas: Bom caráter, amiga, companheira...
Lola Melnick: É uma só, meu anjo...
Jarbas: ...beija bem... (risos)
Lola Melnick: Não precisa tanto...
Lola
Melnick entre João Wlamir e Jarbas Homem
de Mello, também jurados do "Se Ela
Dança, eu Danço"
iG
Gente: O que ninguém sabe sobre você?
Lola Melnick: (Para por um tempo e pensa). As
minhas tristezas, ninguém sabe de minhas
tristezas.
“
Aquilo
que sou, eu mostro. E agradeço que as pessoas
gostem. Aqueles que não gostam, também
respeito”.
iG
Gente: Você usa a dança para seduzir?
Lola Melnick: Não... Para mim, a dança
é minha profissão, uma coisa que
respeito muito. É a arte para qual eu trabalhei
muito, treinei muito e ainda treino. Faço
balé clássico de ponta de segunda
à sexta-feira, tomo outras aulas, para
não perder o estado técnico e para
aprender outras danças. Mas não
uso como um jeito para seduzir. Se no caminho
acontece, bem-vindo seja.
iG
Gente: E você gosta de homem que dança?
Lola Melnick: Sim, eu sempre tive uma pequena
atração por isso, posso falar. Mas
é engraçado. Eu gosto muito dos
homens que dançam, mas ao mesmo tempo,
não gosto que meus namorados ou homens
com quais tenho relacionamento dancem. É
estranho.
Fonte:gente.ig.com.br